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Roda de conversa MFC

Encontro Virtual

Reflexões sobre o sofrimento humano em tempos de Pandemia

Promovido aos alunos do Internato de Medicina de Família e Comunidade da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná, pela Profa. Rossana Andressa Mazzaro de Figueirêdo. O encontro é introduzido com a contextualização da importância do tema na educação médica.

O Psiquiatra Franco R. Mazzaro aborda os sentimentos humanos com ênfase nos que têm gerado maior impacto a saúde mental em tempos de distanciamento e isolamento social: tristeza e medo. (início – infelizmente perdemos os primeiros minutos)

A Psicóloga Clarice Moro explica sobre o trabalho realizado via telefone de Acolhimento Emocional – Telepaz (parceria da Secretaria Municipal de Administração e de Gestão de Pessoal e Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba). Ela compartilha os principais sofrimentos que os pacientes tem apresentado ao longo da trajetória da pandemia. (início aos 26m07s)

O Dr Jonas Lenzi compartilha sua trajetória que iniciou na ortopedia e que o levou à cirurgia da coluna, intervenção em dor e, atualmente, a estudar neurociência cognitiva, interface cérebro-máquina e robótica. Ponto importante de sua apresentação é nunca ter perdido a pessoa (paciente) como foco central de seus estudos. (início aos 54m31s)

Roda MFC 13.maio.2020

 

Participantes

Profa. Rossana Andressa Mazzaro de Figueirêdo

Médica de Família e Comunidade

Mestre em Educação em Ciências da Saúde (FPP)

Professora do curso de Medicina da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná e Universidade do Contestado – Campus Mafra

Dr Franco Ricieri Mazzaro

Psiquiatra

Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental

Professor do curso de Medicina da Universidade do Contestado – Campus Mafra

Dra Clarice Moro Ricobom

Psicóloga da Rede Municipal de Saúde de Curitiba

Psicanalista

Especialização em Clínica com Crianças e Adolescentes e em Saúde Pública

Dr Jonas Lenzi

Ortopedia – Coluna Vertebral

Intervenção em Dor

Coordenador do Comitê de Neurociência e Tecnologia Aplicadas à Dor

Professor Pós-graduação em Dor Ensino Einstein e Faculdade Inspirar

Lesão em chicote e Dor cervical

Quando alguém sofre um acidente e traumatismo com grande aceleração ou desaceleração, a cabeça pode ser submetida a movimentos bruscos multidirecionais, similares ao que ocorre com a extremidade de um chicote. Como efeito, a cabeça chacoalha livremente a partir desses movimentos que frequentemente apresentam amplitudes de movimentos maiores do que o suportado pela coluna cervical.

Esses movimentos fortes e descoordenados podem desencadear o surgimento de dor na coluna cervical, na cabeça, em ombros ou membros superiores. Frequentemente a dor se manifesta independentemente da ausência de lesões identificáveis aos exames de imagem iniciais.

A condição clínica que cursa com dor na coluna cervical e nas estruturas adjacentes originada a partir desse tipo de trauma foi genericamente chamada de Lesão por Chicote ou Síndrome do Chicote. Essas lesões ocorrem com mais frequência como consequência de colisões automobilísticas, quedas de nível e de esportes de contato.

 

Antes de tudo, entenda sucintamente a anatomia da coluna:

A coluna vertebral é uma longa cadeia de ossos, discos, músculos e ligamentos que se estende desde a base do crânio até a ponta do cóccix. A coluna cervical (região do pescoço) suporta a cabeça, protege os nervos, protege a medula espinhal e permite a movimentação do pescoço. Ela é composta por sete vértebras, enumeradas de cima para baixo: C1, C2, C3, …

Um segmento vertebral é a relação entre duas vértebras separadas por um disco e pelas facetas. As facetas são projetadas com o intuito de permitir suaves movimentos de flexão, extensão, rotação e inclinação do pescoço, mas também limitam o excesso de movimento. Músculos e ligamentos envolvem e sustentam a coluna vertebral. Todas essas estruturas trabalham em conjunto e potencialmente podem causar dor, posto que todas têm suprimento nervoso e podem sofrer lesões.

 

Quais são os sintomas das lesões por chicote?

Dor de cabeça causada por problemas no pescoço é chamada cefaléia cervicogênica. Pode ser causada por lesão de um disco cervical, de uma articulação. Eventualmente a cefaléia também pode piorar uma enxaqueca já existente.

A dor e a sensação de peso no braço podem ser causados ​​pela compressão do nervo por uma hérnia de disco. Comumente, a dor no braço é referida de outras partes do pescoço. Dor referida é a dor que é sentida em um local afastado das áreas lesionadas, apesar da ausência de compressão neural. A dor entre as escápulas é geralmente um tipo de dor referida. Em oposição, a dor aos membros superiores costuma ser irradiada como efeito da compressão de um nervo na coluna. 

A dor lombar é vista ocasionalmente após uma lesão de chicote. Ela pode ser sentida secundariamente a lesões nos discos, nas articulações facetárias da região lombar ou ainda nas articulações sacroilíacas.

Dificuldades com a concentração ou a memória podem fazer parte dos sintomas, todavia elas também poderiam ser atribuídas à própria dor. Outros distúrbios neurológicos e psicológicos também podem se manifestar como resultado da depressão e angústia relacionadas à incerteza do diagnóstico. Distúrbio do sono pode ser resultado da dor ou da depressão secundária. Outros sintomas podem incluir visão embaçada, zumbido nos ouvidos, formigamento no rosto e fadiga.

 

O que causa dor crônica no pescoço?

Geralmente não é possível saber a causa exata da dor no pescoço nos dias ou semanas após um acidente automobilístico. Sabemos que os músculos e ligamentos ficam tensos e provavelmente inflamados. Contudo, eles geralmente cicatrizam dentro de 6 a 10 semanas. A dor que persiste por mais tempo geralmente resulta de problemas mais profundos, como lesões nos discos, facetas articulares ou ambos.

 

Facetas articulares

A dor nas facetas articulares é a causa mais comum de dor cervical crônica após um acidente de carro. Pode ocorrer isoladamente ou associada a dor no disco. A dor facetária é geralmente localizada nas laterais do pescoço. A área pode estar sensível ao toque e a dor na faceta pode ser confundida com dor muscular.

Não podemos afirmar se uma faceta é a causa da dor apenas pela sua aparência em um exame de imagem. Realizar uma infiltração pode ser a melhor maneira de identificar se a articulação é uma fonte de dor. Os bloqueios  anestésicos do ramo medial do gânglio dorsal são indicados com o intuito de testar hipóteses diagnósticas.

 

Discos intervertebrais

A lesão no disco também pode causar dor crônica no pescoço. O disco permite o movimento do pescoço, mas, ao mesmo tempo, evita que o pescoço se mova demais. A parede externa do disco, chamada de ânulo fibroso, pode rasgar por uma lesão em chicote. Isso geralmente cicatriza, embora possa não cicatrizar. , pode ficar mais sensível e doer durante atividades normais. A dor vem das terminações nervosas existentes na periferia do ânulo.

O disco é a principal causa de dor de cervical crônica. Menos frequentemente, um disco pode migrar além de seus limites e comprimir um nervo ou a medula espinhal – hérnia discal. Isso geralmente causa mais dor irradiada ao braço do que dor no pescoço, além de amortecimento e fraqueza.

 

Dor muscular

A tensão muscular do pescoço e da parte superior das costas também pode causar dor aguda. No entanto, não há evidências de que os músculos do pescoço sejam uma causa primária de dor cervical crônica. Eles frequentemente doem concomitantemente com as facetas e/ou discos. Os músculos podem doer se estiverem muito tensos, a fim de proteger os discos ou facetas lesionados, ao proteger os nervos do pescoço. Adicionalmente, a dor pode surgir se houver distúrbio mecânico, como na má postura, uso de equipamentos eletrônicos (celulares, notebooks) e hábitos ruins.

 

Tratamento da Lesão por chicote

Tratamento clínico

O tratamento da lesão por chicote nas primeiras semanas e meses requer reabilitação física. Em primeiro lugar, a reabilitação envolve o treinamento de força e instruções sobre a mecânica corporal. Os pacientes frequentemente melhoram após cerca de 12 semanas de tratamento. Eventualmente alguns pacientes necessitam de tratamento especializado, focado na causa da dor.

O treinamento de força é necessário para desenvolver força muscular suficiente para ser capaz de manter a cabeça e o pescoço em posições de boa postura em repouso e durante as atividades. Fortalecer os músculos também melhorará sua amplitude de movimento.

A mecânica corporal descreve a inter-relação entre a cabeça, pescoço, parte superior do corpo e parte inferior das costas durante o movimento e em repouso. O treinamento na postura adequada diminui o estresse nos músculos, discos e vértebras, dando ao tecido danificado a chance de curar. A má postura e a mecânica corporal desequilibram a coluna e criam um alto estresse no pescoço. Desse modo, a cura pode ser retardada ou impedida.

A terapia de manipulação vertebral geralmente é realizada por quiropratas, osteopatas ou fisioterapeutas especialmente treinados. Ela pode fornecer alívio dos sintomas para muitos pacientes e geralmente é segura. Contudo, deve ser combinada com treinamento de força e educação de mecânica corporal.

Os medicamentos são úteis para o controle de sintomas. Eles nunca resolvem o problema e devem, em princípio, serem usados ​​apenas como parte de um programa global de tratamento. Não há o melhor remédio para dores no pescoço. A escolha da medicação depende não só do tipo, gravidade e duração da dor, assim como da condição clínica do paciente. Os medicamentos mais prescritos para dor aguda no pescoço são anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos simples, opioides e antidepressivos.

 

Tratamento intervencionista

Infiltrações podem ser úteis em pacientes cuidadosamente selecionados. Novamente, as infiltrações não curam o problema e devem ser apenas uma parte de um programa de tratamento mais abrangente. As infiltrações peridurais podem proporcionar alívio em curto prazo em casos de compressão do nervo com dor no braço. Raramente são efetivas para a dor puramente do disco, sem sintomas irradiados.

As infiltrações anestésicas de facetas podem aliviar temporariamente a dor.  Embora o alívio subsequente dure pouco tempo, o bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal de uma faceta guia o planejamento terapêutico. Ao se obter um alívio substancial da dor (maior que 50%) com estes bloqueios, indica-se a rizotomia por radiofrequência. Sem dúvidas, a grande aplicação dos bloqueios anestésicos facetários é para confirmar uma hipótese diagnóstica.

A rizotomia por radiofrequência é um procedimento em que se queimam os nervos de cada faceta, inibindo a condução dos estímulos dolorosos. É, portanto, útil para dor que tem origem nas facetas articulares. O alívio pode durar de 9 a 18 meses. Se acaso a dor retornar, o procedimento poderia ser repetido. Só deve ser considerado em situações crônicas de dor significativa.

Cirurgia para dor cervical crônica dificilmente é necessária para casos puramente secundários a lesão por chicote. No entanto, a cirurgia pode ser útil quando há dor intensa proveniente de um ou mais discos e o paciente está muito limitado, psicologicamente saudável e não melhorou com o cuidado não operatório. A cirurgia é feita mais frequentemente quando há compressão sobre um nervo ou medula espinhal.

 

Como isso é diagnosticado?

Diagnóstico clínico

Seu profissional de saúde irá perguntar-lhe sobre seus sintomas e como ocorreu a lesão. Em seguida, ele realizará o exame físico. Isso permitirá que o profissional defina se você precisa de algum exame imediato. Posteriormente, com base em seu quadro clínico, ele definirá o melhor tratamento.

É possível que alguns pacientes não melhorem após cerca de 12 semanas de tratamento. Uma vez que não houve a resposta esperada, uma avaliação mais detalhada deverá ser realizada. Nem todos os pacientes precisam de todos os exames.

 

Exames diagnósticos

Raios-X é realizado logo após o trauma se o profissional de saúde suspeitar que haja uma fratura ou instabilidade. As imagens de RX também mostram sinais indiretos de degeneração (altura do disco, osteófitos ou “bicos de papagaio”). Na ausência aparente de fraturas, podem ser realizadas imagens dinâmicas, ou seja, com flexão e extensão do pescoço, a fim de investigar potenciais instabilidades​​.

A ressonância magnética 

A tomografia computadorizada

A eletromiografia  

Diagnóstico intervencionista

O bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal é uma infiltração feita para determinar se uma articulação facetária está contribuindo para a dor no pescoço. Logo, trata-se de um método diagnóstico intervencionista para confirmar ou afastar uma hipótese diagnóstica.

A discografia é um teste provocativo onde se injeta solução dentro do disco. Os sintomas que podem surgir durante sua realização são correlacionados com o volume e pressão de infusão. Ao surgir ou se houver simulação dos sintomas usuais do paciente, infere-se que o disco testado potencialmente contribui para a dor. A discografia é usada primordialmente para pacientes com dor severa que não melhoram com tratamento clínico e que a cirurgia é considerada.

 

Se você teve uma lesão por chicote…

  • Um especialista em coluna pode ajudar a aliviar a dor do chicote e recuperar a amplitude de movimento. Siga as instruções do seu profissional de saúde cuidadosamente.

  • Mantenha-se ativo e faça os exercícios que lhe foram ensinados para melhorar sua postura e reduzir a tensão no pescoço.

Lembre-se de que, com os devidos cuidados e paciência, é provável que você se recupere do efeito chicote.

 

Modificacoes de atividades

Modificações de atividades

Modificacoes de atividades

Depois de desenvolver dor nas costas, seja por lesão ou por degeneração, os pacientes podem reduzir a intensidade dos sintomas alterando temporariamente a maneira como realizam as atividades diárias. Inegavelmente as atividades podem ser culpadas pelas crises de dor, ao menos parcialmente. Todavia afastar-se de suas atividades não é a solução. Pelo contrário, manter-se ativo pode ajudar no processo de cura e reduzir a inflamação.

Nos estágios iniciais deve-se trabalhar contornando os sintomas cuidadosamente em vez de trabalhar com eles. Essas alterações geralmente são necessárias apenas por um curto período de tempo. É importante permanecer tão ativo e engajado na vida quanto possível, apesar da presença de sintomas relacionados à coluna. Passividade e proteção demasiadas podem levar a um perda do condicionamento físico desnecessária, padrões adaptativos ruins dos movimentos e, mais preocupante, incapacidade inadequada. Isso significa adaptar-se às condições – resiliência.

resiliencia

Estratégias instrucionais para estabelecer modificações de atividades apropriadas podem necessitar auxílio de um profissional. Fisioterapeutas, fisiatras e terapeutas ocupacionais inegavelmente contribuem com um planejamento mais amplo acerca do tratamento.

Portanto, tratamentos mais eficazes demandam planejamentos mais amplos. Para seu sucesso, não só o engajamento dos profissionais da saúde, bem como dos pacientes de maneira simultânea tornam-se necessários. Em casa e no trabalho, deve-se atentar aos cuidados com a ergonomia.

É extremamente comum os pacientes possuírem crenças errôneas e mitos em relação a repouso e estilo de vida. Logo, identifica-los e corrigi-los indubitavelmente contribui para melhores desfechos. Por sua vez, a inclusão de discussões individuais, folhetos, panfletos, vídeos, treinamento assistido por computador e demonstrações práticas são ferramentas que abordam essa questão.

Artrose

A osteoartrite, também chamada de osteoartrose ou artrose, é a forma mais comum de artrite. É a principal causa de deficiência em adultos mais velhos e, como resultado, pode afetar cerca de 27 milhões de americanos. Existem muitas formas diferentes de artrite. A osteoartrite é um tipo particular, que pode ser pensada como um dano à cartilagem articular e um crescimento excessivo de osso (osteófito/bico de papagaio) quando a articulação tenta se estabilizar. Por isso, a osteoartrite pode afetar quase qualquer articulação no corpo – mais comumente os joelhos, quadris e articulações da coluna vertebral.

Quão comum é a artrose?


Isso pode ser um pouco complicado de responder. Para colocar tudo em perspectiva, a osteoartrite é o motivo mais comum pelo qual os adultos mais velhos têm dificuldade em andar. Devemos lembrar que a osteoartrite pode aparecer em um raio-X antes que uma pessoa apresente sintomas. Por exemplo, uma pessoa faz um raio-X por qualquer motivo e, incidentalmente, pode-se ver algum grau de osteoartrite.

A osteoartrite é mais comum em algumas articulações do corpo, bem como costuma preservar outras. Além disso, sabemos que a osteoartrite torna-se mais comum com a idade. O Framingham Osteoarthritis Study é um grande estudo que descobriu que 19% de adultos com idade igual ou superior a 45 anos tem alterações radiológicas sugestivas de osteoartrite de joelho. O mesmo estudo descobriu que, na mesma faixa etária, a incidência de achados radiológicos e correlacionados com sintomas de osteoartrite é de 7%.

Quais são os riscos para a artrose?


Existem vários fatores de riscos para a osteoartrite. Alguns deles são únicos para uma dada articulação. Um exemplo disto é uma lesão de cartilagem, pois uma articulação lesada é mais propensa a desenvolver osteoartrite no futuro. Alterações morfológicas e particularidades anatômicas também estão relacionados com um maior risco do desenvolvimento de osteoartrite.

Alguns fatores de risco afetam o corpo como um todo. Estes incluem idade mais avançada, gênero feminino, afrodescendente, genética e obesidade. Alguns desses riscos, como idade, gênero, raça e genética, não estão sob nosso controle. Outros, como a obesidade, estão mais dentro do nosso controle. Claro, devemos nos concentrar nos riscos que podemos controlar.

Quando devo suspeitar de artrose?


A forma como a osteoartrite aparece depende de quais partes do corpo ela afeta. De um modo geral, a dor é o sintoma mais comum. Inicialmente, a dor costuma ser pior quando se usa a articulação e ser melhor com o repouso. Com a evolução da osteoartrite, a dor pode tornar-se constante.

A articulação afetada também pode ficar sensível, ou seja, dolorosa ao ser pressionada. A osteoartrite também pode restringir o movimento da articulação. Pode-se ver inchaço articular ocasionado pelo crescimento da superfície articular (osteófito/bico de papagaio) – estes são notáveis ​​nos dedos (figura abaixo). Uma articulação com osteoartrite grave pode ser deformada e não ser capaz de suportar carga.

Artrose mao
Osteoartrite nos dedos. Note o alargamento das articulações, indicativo de degeneração

Tem como prevenir ou reverter a artrose?


É importante lembrar que ainda não temos uma maneira de reverter a osteoartrite já estabelecida. Portanto, evitar que a osteoartrite se desenvolva é mais racional que tentar tratá-la.

Uma das coisas mais importantes para prevenir a osteoartrite é manter um peso saudável. Um estudo importante descobriu que perder cerca de 5 quilos pode reduzir o risco de desenvolver osteoartrite pela metade! É fácil entender o porquê, pois a redução de 500 gramas de peso corporal se traduz em cerca de 2 quilos de alívio de carga no joelho. Manter-se ativo e exercitar-se também tem um efeito benéfico sobre a saúde das articulações.

Como isso é diagnosticado?


Se uma pessoa tiver alguma das queixas acima, normalmente um RX simples da articulação é suficiente para identificar a osteoartrite (figura abaixo). É raro precisar de algo mais avançado, como uma ressonância magnética. Se houver dúvidas quanto ao diagnóstico, pode ser útil aspirar um pouco de fluido da junta e examinar em um microscópio, mas geralmente não é necessário.

Artrose de joelho
RX demonstra osteoartrose de joelho. Há osteófitos principalmente na tíbia

Se eu tiver artrose, ela pode ser tratada?


Sim, há coisas que podem evitar que a dor piore e também manter o funcionamento normal da articulação envolvida. Mesmo que você tenha osteoartrite, nunca é tarde demais para atingir um peso corporal saudável e iniciar um programa de exercícios que seja seguro e agradável para você. Na verdade, o exercício de resistência demonstrou diminuir a dor e melhorar a função da articulação.

Se você tiver alguma dificuldade em decidir o que fazer de exercício, a consulta com um fisioterapeuta pode ser útil. Um fisioterapeuta pode ajuda-lo a projetar um programa de exercícios adaptados à sua condição. Um fisioterapeuta pode até mesmo desenvolver um programa na água, caso o exercício em solo seja muito doloroso.

Medicação pode ajudar a artrose?


A medicação não reverte a osteoartrite, mas certamente pode ajudar com a dor. Os medicamentos prescritos nem sempre são necessários. Em episódios de dor mais intensa, o uso de um medicamento anti-inflamatório pode ser benéfico. Os medicamentos opióides mais potentes geralmente não são recomendados, embora os menos potentes, como tramadol, podem ser indicados. Nem todos os medicamentos são pílulas ou comprimidos. Alguns medicamentos podem ser aplicados diretamente à pele ou administrados através de um emplastro.

Algum suplemento ajuda a artrose?


Glicosamina e condroitina parece diminuir a inflamação na cartilagem articular. Por isso estão entre os suplementos mais vendidos que supostamente ajudam a osteoartrite. Outro suplemento menos conhecido é extrato de soja e abacate não saponificado. O benefício desses suplementos é controverso, logo, é melhor consultar o seu médico sobre a possibilidade de toma-los ou não.

As infiltrações ajudam a artrose?


A infiltração é uma maneira de colocar a medicação diretamente na articulação. Devem ser consideradas se a dor não responder ao tratamento proposto ou se você está esperando a cirurgia. Os medicamentos mais comuns que são injetados são os corticosteróides e ácido hialurônico. Eles podem ser considerados para controlar a dor e facilitar o movimento da articulação por até 3 semanas. Não deve ser repetida com frequência maior do que a cada 3 meses. As injeções de ácido hialurônico também podem ser consideradas, mas é melhor lembrar que várias dessas injeções podem ser necessárias e o efeito pode demorar várias semanas.

Devo usar uma órtese?


O uso de órtese é uma maneira de reduzir a dor e ajudar a estabilidade da articulação. Elas não estão disponíveis para todas as articulações e são mais comumente usadas para o joelho. Podem variar de simples faixas elásticas a aparelhos mais complexos, personalizados. Se você tem osteoartrite no joelho, pode-se considerar uma palmilha para o seu sapato. Estas podem reduzir as forças no joelho. Lembre-se, só são eficazes se você as usar!

Quando devo pensar em cirurgia?


Uma articulação com osteoartrite grave muito dolorosa e que não responde a outros tratamentos pode ser um candidata a cirurgia. Existem procedimentos de substituição articular, a artroplastia. Esses procedimentos não estão disponíveis para todas as articulações, mas podem ser feitas no quadril, joelho, ombro, cotovelo, tornozelo e coluna. As próteses de quadril estão entre as mais bem sucedidas cirurgias de substituição. Estes geralmente são feitos por um cirurgião ortopedista. Para a coluna vertebral, a substituição das articulações facetárias não é uma opção, todavia, existem próteses de disco intervertebral.

No caso de dor na coluna de origem facetária, um tratamento de ablação por radiofrequência (rizotomia, denervação, neurólise ou bloqueio) está disponível. Este é um procedimento ambulatorial, relativamente seguro, feito com agulhas, sem cortes ou pontos. O tratamento destina-se a reduzir a transmissão da dor, desligando algumas das terminações nervosas. Da mesma forma que com qualquer tratamento mais agressivos, você precisa consultar o seu médico para ver se você seria um candidato para a substituição da articulação ou ablação por radiofrequência.

NASS 150

Dor e Alterações Emocionais

Sabe qual a relação entre ansiedade, estresse e dor? A dor nas costas é um dos problemas mais frequentemente observados pelos profissionais de saúde. É provável que poucos especialistas saibam a relação entre alterações emocionais e dor.

De fato, quatro em cada cinco adultos experimentarão um episódio de dor nas costas significativa em algum momento da vida. Felizmente, a maioria dos pacientes com dor nas costas supera com sucesso seu desconforto e retorna às atividades sociais e laborativas normais em 2 a 4 meses, muitas vezes sem qualquer tratamento.

É bastante comum ter reações emocionais à dor nas costas aguda. Essas reações podem incluir medo, ansiedade e preocupação sobre a dor. Para ilustrar, não saber o significado da dor, tempo de duração e o quanto interferirá nas atividades cotidianas aumenta a angústia e tensão. Como resultado, essa tensão extra agravará a dor.

Na verdade, a dor é uma experiência complexa que inclui fatores físicos e psicológicos. De fato, em 1979, a principal organização profissional especializada em dor – a International Association for the Study of Pain (IASP) – introduziu a definição de dor mais amplamente utilizada: “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos reais ou potenciais, ou descrita em termos de tal dano”. O aspecto emocional ou psicológico é parte integrante da experiência geral de dor, e é normal evitar a atividade que causa dor. Mas desempenhar um papel ativo na gestão da dor e participar de atividades guiadas por profissionais da saúde são passos importantes na recuperação.

Relação entre ansiedade, estresse e dor


Todas essas recomendações médicas destinam-se a reduzir ansiedade, as preocupações emocionais e o estresse que a maioria dos pacientes experimenta com a dor. Se você não está satisfeito com o tratamento e as explicações que você recebe, considere obter uma segunda opinião de outro profissional. Ansiedade e estresse podem realmente aumentar sua percepção de dor e reduzir suas habilidades de enfrentamento da dor.

É importante lembrar que há uma relação dinâmica entre seu estado de espírito (por exemplo, nível de estresse) e sua condição física (dor). A dor pode causar estresse, o que causa mais dor, o que causa ainda mais estresse, e assim por diante. Quanto mais crônico este ciclo vicioso se torna, provavelmente mais a sua angústia emocional irá aumentar. Este ciclo pode ser muito difícil de quebrar.

O sofrimento emocional pode levar à perda de sono, incapacidade de trabalhar, irritação e sentimento de desamparo. Você pode se sentir desesperado e tentar aliviar a dor a qualquer custo, incluindo o uso de procedimentos médicos invasivos. Embora abordagens invasivas possam ser benéficas para algumas condições (como uma hérnia de disco), muitas vezes elas podem ser evitadas se o estresse e a dor forem gerenciados desde o princípio.

Ansiedade

Intervenções psicológicas para dor nas costas


Educação e tranquilização pelo seu médico são importantes para prevenir ou aliviar uma grande parcela de estresse e ansiedade. Uma vez que estes sentimentos de ansiedade e estresse ocorrem naturalmente, eles podem encobrir seu julgamento. A princípio, você também precisa ser proativo sobre sua condição e tratamento. Seu objetivo é evitar entrar em um ciclo de dor crônica. A garantia pelo seu médico de que a dor é apenas temporária pode encurtar um longo caminho ao evitar que preocupações desnecessárias sobre os sintomas.

Atualmente, existem várias terapias psicológicas que foram utilizadas com sucesso no manejo da dor e da ansiedade. Estes incluem gerenciamento de estresse, treinamento de relaxamento, biofeedback, hipnose e terapia cognitivo-comportamental (um método para reduzir sentimentos de catastrofização e desamparo). Além disso, existem medicamentos disponíveis para ajudar com distúrbios do sono, ansiedade e depressão. Tais programas abrangentes de manejo da dor, quando integrados com seus cuidados médicos, podem ser bem sucedidos.

O seu médico pode encaminhá-lo para um programa de gestão psicológica se for considerado necessário. A participação em um programa não significa que a dor “é tudo da sua cabeça”. Por outro lado, é para ensinar-lhe métodos para lidar com a dor. Lembre-se, a dor é uma experiência complexa que inclui uma estreita interação de fatores físicos e psicológicos! Mas juntos, você e seu médico podem gerenciar e superar a crise de dor.

Perguntas que você precisa fazer


A fim de minimizar o sofrimento emocional, é importante perguntar ao seu médico sobre sua dor nas costas. Pergunte com o propósito de não deixar o consultório com dúvidas. Dúvidas fomenta ansiedade, o que pode agravar os sintomas. Compreender sua dor ajudará a diminuir sua ansiedade. Tenha em mente que o tempo de reabilitação normal é de 2 a 4 meses. No momento em que sua dor perdura além desse limite, sua condição se tornou crônica. A dor crônica pode estar associada a uma maior dificuldade psicológica.

Durante a fase aguda podem ocorrer sentimentos de desamparo, estresse e mesmo raiva em relação ao seu médico. A fim de ajudar a dissipar esse sofrimento, você precisa ter certeza de que o seu médico presta assistência a todas as suas necessidades importantes. Quer sejam físicas, quer sejam psicológicas.

Você e seu médico devem fazer o seguinte:

1. Você deve expressar suas preocupações sobre seus sintomas de dor. É normal que os pacientes receiem doença ou deficiência grave.

2. Certifique-se de que o seu médico aborda seus medos através de uma avaliação apropriada e, se necessário, exames para descartar condições graves.

3. Certifique-se de que seu profissional de saúde explica completamente o que está sendo buscado ou descartado durante essas avaliações e exames, e certifique-se de obter os resultados nos termos que você entenda.

4. Se o seu médico recomendar ficar ativo, tenha certeza de que ele discute com você como permanecer ativo com segurança.

5. Informe a seu médico e fisioterapeuta todas as dificuldades funcionais que a sua dor está causando (por exemplo, problemas de inclinação, levantamento) e identifique com ele formas de superar essas dificuldades. Além disso, seu provedor de cuidados de saúde deve abordar quaisquer problemas que você tenha ao desempenhar as atividades de trabalho normais.

6. A informação que você receber sobre seu diagnóstico e prognóstico deve ser clara para você. Certifique-se de entender a progressão natural da dor, qual melhoria pode ser esperada e quando é que provavelmente ocorra. Sempre que houver recomendações, assegure-se de anotar para que você possa revisa-las depois de sair do consultório.

O SEMDOR.org é uma ferramenta idealizada para fornecer informações confiáveis, atualizadas e com linguagem acessível a todos os envolvidos no gerenciamento de crises de dor (paciente, familiares, cuidadores e profissionais da saúde).

 

 

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