Exibindo: 1 - 6 de 10 RESULTADOS

Prelúdio da Dor

Recentemente eu tive a oportunidade de ministrar uma palestra no Curso de Neuromodulação Invasiva InDor-DF. Posteriormente, eu pude compartilhar minhas ideias sobre o manejo da dor na PUC-PR. Foi uma das tarefas mais difíceis até o momento, uma vez que a audiência se compunha pelas mentes mais brilhantes sobre o assunto. A principío, deveria me assegurar que o que falaria teria algum valor a esses distintos colegas. Felizmente, atingi esta meta desde o princípio. 

Achei a resposta de antemão: “Assegurar que o que falaria teria algum VALOR”. Na ocasião da palestra, o valor era definido pela audiência, gabaritados profissionais. Porém, em outras ocasiões, quem definiria o valor? 

Em síntese, o que eu poderia levar de valor aos profissionais da saúde é uma visão que tenho trabalhado nos últimos 2 anos. São ideias que tenho sobre a relação médico-paciente, medicina baseada em evidências, o uso de tecnologias, o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado com quem sabe ter excelência em sua atividade, a indústria.

A junção de tópicos tão aparentemente aleatórios deveria ter uma maneira mais eficiente de ser comunicada. Por essa razão, a música se tornou um elemento extra que facilitou a expressão de minhas ideias outrora desconexas. 

Espero que gostem do storytelling dessa grande metáfora, a minha rapsódia pessoal, entitulado PRELÚDIO DA NEUROMODULAÇÃO.

 

 

Lesão em chicote e Dor cervical

Quando alguém sofre um acidente e traumatismo com grande aceleração ou desaceleração, a cabeça pode ser submetida a movimentos bruscos multidirecionais, similares ao que ocorre com a extremidade de um chicote. Como efeito, a cabeça chacoalha livremente a partir desses movimentos que frequentemente apresentam amplitudes de movimentos maiores do que o suportado pela coluna cervical.

Esses movimentos fortes e descoordenados podem desencadear o surgimento de dor na coluna cervical, na cabeça, em ombros ou membros superiores. Frequentemente a dor se manifesta independentemente da ausência de lesões identificáveis aos exames de imagem iniciais.

A condição clínica que cursa com dor na coluna cervical e nas estruturas adjacentes originada a partir desse tipo de trauma foi genericamente chamada de Lesão por Chicote ou Síndrome do Chicote. Essas lesões ocorrem com mais frequência como consequência de colisões automobilísticas, quedas de nível e de esportes de contato.

 

Antes de tudo, entenda sucintamente a anatomia da coluna:

A coluna vertebral é uma longa cadeia de ossos, discos, músculos e ligamentos que se estende desde a base do crânio até a ponta do cóccix. A coluna cervical (região do pescoço) suporta a cabeça, protege os nervos, protege a medula espinhal e permite a movimentação do pescoço. Ela é composta por sete vértebras, enumeradas de cima para baixo: C1, C2, C3, …

Um segmento vertebral é a relação entre duas vértebras separadas por um disco e pelas facetas. As facetas são projetadas com o intuito de permitir suaves movimentos de flexão, extensão, rotação e inclinação do pescoço, mas também limitam o excesso de movimento. Músculos e ligamentos envolvem e sustentam a coluna vertebral. Todas essas estruturas trabalham em conjunto e potencialmente podem causar dor, posto que todas têm suprimento nervoso e podem sofrer lesões.

 

Quais são os sintomas das lesões por chicote?

Dor de cabeça causada por problemas no pescoço é chamada cefaléia cervicogênica. Pode ser causada por lesão de um disco cervical, de uma articulação. Eventualmente a cefaléia também pode piorar uma enxaqueca já existente.

A dor e a sensação de peso no braço podem ser causados ​​pela compressão do nervo por uma hérnia de disco. Comumente, a dor no braço é referida de outras partes do pescoço. Dor referida é a dor que é sentida em um local afastado das áreas lesionadas, apesar da ausência de compressão neural. A dor entre as escápulas é geralmente um tipo de dor referida. Em oposição, a dor aos membros superiores costuma ser irradiada como efeito da compressão de um nervo na coluna. 

A dor lombar é vista ocasionalmente após uma lesão de chicote. Ela pode ser sentida secundariamente a lesões nos discos, nas articulações facetárias da região lombar ou ainda nas articulações sacroilíacas.

Dificuldades com a concentração ou a memória podem fazer parte dos sintomas, todavia elas também poderiam ser atribuídas à própria dor. Outros distúrbios neurológicos e psicológicos também podem se manifestar como resultado da depressão e angústia relacionadas à incerteza do diagnóstico. Distúrbio do sono pode ser resultado da dor ou da depressão secundária. Outros sintomas podem incluir visão embaçada, zumbido nos ouvidos, formigamento no rosto e fadiga.

 

O que causa dor crônica no pescoço?

Geralmente não é possível saber a causa exata da dor no pescoço nos dias ou semanas após um acidente automobilístico. Sabemos que os músculos e ligamentos ficam tensos e provavelmente inflamados. Contudo, eles geralmente cicatrizam dentro de 6 a 10 semanas. A dor que persiste por mais tempo geralmente resulta de problemas mais profundos, como lesões nos discos, facetas articulares ou ambos.

 

Facetas articulares

A dor nas facetas articulares é a causa mais comum de dor cervical crônica após um acidente de carro. Pode ocorrer isoladamente ou associada a dor no disco. A dor facetária é geralmente localizada nas laterais do pescoço. A área pode estar sensível ao toque e a dor na faceta pode ser confundida com dor muscular.

Não podemos afirmar se uma faceta é a causa da dor apenas pela sua aparência em um exame de imagem. Realizar uma infiltração pode ser a melhor maneira de identificar se a articulação é uma fonte de dor. Os bloqueios  anestésicos do ramo medial do gânglio dorsal são indicados com o intuito de testar hipóteses diagnósticas.

 

Discos intervertebrais

A lesão no disco também pode causar dor crônica no pescoço. O disco permite o movimento do pescoço, mas, ao mesmo tempo, evita que o pescoço se mova demais. A parede externa do disco, chamada de ânulo fibroso, pode rasgar por uma lesão em chicote. Isso geralmente cicatriza, embora possa não cicatrizar. , pode ficar mais sensível e doer durante atividades normais. A dor vem das terminações nervosas existentes na periferia do ânulo.

O disco é a principal causa de dor de cervical crônica. Menos frequentemente, um disco pode migrar além de seus limites e comprimir um nervo ou a medula espinhal – hérnia discal. Isso geralmente causa mais dor irradiada ao braço do que dor no pescoço, além de amortecimento e fraqueza.

 

Dor muscular

A tensão muscular do pescoço e da parte superior das costas também pode causar dor aguda. No entanto, não há evidências de que os músculos do pescoço sejam uma causa primária de dor cervical crônica. Eles frequentemente doem concomitantemente com as facetas e/ou discos. Os músculos podem doer se estiverem muito tensos, a fim de proteger os discos ou facetas lesionados, ao proteger os nervos do pescoço. Adicionalmente, a dor pode surgir se houver distúrbio mecânico, como na má postura, uso de equipamentos eletrônicos (celulares, notebooks) e hábitos ruins.

 

Tratamento da Lesão por chicote

Tratamento clínico

O tratamento da lesão por chicote nas primeiras semanas e meses requer reabilitação física. Em primeiro lugar, a reabilitação envolve o treinamento de força e instruções sobre a mecânica corporal. Os pacientes frequentemente melhoram após cerca de 12 semanas de tratamento. Eventualmente alguns pacientes necessitam de tratamento especializado, focado na causa da dor.

O treinamento de força é necessário para desenvolver força muscular suficiente para ser capaz de manter a cabeça e o pescoço em posições de boa postura em repouso e durante as atividades. Fortalecer os músculos também melhorará sua amplitude de movimento.

A mecânica corporal descreve a inter-relação entre a cabeça, pescoço, parte superior do corpo e parte inferior das costas durante o movimento e em repouso. O treinamento na postura adequada diminui o estresse nos músculos, discos e vértebras, dando ao tecido danificado a chance de curar. A má postura e a mecânica corporal desequilibram a coluna e criam um alto estresse no pescoço. Desse modo, a cura pode ser retardada ou impedida.

A terapia de manipulação vertebral geralmente é realizada por quiropratas, osteopatas ou fisioterapeutas especialmente treinados. Ela pode fornecer alívio dos sintomas para muitos pacientes e geralmente é segura. Contudo, deve ser combinada com treinamento de força e educação de mecânica corporal.

Os medicamentos são úteis para o controle de sintomas. Eles nunca resolvem o problema e devem, em princípio, serem usados ​​apenas como parte de um programa global de tratamento. Não há o melhor remédio para dores no pescoço. A escolha da medicação depende não só do tipo, gravidade e duração da dor, assim como da condição clínica do paciente. Os medicamentos mais prescritos para dor aguda no pescoço são anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos simples, opioides e antidepressivos.

 

Tratamento intervencionista

Infiltrações podem ser úteis em pacientes cuidadosamente selecionados. Novamente, as infiltrações não curam o problema e devem ser apenas uma parte de um programa de tratamento mais abrangente. As infiltrações peridurais podem proporcionar alívio em curto prazo em casos de compressão do nervo com dor no braço. Raramente são efetivas para a dor puramente do disco, sem sintomas irradiados.

As infiltrações anestésicas de facetas podem aliviar temporariamente a dor.  Embora o alívio subsequente dure pouco tempo, o bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal de uma faceta guia o planejamento terapêutico. Ao se obter um alívio substancial da dor (maior que 50%) com estes bloqueios, indica-se a rizotomia por radiofrequência. Sem dúvidas, a grande aplicação dos bloqueios anestésicos facetários é para confirmar uma hipótese diagnóstica.

A rizotomia por radiofrequência é um procedimento em que se queimam os nervos de cada faceta, inibindo a condução dos estímulos dolorosos. É, portanto, útil para dor que tem origem nas facetas articulares. O alívio pode durar de 9 a 18 meses. Se acaso a dor retornar, o procedimento poderia ser repetido. Só deve ser considerado em situações crônicas de dor significativa.

Cirurgia para dor cervical crônica dificilmente é necessária para casos puramente secundários a lesão por chicote. No entanto, a cirurgia pode ser útil quando há dor intensa proveniente de um ou mais discos e o paciente está muito limitado, psicologicamente saudável e não melhorou com o cuidado não operatório. A cirurgia é feita mais frequentemente quando há compressão sobre um nervo ou medula espinhal.

 

Como isso é diagnosticado?

Diagnóstico clínico

Seu profissional de saúde irá perguntar-lhe sobre seus sintomas e como ocorreu a lesão. Em seguida, ele realizará o exame físico. Isso permitirá que o profissional defina se você precisa de algum exame imediato. Posteriormente, com base em seu quadro clínico, ele definirá o melhor tratamento.

É possível que alguns pacientes não melhorem após cerca de 12 semanas de tratamento. Uma vez que não houve a resposta esperada, uma avaliação mais detalhada deverá ser realizada. Nem todos os pacientes precisam de todos os exames.

 

Exames diagnósticos

Raios-X é realizado logo após o trauma se o profissional de saúde suspeitar que haja uma fratura ou instabilidade. As imagens de RX também mostram sinais indiretos de degeneração (altura do disco, osteófitos ou “bicos de papagaio”). Na ausência aparente de fraturas, podem ser realizadas imagens dinâmicas, ou seja, com flexão e extensão do pescoço, a fim de investigar potenciais instabilidades​​.

A ressonância magnética 

A tomografia computadorizada

A eletromiografia  

Diagnóstico intervencionista

O bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal é uma infiltração feita para determinar se uma articulação facetária está contribuindo para a dor no pescoço. Logo, trata-se de um método diagnóstico intervencionista para confirmar ou afastar uma hipótese diagnóstica.

A discografia é um teste provocativo onde se injeta solução dentro do disco. Os sintomas que podem surgir durante sua realização são correlacionados com o volume e pressão de infusão. Ao surgir ou se houver simulação dos sintomas usuais do paciente, infere-se que o disco testado potencialmente contribui para a dor. A discografia é usada primordialmente para pacientes com dor severa que não melhoram com tratamento clínico e que a cirurgia é considerada.

 

Se você teve uma lesão por chicote…

  • Um especialista em coluna pode ajudar a aliviar a dor do chicote e recuperar a amplitude de movimento. Siga as instruções do seu profissional de saúde cuidadosamente.

  • Mantenha-se ativo e faça os exercícios que lhe foram ensinados para melhorar sua postura e reduzir a tensão no pescoço.

Lembre-se de que, com os devidos cuidados e paciência, é provável que você se recupere do efeito chicote.

 

Modificacoes de atividades

Modificações de atividades

Modificacoes de atividades

Depois de desenvolver dor nas costas, seja por lesão ou por degeneração, os pacientes podem reduzir a intensidade dos sintomas alterando temporariamente a maneira como realizam as atividades diárias. Inegavelmente as atividades podem ser culpadas pelas crises de dor, ao menos parcialmente. Todavia afastar-se de suas atividades não é a solução. Pelo contrário, manter-se ativo pode ajudar no processo de cura e reduzir a inflamação.

Nos estágios iniciais deve-se trabalhar contornando os sintomas cuidadosamente em vez de trabalhar com eles. Essas alterações geralmente são necessárias apenas por um curto período de tempo. É importante permanecer tão ativo e engajado na vida quanto possível, apesar da presença de sintomas relacionados à coluna. Passividade e proteção demasiadas podem levar a um perda do condicionamento físico desnecessária, padrões adaptativos ruins dos movimentos e, mais preocupante, incapacidade inadequada. Isso significa adaptar-se às condições – resiliência.

resiliencia

Estratégias instrucionais para estabelecer modificações de atividades apropriadas podem necessitar auxílio de um profissional. Fisioterapeutas, fisiatras e terapeutas ocupacionais inegavelmente contribuem com um planejamento mais amplo acerca do tratamento.

Portanto, tratamentos mais eficazes demandam planejamentos mais amplos. Para seu sucesso, não só o engajamento dos profissionais da saúde, bem como dos pacientes de maneira simultânea tornam-se necessários. Em casa e no trabalho, deve-se atentar aos cuidados com a ergonomia.

É extremamente comum os pacientes possuírem crenças errôneas e mitos em relação a repouso e estilo de vida. Logo, identifica-los e corrigi-los indubitavelmente contribui para melhores desfechos. Por sua vez, a inclusão de discussões individuais, folhetos, panfletos, vídeos, treinamento assistido por computador e demonstrações práticas são ferramentas que abordam essa questão.

Discite

Como qualquer parte do corpo, a coluna vertebral pode infectar. Embora as infecções da coluna sejam incomuns, quando elas ocorrem, elas podem ser devastadoras. Quando ela ocorre no disco, chama-se discite. Já as infecções vertebrais chamam-se de espondilite, bem como a infecção combinada é chamada de espondilodiscite. O tratamento geralmente requer o envolvimento de um especialista em doenças infecciosas.

Infeccao

O que é Discite?


Como afirmado acima, discite é quando há uma infecção dos discos da coluna vertebral. Ela pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. Algumas partes do corpo, como a boca e os intestinos, têm bactérias nativas, a flora bacteriana normal. No entanto, os discos da coluna vertebral são estéreis e não têm flora bacteriana. O agente bacteriano mais comum que causa discite é o Staphylococcus aureus.

Como acontece a discite?


Discite ocorre com mais frequência quando as bactérias provenientes de outras partes do corpo invadem diretamente os discos. Isso pode ocorrer quando uma pessoa passa por uma cirurgia ou algum tipo de trauma. Discite pode ocorrer em qualquer ponto da coluna, porém é mais comum na coluna baixa.

Outras condições médicas também podem colocar uma pessoa em risco de discite. O sítio de origem mais comum é uma infecção cardíaca bacteriana, chamada endocardite. Os principais fatores, porém não únicos, que aumentam o risco de uma pessoa ter discite incluem o uso de drogas intravenosas, diabetes, idade avançada, desnutrição e outros.

Quando devo suspeitar discite?


Embora a dor lombar seja o sintoma mais comum de discite, a discite é uma causa incomum de dor lombar. A dor costuma começar lentamente e aumentar gradualmente ao longo do tempo. Três ou mais semanas frequentemente se passam antes que alguém com discite seja diagnosticado.

Sintomas neurais como dormência, formigamento e fraqueza também podem ser vistos. Uma pessoa com discite também pode sentir mal estar. Ele também pode perder o apetite, ficar com náuseas e perder peso. A área sobre o disco infectado pode ser dolorosa ao toque.

Pode ocorrer febre, todavia este não é um sintoma obrigatório. Estados de desnutrição causam debilidade imune, de tal sorte que o organismo não tem capacidade de gerar o estado febril. É importante lembrar que todos esses sintomas são inespecíficos e podem ser vistos com muitas outras causas.

Como faço para saber se tenho discite?


Em primeiro lugar, consulte um médico especialista em coluna para uma avaliação. A parte mais importante da sua avaliação será sua história clínica e identificar os fatores de risco para a discite. O seu médico também irá examiná-lo para procurar quaisquer sinais de infecção, bem como testá-lo para qualquer dano nervoso.

Preciso de algum exame de imagem?


Se a evidência começar a apontar para a discite, seu médico pode solicitar algumas imagens. Podem ser feitos raios-X simples e tomografias, mas o melhor exame de imagem para investigar discite é uma ressonância magnética. Fazer uma ressonância magnética com contraste é ainda mais útil. Nem todos podem ter uma ressonância magnética, ou podem usar contraste, e seu médico considerará isso ao decidir qual o tipo de análise que você precisa.

Eu precisaria de algum exame de laboratório?


Você precisa de exames laboratoriais, se acaso desconfia-se de discite. Lembre-se de que a discite é rara, e a avaliação do seu médico pode ser suficiente para dizer que você não a possui e não precisará mais nenhum exame. Se for necessário, o seu médico pode solicitar exames de sangue para investigar infecção e inflamação.

Pode-se até investigar tuberculose ou HIV posto que essa infecção ocorre em estados de baixa imunidade. A biópsia do disco geralmente é o padrão-ouro na elaboração do diagnóstico.

Como é confirmada a discite?


Embora a discite seja uma infecção, o sangue pode ou não mostrar qualquer sinal de infecção. Se todas as provas, apontam para discite, então, como afirmado acima, você pode precisar de uma biópsia. Uma biópsia é feita para tirar uma pequena amostra do disco. Nesta amostra se realiza a cultura das bactérias, com a finalidade de identificar a presença e o tipo de bactérias presentes.

Se as bactérias são encontradas, se faz o antibiograma, a fim de testar quais antibióticos são os mais indicados. A menos que seja absolutamente necessário, os antibióticos não devem ser administrados até que o teste seja concluído e um antibiótico adequado seja identificado.

Como é realizada uma biópsia?


Uma biópsia para discite geralmente é feita com uma agulha. A agulha é oca para permitir a remoção de uma pequena amostra do disco. A agulha pode ser inserida guiada por tomografia computadorizada ou fluoroscopia.

Algum outro exame é necessário?


Discite é uma infecção e a identificação da fonte de infecção é importante. Se não for identificada nenhuma razão óbvia para a infecção, seu médico pode recomendar um teste chamado ecocardiograma para verificar se não há sinais de endocardite bacteriana em seu coração.

Qual tipo de tratamento a discite demanda?


Antibióticos são necessários, posto que se trata geralmente de uma infecção bacteriana. Os antibióticos podem ter que ser administrados por via endovenosa por até 3 meses.

Discite é geralmente bastante dolorosa, portanto o controle da dor também é um componente crítico no tratamento de discite. Este é um processo complexo que exige discussões detalhadas com o médico assistente em relação a várias opções.

Eu precisaria de cirurgia?


A cirurgia geralmente não é necessária para tratar a discite. Só é necessário se o tratamento antibiótico não funcionar. Ocasionalmente, a discite pode afetar o alinhamento da coluna vertebral. Neste caso, a cirurgia pode ser indicada para corrigir o desalinhamento. Se houver comprometimento nervoso e sintomas irradiados às extremidades pode ser necessária a descompressão. Além disso, na presença de material de síntese, este pode necessitar ser removido até que a discite seja esclarecida.

Terapia manual e quiropraxia

Manipulacao

Osteopatas, quiropráticos, fisioterapeutas e massoterapeutas passaram por um treinamento especializado para desenvolver um conjunto de habilidades e técnicas manuais para avaliar e tratar pacientes com distúrbios da coluna.

Com efeito, esses profissionais utilizam a força dirigida de suas mãos e corpos para transmitir forças sobre os tecidos moles, elementos ósseos e articulações dos pacientes. Isso não só alivia a tensão nos tecidos como também é um meio de impactar favoravelmente o sistema musculoesquelético. Só para exemplificar, podem-se aplicar técnicas de mobilização, manipulação, palpação e tração.

Essas técnicas podem envolver uma variedade de posições, esforços passivos ou assistenciais, além de forças intencionais. A determinação dessas técnicas se dá conforme o estágio de cicatrização tecidual, restrição de movimento associada e respostas biomecânicas e vasculares apresentadas.

Normalmente equipamentos não são necessários, apesar do posicionamento ideal e da estabilização para obter alavancagem. Esta é verdadeiramente uma abordagem manual.

Resultados: Evidências científicas*


Uma revisão sistemática1 de 46 estudos constatou que 33-60% dos pacientes que receberam tratamento de manipulação da coluna relataram efeitos adversos de curto prazo, como aumento da dor, irradiação da dor, dores de cabeça, vertigem e até perda de consciência. Por outro lado, reconheceu que complicações sérias ocorrem, embora tenha sido incapaz de estimar com segurança sua incidência.

Sob o mesmo ponto de vista, outra revisão sistemática2 abordou principalmente a manipulação e massagem terapêutica para lombalgia e cervicalgia. Como conclusão, ambas são eficazes em algumas circunstâncias, mas certamente não de maneira significativa. Além disso, geralmente não são superioress a outras terapias. Por exemplo, os autores escrevem que a manipulação é eficaz, mas “similar em efeito a outras terapias eficazes comumente usadas, como cuidados habituais, exercícios físicos ou reeducação (back school)”.

 

  1. Gouveia LO, Castanho P, Ferreira JJ. Safety of chiropractic interventions: a systematic reviewSpine 34(11) E405-13. 2009.
  2. Bronfort G, Haas M, Evans R, Leininger B, Triano J. Effectiveness of manual therapies: the UK evidence report. Chiropr Osteopat. 2010; 18: 3.

*    Conteúdo autoral Dr Jonas Lenzi

NASS 150

Hidroterapia

A definição técnica de hidroterapia é: aplicação de água para o tratamento de disfunções físicas ou psicológicas. O uso de água e a execução de terapias em ambiente aquático ajudam no avanço de um programa de reabilitação. A hidroterapia iniciou na Grécia antiga com o uso de spas de água quente e programas de exercícios. Atualmente existem milhares de fisioterapeutas que usam água para várias aplicações terapêuticas.

Hidroterapia

Indicações para o uso de hidroterapia

Os que mais se beneficiam da hidroterapia incluem pessoas com distúrbios neuromusculares, musculoesqueléticos, cardiovasculares e pulmonares. Além disso, diagnósticos específicos que demonstraram benefício do grupo incluem problemas ortopédicos que exigem diminuição do suporte de peso para realizar os exercícios específicos, distúrbios neurológicos que necessitam de maior equilíbrio e estímulo proprioceptivo, diminuição da função cardiovascular, asma induzida por exercício, gravidez e qualquer condição que seja intolerante para exercícios com pesos. Inegavelmente, pessoas com dor nas costas também experimentarão os benefícios da hidroterapia.

 

Justificativa para Uso de Hidroterapia

A hidroterapia funciona com o intuito de usar as propriedades específicas da água para ajudar na reabilitação. As propriedades específicas da água utilizada incluem maior flutuabilidade, maior resistência e maior pressão hidrostática. Consequentemente, estas propriedades permitirão diminuir a carga nas articulações, aumentar a atividade muscular, aumentar o fluxo sanguíneo e diminuir o edema. Logo, uma pessoa terá uma diminuição no tempo de recuperação e um aumento na taxa de cicatrização.

 

Como a hidroterapia é usada?

Um fisioterapeuta irá realizar o tratamento com um paciente na profundidade desejada de água. A profundidade dependerá da atividade que o paciente realizará, da tolerância do paciente à água e da quantidade de peso a ser descarregado. Provavelmente, todo o tratamento será realizado com o paciente na água. A terapia incluirá movimentos direcionados pelo terapeuta e pelo paciente. Alguns dos movimentos serão ativos com o paciente realizando toda a atividade. Em algum momento eles serão passivos, com o terapeuta realizando a atividade. Sumariamente, o tratamento incluirá atividades que descarregam a coluna, fortalecem os músculos e aumentam a amplitude de movimento das articulações. Todas as atividades realizadas serão baseadas na tolerância e capacidade do paciente em realizar a atividade.

 Benefícios da hidroterapia

Ao usar a hidroterapia, uma pessoa pode esperar ter diminuição da carga nas articulações com maior resistência, bem como aumento do movimento. Como resultado, uma pessoa será capaz de mover-se mais facilmente, melhorar sua resistência e sentir menos sintomas.

Enquanto estiver na água, o corpo da pessoa terá maior circulação devido ao aumento do débito cardíaco, o que levará a uma redução geral da frequência cardíaca, diminuição da pressão arterial e aumento da eficiência cardíaca. Adicionalmente, haverá também um aumento na capacidade pulmonar com menos asma induzida por exercício. A função renal também melhora por conta do aumento da pressão e do fluxo sanguíneo. Como resultado, diminui-se o edema e reduz-se a pressão arterial.

Finalmente, a hidroterapia tem um efeito psicológico de fazer com que uma pessoa sinta-se relaxada com água morna ou sinta-se revigorada e energizada com água fria. A água quente proporciona um ambiente calmo, enquanto a água fria ajuda a facilitar o exercício mais ativo.

Resultados esperados com a hidroterapia

Em síntese, podemos esperar um aumento na amplitude de movimento articular e força muscular. Há aumento da capacidade funcional, ao passo que diminuição da percepção dolorosa. Possivelmente uma pessoa notará melhorias em todas as áreas de reabilitação e atividade funcional.

Espera-se que uma pessoa tenha algum desconforto durante ou após uma sessão de hidroterapia. Esse desconforto deve ser o mesmo que qualquer pessoa experimentaria ao iniciar um novo programa de exercícios. Uma vez que esta dor inicial diminua, a pessoa continuará a ver progresso.

NASS 150