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Prelúdio da Dor

Recentemente eu tive a oportunidade de ministrar uma palestra no Curso de Neuromodulação Invasiva InDor-DF. Posteriormente, eu pude compartilhar minhas ideias sobre o manejo da dor na PUC-PR. Foi uma das tarefas mais difíceis até o momento, uma vez que a audiência se compunha pelas mentes mais brilhantes sobre o assunto. A principío, deveria me assegurar que o que falaria teria algum valor a esses distintos colegas. Felizmente, atingi esta meta desde o princípio. 

Achei a resposta de antemão: “Assegurar que o que falaria teria algum VALOR”. Na ocasião da palestra, o valor era definido pela audiência, gabaritados profissionais. Porém, em outras ocasiões, quem definiria o valor? 

Em síntese, o que eu poderia levar de valor aos profissionais da saúde é uma visão que tenho trabalhado nos últimos 2 anos. São ideias que tenho sobre a relação médico-paciente, medicina baseada em evidências, o uso de tecnologias, o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado com quem sabe ter excelência em sua atividade, a indústria.

A junção de tópicos tão aparentemente aleatórios deveria ter uma maneira mais eficiente de ser comunicada. Por essa razão, a música se tornou um elemento extra que facilitou a expressão de minhas ideias outrora desconexas. 

Espero que gostem do storytelling dessa grande metáfora, a minha rapsódia pessoal, entitulado PRELÚDIO DA NEUROMODULAÇÃO.

 

 

Vertebroplastia

Geralmente, as fraturas por insuficiência óssea da coluna resultam em um colapso da parte frontal das vértebras, fazendo com que elas se compactem em uma forma de cunha. Como consequência, há o surgimento de dor, perda de altura e aparência curvada da coluna – “corcunda”.

As fraturas por insuficiência caracterizam-se por fraqueza estrutural como consequência da perda da massa óssea. Elas ocorrem principalmente na osteoporose ou na presença de lesões tumorais dentro dos ossos, as quais substituem o tecido ósseo normal. Como há perda da massa óssea, a consolidação no formato anatômico (normal) não ocorre. A consolidação até ocorre, entretanto é precedida por um colapso importante do osso.

OSTEOPOROSE COMPARACAO
Figuras à esquerda ilustram uma vértebra normal. Imagem superior direita ilustra a rarefação óssea devido a osteoporose. Já a imagem inferior direita mostra o formato achatado da vértebra que sofre uma fratura por insuficiência óssea

Vertebroplastia e cifoplastia são técnicas cirúrgicas minimamente invasivas indicadas para tratamento dessas fraturas e lesões vertebrais. São técnicas que aumentam a resistência dos corpos vertebrais por conta da introdução de cimento ósseo. Esse volume introduzido pode apenas preencher uma vértebra com pouca densidade ou realmente aumentar sua altura.

Em suma, essas técnicas são indicadas sobretudo a pacientes com osteoporose ou tumores na coluna. Quando não há indícios de fragilidade óssea, segue-se a rotina convencional de tratamento, por exemplo, coletes ou cirurgias com estabilização por parafusos e hastes.

A grande vantagem desses procedimentos é atingir o melhor controle da dor relacionada às fraturas. Ademais, garante-se aumento da força óssea com o endurecimento do cimento ósseo, o que limita a progressão da fratura. Consequentemente, previnem-se deformidades maiores e otimiza-se a reabilitação.

Vertebroplastia

A vertebroplastia percutânea é um procedimento minimamente invasivo usado para tratar fraturas por fragilidade se acaso o tratamento tradicional falhar. Esta técnica é preferida à cirurgia aberta para pacientes com fragilidade óssea. No entanto, este procedimento não recupera o osso perdido devido à osteoporose, apenas estabiliza a fratura.

O procedimento pode ser feito apenas com anestesia local em pacientes que apresentam um maior risco cirúrgico, todavia é mais confortável ao paciente quando se realiza sob sedação ou anestesia geral. Sob a orientação de fluoroscopia (uma técnica instantânea de imagem similar ao RX), o médico posiciona uma agulha de punção dentro do corpo vertebral através de uma incisão menor que 1 cm. Após conferência do adequado posicionamento, é injetado o cimento ósseo (polimetilmetacrilato) dentro da vértebra.

Todo o processo leva cerca de 30 minutos para cada vértebra. O cimento endurece em alguns minutos. Após um curto período de recuperação, o paciente pode ter alta hospitalar. Os analgésicos são frequentemente administrados ao paciente nos primeiros dias para aliviar a dor.

Embora o prognóstico a longo prazo possa não ser bom para pacientes com tumores da coluna vertebral, a vertebroplastia pode ser usada para estabilizar as fraturas patológicas, aliviar a dor, melhorar a capacidade funcional e melhorar a qualidade de vida.

Vertebroplastia

 

Cifoplastia

A técnica de cifoplastia se faz em duas etapas. Primeiramente, inserem-se balões especiais nas vértebras compactadas para tentar restaurar a altura anterior para uma forma mais normal. Subsequentemente, o cimento ósseo é injetado no espaço criado pelo balão para manter a correção. Ao restaurar as vértebras para um estado mais normal, o alinhamento da coluna pode ser melhorado.

É realizada em uma sala cirúrgica sob anestesia local ou geral, dependendo da gravidade do caso. A cifoplastia é realizada através de uma ou duas pequenas incisões nas costas. Todo o procedimento leva menos de uma hora para cada vértebra e os pacientes podem voltar para casa em menos de 24 horas. O alívio da dor pode ser visto dentro de dois dias da cirurgia.

A cifoplastia é uma nova terapia e os resultados a longo prazo não são conhecidos, nem os efeitos da terapia nas vértebras circundantes. Como com todos os procedimentos médicos, a cifoplastia tem riscos que devem ser discutidos com seu médico antes de considerar o tratamento.

Cifoplastia

 

Vertebroplastia x Cifoplastia

As indicações para ambas técnicas são as mesmas. Tecnicamente, o que as diferencia é o passo adicional de inflar um balão dentro do corpo vertebral para abrir um espaço para a infusão do cimento ósseo.

As vantagens teóricas do uso do balão são a possível correção da cifose (corcunda) e a menor incidência de extravasamento do cimento ósseo. Embora estudos demonstrem uma incidência de extravasamento cinco vezes maior com a vertebroplastia, sua incidência ainda assim é baixa. Isso acontece porque o cimento ósseo é infundido de consistência mais líquida na vertebroplastia (para permitir a difusão do cimento entre as trabéculas ósseas), ao passo que o é infundido mais viscoso na cifoplastia.

Ainda não há consenso sobre as diferenças clínicas. Estudos científicos com metodologias mais apuradas são necessários para comprovar ou descartar essas vantagens teóricas.

Complicações

Os pacientes que têm uma fratura vertebral têm cinco vezes mais chances de sofrer uma nova fratura. Devem ser tomadas medidas para limitar os efeitos da osteoporose e, consequentemente, prevenir novas fraturas. Por isso, o tratamento da fratura deve englobar o tratamento da osteoporose.

Embora as complicações pareçam ser inferiores a 1%, na vertebroplastia percutânea pode ocorrer infecção, sangramento ou embolia. O extravasamento do cimento ósseo além dos limites vertebrais não é raro, contudo costuma ser assintomático. Por favor, discuta com seu médico se a vertebroplastia é uma opção médica apropriada para você.

 

Modificacoes de atividades

Modificações de atividades

Modificacoes de atividades

Depois de desenvolver dor nas costas, seja por lesão ou por degeneração, os pacientes podem reduzir a intensidade dos sintomas alterando temporariamente a maneira como realizam as atividades diárias. Inegavelmente as atividades podem ser culpadas pelas crises de dor, ao menos parcialmente. Todavia afastar-se de suas atividades não é a solução. Pelo contrário, manter-se ativo pode ajudar no processo de cura e reduzir a inflamação.

Nos estágios iniciais deve-se trabalhar contornando os sintomas cuidadosamente em vez de trabalhar com eles. Essas alterações geralmente são necessárias apenas por um curto período de tempo. É importante permanecer tão ativo e engajado na vida quanto possível, apesar da presença de sintomas relacionados à coluna. Passividade e proteção demasiadas podem levar a um perda do condicionamento físico desnecessária, padrões adaptativos ruins dos movimentos e, mais preocupante, incapacidade inadequada. Isso significa adaptar-se às condições – resiliência.

resiliencia

Estratégias instrucionais para estabelecer modificações de atividades apropriadas podem necessitar auxílio de um profissional. Fisioterapeutas, fisiatras e terapeutas ocupacionais inegavelmente contribuem com um planejamento mais amplo acerca do tratamento.

Portanto, tratamentos mais eficazes demandam planejamentos mais amplos. Para seu sucesso, não só o engajamento dos profissionais da saúde, bem como dos pacientes de maneira simultânea tornam-se necessários. Em casa e no trabalho, deve-se atentar aos cuidados com a ergonomia.

É extremamente comum os pacientes possuírem crenças errôneas e mitos em relação a repouso e estilo de vida. Logo, identifica-los e corrigi-los indubitavelmente contribui para melhores desfechos. Por sua vez, a inclusão de discussões individuais, folhetos, panfletos, vídeos, treinamento assistido por computador e demonstrações práticas são ferramentas que abordam essa questão.

Hidroterapia

A definição técnica de hidroterapia é: aplicação de água para o tratamento de disfunções físicas ou psicológicas. O uso de água e a execução de terapias em ambiente aquático ajudam no avanço de um programa de reabilitação. A hidroterapia iniciou na Grécia antiga com o uso de spas de água quente e programas de exercícios. Atualmente existem milhares de fisioterapeutas que usam água para várias aplicações terapêuticas.

Hidroterapia

Indicações para o uso de hidroterapia

Os que mais se beneficiam da hidroterapia incluem pessoas com distúrbios neuromusculares, musculoesqueléticos, cardiovasculares e pulmonares. Além disso, diagnósticos específicos que demonstraram benefício do grupo incluem problemas ortopédicos que exigem diminuição do suporte de peso para realizar os exercícios específicos, distúrbios neurológicos que necessitam de maior equilíbrio e estímulo proprioceptivo, diminuição da função cardiovascular, asma induzida por exercício, gravidez e qualquer condição que seja intolerante para exercícios com pesos. Inegavelmente, pessoas com dor nas costas também experimentarão os benefícios da hidroterapia.

 

Justificativa para Uso de Hidroterapia

A hidroterapia funciona com o intuito de usar as propriedades específicas da água para ajudar na reabilitação. As propriedades específicas da água utilizada incluem maior flutuabilidade, maior resistência e maior pressão hidrostática. Consequentemente, estas propriedades permitirão diminuir a carga nas articulações, aumentar a atividade muscular, aumentar o fluxo sanguíneo e diminuir o edema. Logo, uma pessoa terá uma diminuição no tempo de recuperação e um aumento na taxa de cicatrização.

 

Como a hidroterapia é usada?

Um fisioterapeuta irá realizar o tratamento com um paciente na profundidade desejada de água. A profundidade dependerá da atividade que o paciente realizará, da tolerância do paciente à água e da quantidade de peso a ser descarregado. Provavelmente, todo o tratamento será realizado com o paciente na água. A terapia incluirá movimentos direcionados pelo terapeuta e pelo paciente. Alguns dos movimentos serão ativos com o paciente realizando toda a atividade. Em algum momento eles serão passivos, com o terapeuta realizando a atividade. Sumariamente, o tratamento incluirá atividades que descarregam a coluna, fortalecem os músculos e aumentam a amplitude de movimento das articulações. Todas as atividades realizadas serão baseadas na tolerância e capacidade do paciente em realizar a atividade.

 Benefícios da hidroterapia

Ao usar a hidroterapia, uma pessoa pode esperar ter diminuição da carga nas articulações com maior resistência, bem como aumento do movimento. Como resultado, uma pessoa será capaz de mover-se mais facilmente, melhorar sua resistência e sentir menos sintomas.

Enquanto estiver na água, o corpo da pessoa terá maior circulação devido ao aumento do débito cardíaco, o que levará a uma redução geral da frequência cardíaca, diminuição da pressão arterial e aumento da eficiência cardíaca. Adicionalmente, haverá também um aumento na capacidade pulmonar com menos asma induzida por exercício. A função renal também melhora por conta do aumento da pressão e do fluxo sanguíneo. Como resultado, diminui-se o edema e reduz-se a pressão arterial.

Finalmente, a hidroterapia tem um efeito psicológico de fazer com que uma pessoa sinta-se relaxada com água morna ou sinta-se revigorada e energizada com água fria. A água quente proporciona um ambiente calmo, enquanto a água fria ajuda a facilitar o exercício mais ativo.

Resultados esperados com a hidroterapia

Em síntese, podemos esperar um aumento na amplitude de movimento articular e força muscular. Há aumento da capacidade funcional, ao passo que diminuição da percepção dolorosa. Possivelmente uma pessoa notará melhorias em todas as áreas de reabilitação e atividade funcional.

Espera-se que uma pessoa tenha algum desconforto durante ou após uma sessão de hidroterapia. Esse desconforto deve ser o mesmo que qualquer pessoa experimentaria ao iniciar um novo programa de exercícios. Uma vez que esta dor inicial diminua, a pessoa continuará a ver progresso.

NASS 150

Estenose e Mielopatia Cervical

A princípio, para entender melhor a estenose, radiculopatia e mielopatia cervicais, devemos entender a anatomia. A coluna cervical é a porção da coluna vertebral que está no nível do pescoço, logo abaixo da cabeça. Ela precisa ser flexível o suficiente a fim de permitir a rotação e inclinação da cabeça. Ao mesmo tempo, precisa ser forte o suficiente para proteger a medula espinhal delicada e os nervos espinhais que passam através dela.

Estenose marcha 2

A coluna cervical é constituída por sete vértebras (numeradas de cima para baixo C1 a C7), discos e ligamentos. Um disco fica entre duas vértebras adjacentes, por isso recebe o nome conforme sua posição (ex: C4C5, C5C6). Cada uma dessas sete vértebras tem um canal pelo qual passa a medula espinhal. O processo de envelhecimento normal deixa os discos mais ressecados progressivamente, por isso, eles ficam mais rígidos e diminuem a capacidade de absorver impactos.

Em alguns pacientes, no entanto, o abaulamento do disco e outras alterações degenerativas causam um estreitamento do canal vertebral. Por consequência, é gerada compressão na medula espinhal e em seus ramos, conhecidos como raízes nervosas.

Estenose significa estreitamento. Logo, estenose cervical refere-se ao estreitamento do espaço da medula espinhal e raízes nervosas na coluna cervical.

O que é Radiculopatia?


As raízes do nervo espinhal, após emergirem da medula, passam por orifícios chamados de forames. Logo depois de saírem da coluna, as raízes unem-se nos plexos nervosos e, posteriormente, nos nervos periféricos. Esses nervos controlam os músculos e são responsáveis ​​pela sensibilidade em certas áreas do tronco ou membros.

A radiculopatia cervical refere-se a uma perda de função em uma região específica da extremidade superior. Esse problema ocorre frequentemente em virtude da irritação ou compressão da raiz nervosa na coluna.

Quais os sintomas da Radiculopatia?


A radiculopatia cervical se manifestará como uma dor que se desloca do pescoço para uma região específica do braço, antebraço ou mão. Em muitos casos, isso será acompanhado de dormência ou fraqueza muscular no braço, no antebraço ou na mão.

O que é Mielopatia Cervical?


A medula espinhal é como o cabo principal que traz sinais de internet para a casa. As raízes do nervo espinhal são ramos desse cabo, os quais transportam sinais para cada sala ou quarto dessa casa. A medula espinhal carrega sinais do cérebro para nossos braços, pernas e corpo e, ao mesmo tempo, traz sinais de volta ao cérebro.

A mielopatia cervical refere-se a uma perda de função nas extremidades superior e inferior secundária à compressão da medula espinhal no pescoço.

Quais são os sintomas da Mielopatia?


A mielopatia cervical tende a ter comportamento insidioso na maioria dos casos. Pode resultar em mudanças sutis no funcionamento das mãos. Em outras palavras, os pacientes podem ter dificuldade para executar movimentos finos. Talvez até não consigam abotoar suas camisas tão facilmente quanto eram acostumados, bem como a caligrafia pode piorar. Frequentemente derrubam objetos das mãos.

A marcha pode tornar-se visivelmente bamba. Esse desequilíbrio é decorrente da transmissão dificultada dos sinais pela medula comprimida. Às vezes, os paciente sentem que seu cérebro não sabe exatamente onde suas pernas estão no tempo e no espaço. Paralelamente, também pode haver a percepção de que os membros não obedecem ao cérebro.

Em casos extremos, os pacientes podem desenvolver fraqueza e dormência mais profundas em seus braços e pernas, tal qual ocorre em paralisias. Mais raramente, pode ocorrer perda do controle intestinal ou da bexiga.

Qual é a história natural dessas condições?


O que eu poderia esperar se eu não fizer nada? A história natural da radiculopatia cervical depende, em grande parte, de quanto tempo o paciente apresenta sintomas. Em pacientes que apresentam sintomas muito recentes, o prognóstico geralmente é muito bom. A maioria desses pacientes terá resolução completa de sua dor, dormência e fraqueza ao longo de um período de 6 a 12 semanas.

Em pacientes com sintomas por um período ligeiramente maior, o prognóstico é menos claro. Alguns pacientes terão resolução completa da dor com tratamento limitado, como modificação de atividades, calor, gelo, fisioterapia ou medicamentos. Aproximadamente um terço desses pacientes terá algum grau permanente de sintomas. Uma pequena porcentagem terá sintomas insuportáveis. Tratamentos mais agressivos podem ser necessários nestes pacientes​​.

Como isso é diagnosticado?


Caso você tenha dor persistente, dormência ou fraqueza em um dos braços que não é aliviada após um curto período de observação, você certamente deve ver o seu médico especialista em coluna. Acrescente-se que você deve consultar com um especialista em coluna imediatamente se você notar uma piora da função nos braços ou pernas.

A história de como seus sintomas começaram e como eles progrediram é sugestiva do diagnóstico. Um exame físico é então realizado, dirigido principalmente ao seu pescoço, equilíbrio, marcha e função nervosa em seus braços e pernas.

Em primeiro lugar, podem ser solicitados RX, os quais podem apresentar sinais de degeneração nos espaços discais ou nas articulações facetárias. Radiografias dinâmicas, com inclinação anterior, podem mostrar um pequeno grau de deslizamento entre as vértebras do pescoço.

A ressonância (RNM) permite que seu médico visualize as estruturas que podem estar envolvendo a medula espinhal e as raízes nervosas. Além disso, alguns pacientes podem necessitar a injeção de contraste no saco dural para fazer uma tomografia computadorizada (TC) – mielografia.

O teste eletrofisiológico dos nervos e da medula espinhal é solicitado em alguns pacientes. Os estudos de eletromiografia (EMG) e de condução nervosa ajudam a distinguir a radiculopatia cervical de outros problemas nervosos no braço e no antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Os potenciais evocados sensoriais somáticos (SSEP) são testes elétricos que estudam a condução do sinal através da medula espinhal e podem ser solicitados em alguns pacientes com mielopatia cervical.

Mielopatia cervical 2 planos
Estenose cervical multissegmentar: nível C4C5 tem a maior compressão, com edema medular, sugestivo de mielopatia (figura à esquerda); exemplo do canal vertebral próximo ao normal, onde a medula é envolta por um anel branco que corresponde a líquido que a protege (figura superior à direita); estenose cervical, onde não se visualiza o anel branco circundando a medula (figura inferior à direita)

Quais os tratamentos para Radiculopatia?


A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical será tratada inicialmente com medidas conservadoras. Essas medidas tipicamente incluem modificação de atividades e medicações. A modificação das atividades pode incluir técnicas simples, como mudar a altura do monitor ou a altura da sua cadeira no trabalho. Repouso mais restritivo prolongado pode levar à perda de condicionamento, portanto, não é recomendado. Ademais, pode-se aplicar gelo ou calor na área dolorosa, utilizar medicamentos e visitar um fisioterapeuta.

Quando não se controla a dor, podem ser necessários medicamentos mais fortes, como os opióides. Todavia, essas medicações devem ser usadas por um curto período. Tenha em mente que o uso excessivo de qualquer medicamento pode ser acompanhado de efeitos colaterais indesejados.

A fisioterapia é uma parte importante do processo de reabilitação. Seu fisioterapeuta realizará uma avaliação clínica e, em seguida, lhe instruirá. Embora esse profissional seja fundamental, o resultado dependerá mais de você do que dele. Esmerar-se na realização das atividades e nos cuidados ergonômicos e posturais deve integrar seu cotidiano. São ações que interferem bastante no resultado final.

À medida que a dor diminui, exercícios de fortalecimento e alongamento suaves são acrescidos. Um benefício primário do condicionamento fisioterápico é evitar a rigidez ou inflamação secundária em seu ombro, cotovelo ou em outro lugar no pescoço e extremidades superiores, comumente observados em pacientes com dor e fraqueza.

Em alguns pacientes com radiculopatia cervical, seu médico pode indicar infiltrações. Essas infiltrações não são apenas de caráter terapêutico, como também podem ter caráter diagnóstico ou prognóstico. A indicação diagnóstica desses procedimentos ajuda a elucidar dúvidas sobre qual a real causa da dor, já que nem sempre uma alteração na RNM é relacionada à dor. Quando o objetivo da injeção é terapêutico, seu efeito visa reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao nervo irritado.

Quais os tratamentos para Mielopatia?


Em pacientes com estenose cervical leve e sem mielopatia clínica, cuidados não cirúrgicos é a opção. Isso geralmente começa com uma educação completa em relação à sua condição. Acima de tudo, os pacientes precisam entender que as dimensões estreitas de sua medula espinhal podem predispô-los a mielopatia em algum momento futuro. Por isso, os pacientes devem ser cautelosos para evitar situações ou lesões que possam colocar sua medula espinhal em maior risco.

Um curto período de imobilização com colar cervical e espuma pode ser útil em alguns pacientes. Simultaneamente, o fisioterapeuta pode ajudar com instruções sobre a mecânica adequada da marcha. Em algum momento pode-se indicar muletas ou andadores com a finalidade de evitar quedas. Os terapeutas ocupacionais podem fornecer sugestões para tarefas cotidianas, como banhos, vestimentas, abertura de frascos ou chaves de giro.

Em pacientes com estreitamento cervical e compressão medular secundários a alterações degenerativas, possivelmente a mielopatia pode progredir. Às vezes, uma piora súbita da mielopatia pode acontecer em uma medula espinhal previamente comprimida, em decorrência de uma queda, colisão de veículo automotor, instabilidade vertebral ou uma combinação de todos os previamente citados. Se os sintomas da mielopatia cervical tornarem-se evidentes ou progressivos, certamente você deve ser avaliado por um médico especialista.

Cirurgia


Caso as medidas conservadoras falhem ou na progressão de déficits neurológicos, indica-se cirurgia para descompressão neural. Existem diferentes técnicas, tanto pela frente (via anterior) quanto por trás (via posterior), ou até pela combinação de ambas. Diversos fatores serão considerados na escolha da técnica. Estes incluirão a localização da compressão neural, quantidade de níveis a se descomprimir, alinhamento vertebral e sua condição médica geral.

Quando se realiza por via anterior, faz-se uma pequena incisão na frente do pescoço. Em seguida os tecidos são afastados suavemente para o lado e as vértebras cervicais acessadas facilmente. Por fim, as estruturas que envolvem a raiz nervosa são removidas. Frequentemente, implanta-se um espaçador preenchido por enxerto ósseo no espaço discal. Adicionalmente, pode-se usar uma placa metálica e parafusos ​​para estabilizar as vértebras. Logo depois da cirurgia, pode-se usar um colar cervical por um curto período, dependendo do procedimento cirúrgico.

Já nos procedimentos por via posterior, uma pequena incisão é feita diretamente sobre a área onde o nervo emerge da medula espinhal. Uma broca de alta velocidade pode ser usada para remover o osso que cresceu patologicamente sobre o nervo, causando-lhe compressão. Pequenos fragmentos de disco podem ser removidos através deste orifício. Logo após a cirurgia, pode-se imobilizar com colar cervical temporariamente.

Pode-se realizar uma descompressão mais ampla da medula espinhal por via posterior: laminectomia e laminoplastia. Em ambas, a pressão sobre a medula é aliviada removendo porções da parte traseira da vértebra. Na laminectomia, a parte de trás da vértebra é completamente removida. Por outro lado, na laminoplastia, cria-se uma dobradiça em um dos lados da vértebra. Posteriormente, a lâmina é levantada sobre esta dobradiça para abrir espaço para a medula espinhal. Ocasionalmente, parafusos e hastes metálicas são utilizados nesses procedimentos a fim de estabilizar a coluna cervical.

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Modalidades Eletrotérmicas

TENS
TENS – Estimulação elétrica transcutânea

Quando se fala de fisioterapia, frequentemente vem ao imaginário dos pacientes o “choquinho”, conhecido com TENS. Esta realmente é uma técnica muito utilizada nas sessões de fisioterapia, entretanto, não é a única.

Além da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS ou “choquinho”), existem outras modalidade elétrotérmicas. Ainda podemos citar a stimulação galvânica de alta voltagem, ultrassom, diatermia, calor superficial, crioterapia (gelo) e laser.

Estes métodos de tratamento são usados para alterar a temperatura dos tecidos moles ou para influenciar a atividade celular subcutânea a fim de melhorar a vascularização, a flexibilidade dos tecidos e a nutrição local.

Tipicamente são usados de maneira passiva por um período de 5 a 30 minutos, dependendo da indicação clínica, da intensidade planejada e do estágio de cura.

Em outras palavras, são técnicas disponíveis para melhorar um plano de tratamento multifacetado. Em vez de serem utilizadas de forma independente e exclusiva, são combinadas ou alternadas com outras modalidades. Nesse sentido, todo fisioterapeuta merece um voto de confiança dos pacientes, a combinação terapêutica ideal pode diferir do usual.

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