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Lesão em chicote e Dor cervical

Quando alguém sofre um acidente e traumatismo com grande aceleração ou desaceleração, a cabeça pode ser submetida a movimentos bruscos multidirecionais, similares ao que ocorre com a extremidade de um chicote. Como efeito, a cabeça chacoalha livremente a partir desses movimentos que frequentemente apresentam amplitudes de movimentos maiores do que o suportado pela coluna cervical.

Esses movimentos fortes e descoordenados podem desencadear o surgimento de dor na coluna cervical, na cabeça, em ombros ou membros superiores. Frequentemente a dor se manifesta independentemente da ausência de lesões identificáveis aos exames de imagem iniciais.

A condição clínica que cursa com dor na coluna cervical e nas estruturas adjacentes originada a partir desse tipo de trauma foi genericamente chamada de Lesão por Chicote ou Síndrome do Chicote. Essas lesões ocorrem com mais frequência como consequência de colisões automobilísticas, quedas de nível e de esportes de contato.

 

Antes de tudo, entenda sucintamente a anatomia da coluna:

A coluna vertebral é uma longa cadeia de ossos, discos, músculos e ligamentos que se estende desde a base do crânio até a ponta do cóccix. A coluna cervical (região do pescoço) suporta a cabeça, protege os nervos, protege a medula espinhal e permite a movimentação do pescoço. Ela é composta por sete vértebras, enumeradas de cima para baixo: C1, C2, C3, …

Um segmento vertebral é a relação entre duas vértebras separadas por um disco e pelas facetas. As facetas são projetadas com o intuito de permitir suaves movimentos de flexão, extensão, rotação e inclinação do pescoço, mas também limitam o excesso de movimento. Músculos e ligamentos envolvem e sustentam a coluna vertebral. Todas essas estruturas trabalham em conjunto e potencialmente podem causar dor, posto que todas têm suprimento nervoso e podem sofrer lesões.

 

Quais são os sintomas das lesões por chicote?

Dor de cabeça causada por problemas no pescoço é chamada cefaléia cervicogênica. Pode ser causada por lesão de um disco cervical, de uma articulação. Eventualmente a cefaléia também pode piorar uma enxaqueca já existente.

A dor e a sensação de peso no braço podem ser causados ​​pela compressão do nervo por uma hérnia de disco. Comumente, a dor no braço é referida de outras partes do pescoço. Dor referida é a dor que é sentida em um local afastado das áreas lesionadas, apesar da ausência de compressão neural. A dor entre as escápulas é geralmente um tipo de dor referida. Em oposição, a dor aos membros superiores costuma ser irradiada como efeito da compressão de um nervo na coluna. 

A dor lombar é vista ocasionalmente após uma lesão de chicote. Ela pode ser sentida secundariamente a lesões nos discos, nas articulações facetárias da região lombar ou ainda nas articulações sacroilíacas.

Dificuldades com a concentração ou a memória podem fazer parte dos sintomas, todavia elas também poderiam ser atribuídas à própria dor. Outros distúrbios neurológicos e psicológicos também podem se manifestar como resultado da depressão e angústia relacionadas à incerteza do diagnóstico. Distúrbio do sono pode ser resultado da dor ou da depressão secundária. Outros sintomas podem incluir visão embaçada, zumbido nos ouvidos, formigamento no rosto e fadiga.

 

O que causa dor crônica no pescoço?

Geralmente não é possível saber a causa exata da dor no pescoço nos dias ou semanas após um acidente automobilístico. Sabemos que os músculos e ligamentos ficam tensos e provavelmente inflamados. Contudo, eles geralmente cicatrizam dentro de 6 a 10 semanas. A dor que persiste por mais tempo geralmente resulta de problemas mais profundos, como lesões nos discos, facetas articulares ou ambos.

 

Facetas articulares

A dor nas facetas articulares é a causa mais comum de dor cervical crônica após um acidente de carro. Pode ocorrer isoladamente ou associada a dor no disco. A dor facetária é geralmente localizada nas laterais do pescoço. A área pode estar sensível ao toque e a dor na faceta pode ser confundida com dor muscular.

Não podemos afirmar se uma faceta é a causa da dor apenas pela sua aparência em um exame de imagem. Realizar uma infiltração pode ser a melhor maneira de identificar se a articulação é uma fonte de dor. Os bloqueios  anestésicos do ramo medial do gânglio dorsal são indicados com o intuito de testar hipóteses diagnósticas.

 

Discos intervertebrais

A lesão no disco também pode causar dor crônica no pescoço. O disco permite o movimento do pescoço, mas, ao mesmo tempo, evita que o pescoço se mova demais. A parede externa do disco, chamada de ânulo fibroso, pode rasgar por uma lesão em chicote. Isso geralmente cicatriza, embora possa não cicatrizar. , pode ficar mais sensível e doer durante atividades normais. A dor vem das terminações nervosas existentes na periferia do ânulo.

O disco é a principal causa de dor de cervical crônica. Menos frequentemente, um disco pode migrar além de seus limites e comprimir um nervo ou a medula espinhal – hérnia discal. Isso geralmente causa mais dor irradiada ao braço do que dor no pescoço, além de amortecimento e fraqueza.

 

Dor muscular

A tensão muscular do pescoço e da parte superior das costas também pode causar dor aguda. No entanto, não há evidências de que os músculos do pescoço sejam uma causa primária de dor cervical crônica. Eles frequentemente doem concomitantemente com as facetas e/ou discos. Os músculos podem doer se estiverem muito tensos, a fim de proteger os discos ou facetas lesionados, ao proteger os nervos do pescoço. Adicionalmente, a dor pode surgir se houver distúrbio mecânico, como na má postura, uso de equipamentos eletrônicos (celulares, notebooks) e hábitos ruins.

 

Tratamento da Lesão por chicote

Tratamento clínico

O tratamento da lesão por chicote nas primeiras semanas e meses requer reabilitação física. Em primeiro lugar, a reabilitação envolve o treinamento de força e instruções sobre a mecânica corporal. Os pacientes frequentemente melhoram após cerca de 12 semanas de tratamento. Eventualmente alguns pacientes necessitam de tratamento especializado, focado na causa da dor.

O treinamento de força é necessário para desenvolver força muscular suficiente para ser capaz de manter a cabeça e o pescoço em posições de boa postura em repouso e durante as atividades. Fortalecer os músculos também melhorará sua amplitude de movimento.

A mecânica corporal descreve a inter-relação entre a cabeça, pescoço, parte superior do corpo e parte inferior das costas durante o movimento e em repouso. O treinamento na postura adequada diminui o estresse nos músculos, discos e vértebras, dando ao tecido danificado a chance de curar. A má postura e a mecânica corporal desequilibram a coluna e criam um alto estresse no pescoço. Desse modo, a cura pode ser retardada ou impedida.

A terapia de manipulação vertebral geralmente é realizada por quiropratas, osteopatas ou fisioterapeutas especialmente treinados. Ela pode fornecer alívio dos sintomas para muitos pacientes e geralmente é segura. Contudo, deve ser combinada com treinamento de força e educação de mecânica corporal.

Os medicamentos são úteis para o controle de sintomas. Eles nunca resolvem o problema e devem, em princípio, serem usados ​​apenas como parte de um programa global de tratamento. Não há o melhor remédio para dores no pescoço. A escolha da medicação depende não só do tipo, gravidade e duração da dor, assim como da condição clínica do paciente. Os medicamentos mais prescritos para dor aguda no pescoço são anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos simples, opioides e antidepressivos.

 

Tratamento intervencionista

Infiltrações podem ser úteis em pacientes cuidadosamente selecionados. Novamente, as infiltrações não curam o problema e devem ser apenas uma parte de um programa de tratamento mais abrangente. As infiltrações peridurais podem proporcionar alívio em curto prazo em casos de compressão do nervo com dor no braço. Raramente são efetivas para a dor puramente do disco, sem sintomas irradiados.

As infiltrações anestésicas de facetas podem aliviar temporariamente a dor.  Embora o alívio subsequente dure pouco tempo, o bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal de uma faceta guia o planejamento terapêutico. Ao se obter um alívio substancial da dor (maior que 50%) com estes bloqueios, indica-se a rizotomia por radiofrequência. Sem dúvidas, a grande aplicação dos bloqueios anestésicos facetários é para confirmar uma hipótese diagnóstica.

A rizotomia por radiofrequência é um procedimento em que se queimam os nervos de cada faceta, inibindo a condução dos estímulos dolorosos. É, portanto, útil para dor que tem origem nas facetas articulares. O alívio pode durar de 9 a 18 meses. Se acaso a dor retornar, o procedimento poderia ser repetido. Só deve ser considerado em situações crônicas de dor significativa.

Cirurgia para dor cervical crônica dificilmente é necessária para casos puramente secundários a lesão por chicote. No entanto, a cirurgia pode ser útil quando há dor intensa proveniente de um ou mais discos e o paciente está muito limitado, psicologicamente saudável e não melhorou com o cuidado não operatório. A cirurgia é feita mais frequentemente quando há compressão sobre um nervo ou medula espinhal.

 

Como isso é diagnosticado?

Diagnóstico clínico

Seu profissional de saúde irá perguntar-lhe sobre seus sintomas e como ocorreu a lesão. Em seguida, ele realizará o exame físico. Isso permitirá que o profissional defina se você precisa de algum exame imediato. Posteriormente, com base em seu quadro clínico, ele definirá o melhor tratamento.

É possível que alguns pacientes não melhorem após cerca de 12 semanas de tratamento. Uma vez que não houve a resposta esperada, uma avaliação mais detalhada deverá ser realizada. Nem todos os pacientes precisam de todos os exames.

 

Exames diagnósticos

Raios-X é realizado logo após o trauma se o profissional de saúde suspeitar que haja uma fratura ou instabilidade. As imagens de RX também mostram sinais indiretos de degeneração (altura do disco, osteófitos ou “bicos de papagaio”). Na ausência aparente de fraturas, podem ser realizadas imagens dinâmicas, ou seja, com flexão e extensão do pescoço, a fim de investigar potenciais instabilidades​​.

A ressonância magnética 

A tomografia computadorizada

A eletromiografia  

Diagnóstico intervencionista

O bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal é uma infiltração feita para determinar se uma articulação facetária está contribuindo para a dor no pescoço. Logo, trata-se de um método diagnóstico intervencionista para confirmar ou afastar uma hipótese diagnóstica.

A discografia é um teste provocativo onde se injeta solução dentro do disco. Os sintomas que podem surgir durante sua realização são correlacionados com o volume e pressão de infusão. Ao surgir ou se houver simulação dos sintomas usuais do paciente, infere-se que o disco testado potencialmente contribui para a dor. A discografia é usada primordialmente para pacientes com dor severa que não melhoram com tratamento clínico e que a cirurgia é considerada.

 

Se você teve uma lesão por chicote…

  • Um especialista em coluna pode ajudar a aliviar a dor do chicote e recuperar a amplitude de movimento. Siga as instruções do seu profissional de saúde cuidadosamente.

  • Mantenha-se ativo e faça os exercícios que lhe foram ensinados para melhorar sua postura e reduzir a tensão no pescoço.

Lembre-se de que, com os devidos cuidados e paciência, é provável que você se recupere do efeito chicote.

 

Discite

Como qualquer parte do corpo, a coluna vertebral pode infectar. Embora as infecções da coluna sejam incomuns, quando elas ocorrem, elas podem ser devastadoras. Quando ela ocorre no disco, chama-se discite. Já as infecções vertebrais chamam-se de espondilite, bem como a infecção combinada é chamada de espondilodiscite. O tratamento geralmente requer o envolvimento de um especialista em doenças infecciosas.

Infeccao

O que é Discite?


Como afirmado acima, discite é quando há uma infecção dos discos da coluna vertebral. Ela pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. Algumas partes do corpo, como a boca e os intestinos, têm bactérias nativas, a flora bacteriana normal. No entanto, os discos da coluna vertebral são estéreis e não têm flora bacteriana. O agente bacteriano mais comum que causa discite é o Staphylococcus aureus.

Como acontece a discite?


Discite ocorre com mais frequência quando as bactérias provenientes de outras partes do corpo invadem diretamente os discos. Isso pode ocorrer quando uma pessoa passa por uma cirurgia ou algum tipo de trauma. Discite pode ocorrer em qualquer ponto da coluna, porém é mais comum na coluna baixa.

Outras condições médicas também podem colocar uma pessoa em risco de discite. O sítio de origem mais comum é uma infecção cardíaca bacteriana, chamada endocardite. Os principais fatores, porém não únicos, que aumentam o risco de uma pessoa ter discite incluem o uso de drogas intravenosas, diabetes, idade avançada, desnutrição e outros.

Quando devo suspeitar discite?


Embora a dor lombar seja o sintoma mais comum de discite, a discite é uma causa incomum de dor lombar. A dor costuma começar lentamente e aumentar gradualmente ao longo do tempo. Três ou mais semanas frequentemente se passam antes que alguém com discite seja diagnosticado.

Sintomas neurais como dormência, formigamento e fraqueza também podem ser vistos. Uma pessoa com discite também pode sentir mal estar. Ele também pode perder o apetite, ficar com náuseas e perder peso. A área sobre o disco infectado pode ser dolorosa ao toque.

Pode ocorrer febre, todavia este não é um sintoma obrigatório. Estados de desnutrição causam debilidade imune, de tal sorte que o organismo não tem capacidade de gerar o estado febril. É importante lembrar que todos esses sintomas são inespecíficos e podem ser vistos com muitas outras causas.

Como faço para saber se tenho discite?


Em primeiro lugar, consulte um médico especialista em coluna para uma avaliação. A parte mais importante da sua avaliação será sua história clínica e identificar os fatores de risco para a discite. O seu médico também irá examiná-lo para procurar quaisquer sinais de infecção, bem como testá-lo para qualquer dano nervoso.

Preciso de algum exame de imagem?


Se a evidência começar a apontar para a discite, seu médico pode solicitar algumas imagens. Podem ser feitos raios-X simples e tomografias, mas o melhor exame de imagem para investigar discite é uma ressonância magnética. Fazer uma ressonância magnética com contraste é ainda mais útil. Nem todos podem ter uma ressonância magnética, ou podem usar contraste, e seu médico considerará isso ao decidir qual o tipo de análise que você precisa.

Eu precisaria de algum exame de laboratório?


Você precisa de exames laboratoriais, se acaso desconfia-se de discite. Lembre-se de que a discite é rara, e a avaliação do seu médico pode ser suficiente para dizer que você não a possui e não precisará mais nenhum exame. Se for necessário, o seu médico pode solicitar exames de sangue para investigar infecção e inflamação.

Pode-se até investigar tuberculose ou HIV posto que essa infecção ocorre em estados de baixa imunidade. A biópsia do disco geralmente é o padrão-ouro na elaboração do diagnóstico.

Como é confirmada a discite?


Embora a discite seja uma infecção, o sangue pode ou não mostrar qualquer sinal de infecção. Se todas as provas, apontam para discite, então, como afirmado acima, você pode precisar de uma biópsia. Uma biópsia é feita para tirar uma pequena amostra do disco. Nesta amostra se realiza a cultura das bactérias, com a finalidade de identificar a presença e o tipo de bactérias presentes.

Se as bactérias são encontradas, se faz o antibiograma, a fim de testar quais antibióticos são os mais indicados. A menos que seja absolutamente necessário, os antibióticos não devem ser administrados até que o teste seja concluído e um antibiótico adequado seja identificado.

Como é realizada uma biópsia?


Uma biópsia para discite geralmente é feita com uma agulha. A agulha é oca para permitir a remoção de uma pequena amostra do disco. A agulha pode ser inserida guiada por tomografia computadorizada ou fluoroscopia.

Algum outro exame é necessário?


Discite é uma infecção e a identificação da fonte de infecção é importante. Se não for identificada nenhuma razão óbvia para a infecção, seu médico pode recomendar um teste chamado ecocardiograma para verificar se não há sinais de endocardite bacteriana em seu coração.

Qual tipo de tratamento a discite demanda?


Antibióticos são necessários, posto que se trata geralmente de uma infecção bacteriana. Os antibióticos podem ter que ser administrados por via endovenosa por até 3 meses.

Discite é geralmente bastante dolorosa, portanto o controle da dor também é um componente crítico no tratamento de discite. Este é um processo complexo que exige discussões detalhadas com o médico assistente em relação a várias opções.

Eu precisaria de cirurgia?


A cirurgia geralmente não é necessária para tratar a discite. Só é necessário se o tratamento antibiótico não funcionar. Ocasionalmente, a discite pode afetar o alinhamento da coluna vertebral. Neste caso, a cirurgia pode ser indicada para corrigir o desalinhamento. Se houver comprometimento nervoso e sintomas irradiados às extremidades pode ser necessária a descompressão. Além disso, na presença de material de síntese, este pode necessitar ser removido até que a discite seja esclarecida.

Radiografias para avaliação de dor nas costas

Avaliações radiográficas para dor na coluna envolvem o uso de raio-X (RX) para determinar a causa da dor ou desconforto. Geralmente, os RX são solicitados pelo seu médico nos casos em que ele suspeita de defeitos congênitos, doença degenerativa, trauma, câncer metastático ou deformidade óssea como causa da dor lombar.

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Quando devo obter um RX para dor nas costas?


A maioria dos casos de dor nas costas tende a melhorar sem intervenção médica em seis a oito semanas após o início dos sintomas. Portanto, as radiografias não são recomendadas até que a dor nas costas esteja presente por pelo menos esse tempo. Ou seja, se você tem dor por menos de seis semanas, você provavelmente não precisa um RX. Se acaso seu médico suspeitar de um problema mais sério, o raio-X é uma opção de exame.

Além disso, se você fez um RX de coluna nos últimos dois anos que não mostrou nenhuma causa específica, seu médico não precisa solicitar uma nova radiografia. Por outro lado, na presença de uma nova lesão ou doença, repete-se o raio-X.

No entanto, existem alguns casos que podem exigir a avaliação radiográfica imediatamente, como quando há perda de sensibilidade nas pernas ou nos pés, fraqueza, problemas com a micção ou dor com piora progressiva.

Outras razões para um RX


Outros fatores podem fazer com que seu médico solicite um RX para dor nas costas antes de seis semanas. Eles incluem:

Idade superior a 65 anos ou inferior a 18 anos

Histórico de osteoporose

História de câncer

Dor intensa ao repouso ou se piora à noite

Febre e calafrios

Perda súbita e inexplicável de peso acompanhando sua dor nas costas

Sofreu trauma

Estresse repetido que pode ter causado uma fratura

Cirurgia ou fratura prévias na coluna

Quais tipos de raios-X são usados?


As incidências das radiografias comumente solicitadas são anteroposterior (AP) e lateral. A visão AP é uma imagem da frente para trás quando você está de frente para a máquina de RX. Já as imagens laterais são obtidas enquanto você está de pé de lado em relação ao aparelho. Menos frequentemente, pode-se obter imagens oblíquas, as quais fornecem uma visão de um ângulo inclinado.

Às vezes, podem ser indicadas imagens com suporte de carga. São imagens obtidas enquanto você está de pé, em vez de deitado. Dessa forma, seu médico pode compreender melhor as forças que afetam sua coluna.

Ainda podem ser obtidas imagens associadas a inclinações, com o intuito de avaliar instabilidades ou movimentos anormais entre as vértebras.

Quão eficaz é o raio-X?


O RX pode ser uma ferramenta de triagem útil para avaliar qualquer anormalidade óssea da coluna. Achados importantes na radiografia podem determinar a necessidade de exames adicionais. O RX também pode complementar os achados de outros exames, como a RM e TC.

Como em qualquer procedimento médico, você deve estar totalmente informado sobre as razões da solicitação e os resultados esperados de qualquer exame que seu médico lhe solicitar.

NASS 150

Estenose e Mielopatia Cervical

A princípio, para entender melhor a estenose, radiculopatia e mielopatia cervicais, devemos entender a anatomia. A coluna cervical é a porção da coluna vertebral que está no nível do pescoço, logo abaixo da cabeça. Ela precisa ser flexível o suficiente a fim de permitir a rotação e inclinação da cabeça. Ao mesmo tempo, precisa ser forte o suficiente para proteger a medula espinhal delicada e os nervos espinhais que passam através dela.

Estenose marcha 2

A coluna cervical é constituída por sete vértebras (numeradas de cima para baixo C1 a C7), discos e ligamentos. Um disco fica entre duas vértebras adjacentes, por isso recebe o nome conforme sua posição (ex: C4C5, C5C6). Cada uma dessas sete vértebras tem um canal pelo qual passa a medula espinhal. O processo de envelhecimento normal deixa os discos mais ressecados progressivamente, por isso, eles ficam mais rígidos e diminuem a capacidade de absorver impactos.

Em alguns pacientes, no entanto, o abaulamento do disco e outras alterações degenerativas causam um estreitamento do canal vertebral. Por consequência, é gerada compressão na medula espinhal e em seus ramos, conhecidos como raízes nervosas.

Estenose significa estreitamento. Logo, estenose cervical refere-se ao estreitamento do espaço da medula espinhal e raízes nervosas na coluna cervical.

O que é Radiculopatia?


As raízes do nervo espinhal, após emergirem da medula, passam por orifícios chamados de forames. Logo depois de saírem da coluna, as raízes unem-se nos plexos nervosos e, posteriormente, nos nervos periféricos. Esses nervos controlam os músculos e são responsáveis ​​pela sensibilidade em certas áreas do tronco ou membros.

A radiculopatia cervical refere-se a uma perda de função em uma região específica da extremidade superior. Esse problema ocorre frequentemente em virtude da irritação ou compressão da raiz nervosa na coluna.

Quais os sintomas da Radiculopatia?


A radiculopatia cervical se manifestará como uma dor que se desloca do pescoço para uma região específica do braço, antebraço ou mão. Em muitos casos, isso será acompanhado de dormência ou fraqueza muscular no braço, no antebraço ou na mão.

O que é Mielopatia Cervical?


A medula espinhal é como o cabo principal que traz sinais de internet para a casa. As raízes do nervo espinhal são ramos desse cabo, os quais transportam sinais para cada sala ou quarto dessa casa. A medula espinhal carrega sinais do cérebro para nossos braços, pernas e corpo e, ao mesmo tempo, traz sinais de volta ao cérebro.

A mielopatia cervical refere-se a uma perda de função nas extremidades superior e inferior secundária à compressão da medula espinhal no pescoço.

Quais são os sintomas da Mielopatia?


A mielopatia cervical tende a ter comportamento insidioso na maioria dos casos. Pode resultar em mudanças sutis no funcionamento das mãos. Em outras palavras, os pacientes podem ter dificuldade para executar movimentos finos. Talvez até não consigam abotoar suas camisas tão facilmente quanto eram acostumados, bem como a caligrafia pode piorar. Frequentemente derrubam objetos das mãos.

A marcha pode tornar-se visivelmente bamba. Esse desequilíbrio é decorrente da transmissão dificultada dos sinais pela medula comprimida. Às vezes, os paciente sentem que seu cérebro não sabe exatamente onde suas pernas estão no tempo e no espaço. Paralelamente, também pode haver a percepção de que os membros não obedecem ao cérebro.

Em casos extremos, os pacientes podem desenvolver fraqueza e dormência mais profundas em seus braços e pernas, tal qual ocorre em paralisias. Mais raramente, pode ocorrer perda do controle intestinal ou da bexiga.

Qual é a história natural dessas condições?


O que eu poderia esperar se eu não fizer nada? A história natural da radiculopatia cervical depende, em grande parte, de quanto tempo o paciente apresenta sintomas. Em pacientes que apresentam sintomas muito recentes, o prognóstico geralmente é muito bom. A maioria desses pacientes terá resolução completa de sua dor, dormência e fraqueza ao longo de um período de 6 a 12 semanas.

Em pacientes com sintomas por um período ligeiramente maior, o prognóstico é menos claro. Alguns pacientes terão resolução completa da dor com tratamento limitado, como modificação de atividades, calor, gelo, fisioterapia ou medicamentos. Aproximadamente um terço desses pacientes terá algum grau permanente de sintomas. Uma pequena porcentagem terá sintomas insuportáveis. Tratamentos mais agressivos podem ser necessários nestes pacientes​​.

Como isso é diagnosticado?


Caso você tenha dor persistente, dormência ou fraqueza em um dos braços que não é aliviada após um curto período de observação, você certamente deve ver o seu médico especialista em coluna. Acrescente-se que você deve consultar com um especialista em coluna imediatamente se você notar uma piora da função nos braços ou pernas.

A história de como seus sintomas começaram e como eles progrediram é sugestiva do diagnóstico. Um exame físico é então realizado, dirigido principalmente ao seu pescoço, equilíbrio, marcha e função nervosa em seus braços e pernas.

Em primeiro lugar, podem ser solicitados RX, os quais podem apresentar sinais de degeneração nos espaços discais ou nas articulações facetárias. Radiografias dinâmicas, com inclinação anterior, podem mostrar um pequeno grau de deslizamento entre as vértebras do pescoço.

A ressonância (RNM) permite que seu médico visualize as estruturas que podem estar envolvendo a medula espinhal e as raízes nervosas. Além disso, alguns pacientes podem necessitar a injeção de contraste no saco dural para fazer uma tomografia computadorizada (TC) – mielografia.

O teste eletrofisiológico dos nervos e da medula espinhal é solicitado em alguns pacientes. Os estudos de eletromiografia (EMG) e de condução nervosa ajudam a distinguir a radiculopatia cervical de outros problemas nervosos no braço e no antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Os potenciais evocados sensoriais somáticos (SSEP) são testes elétricos que estudam a condução do sinal através da medula espinhal e podem ser solicitados em alguns pacientes com mielopatia cervical.

Mielopatia cervical 2 planos
Estenose cervical multissegmentar: nível C4C5 tem a maior compressão, com edema medular, sugestivo de mielopatia (figura à esquerda); exemplo do canal vertebral próximo ao normal, onde a medula é envolta por um anel branco que corresponde a líquido que a protege (figura superior à direita); estenose cervical, onde não se visualiza o anel branco circundando a medula (figura inferior à direita)

Quais os tratamentos para Radiculopatia?


A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical será tratada inicialmente com medidas conservadoras. Essas medidas tipicamente incluem modificação de atividades e medicações. A modificação das atividades pode incluir técnicas simples, como mudar a altura do monitor ou a altura da sua cadeira no trabalho. Repouso mais restritivo prolongado pode levar à perda de condicionamento, portanto, não é recomendado. Ademais, pode-se aplicar gelo ou calor na área dolorosa, utilizar medicamentos e visitar um fisioterapeuta.

Quando não se controla a dor, podem ser necessários medicamentos mais fortes, como os opióides. Todavia, essas medicações devem ser usadas por um curto período. Tenha em mente que o uso excessivo de qualquer medicamento pode ser acompanhado de efeitos colaterais indesejados.

A fisioterapia é uma parte importante do processo de reabilitação. Seu fisioterapeuta realizará uma avaliação clínica e, em seguida, lhe instruirá. Embora esse profissional seja fundamental, o resultado dependerá mais de você do que dele. Esmerar-se na realização das atividades e nos cuidados ergonômicos e posturais deve integrar seu cotidiano. São ações que interferem bastante no resultado final.

À medida que a dor diminui, exercícios de fortalecimento e alongamento suaves são acrescidos. Um benefício primário do condicionamento fisioterápico é evitar a rigidez ou inflamação secundária em seu ombro, cotovelo ou em outro lugar no pescoço e extremidades superiores, comumente observados em pacientes com dor e fraqueza.

Em alguns pacientes com radiculopatia cervical, seu médico pode indicar infiltrações. Essas infiltrações não são apenas de caráter terapêutico, como também podem ter caráter diagnóstico ou prognóstico. A indicação diagnóstica desses procedimentos ajuda a elucidar dúvidas sobre qual a real causa da dor, já que nem sempre uma alteração na RNM é relacionada à dor. Quando o objetivo da injeção é terapêutico, seu efeito visa reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao nervo irritado.

Quais os tratamentos para Mielopatia?


Em pacientes com estenose cervical leve e sem mielopatia clínica, cuidados não cirúrgicos é a opção. Isso geralmente começa com uma educação completa em relação à sua condição. Acima de tudo, os pacientes precisam entender que as dimensões estreitas de sua medula espinhal podem predispô-los a mielopatia em algum momento futuro. Por isso, os pacientes devem ser cautelosos para evitar situações ou lesões que possam colocar sua medula espinhal em maior risco.

Um curto período de imobilização com colar cervical e espuma pode ser útil em alguns pacientes. Simultaneamente, o fisioterapeuta pode ajudar com instruções sobre a mecânica adequada da marcha. Em algum momento pode-se indicar muletas ou andadores com a finalidade de evitar quedas. Os terapeutas ocupacionais podem fornecer sugestões para tarefas cotidianas, como banhos, vestimentas, abertura de frascos ou chaves de giro.

Em pacientes com estreitamento cervical e compressão medular secundários a alterações degenerativas, possivelmente a mielopatia pode progredir. Às vezes, uma piora súbita da mielopatia pode acontecer em uma medula espinhal previamente comprimida, em decorrência de uma queda, colisão de veículo automotor, instabilidade vertebral ou uma combinação de todos os previamente citados. Se os sintomas da mielopatia cervical tornarem-se evidentes ou progressivos, certamente você deve ser avaliado por um médico especialista.

Cirurgia


Caso as medidas conservadoras falhem ou na progressão de déficits neurológicos, indica-se cirurgia para descompressão neural. Existem diferentes técnicas, tanto pela frente (via anterior) quanto por trás (via posterior), ou até pela combinação de ambas. Diversos fatores serão considerados na escolha da técnica. Estes incluirão a localização da compressão neural, quantidade de níveis a se descomprimir, alinhamento vertebral e sua condição médica geral.

Quando se realiza por via anterior, faz-se uma pequena incisão na frente do pescoço. Em seguida os tecidos são afastados suavemente para o lado e as vértebras cervicais acessadas facilmente. Por fim, as estruturas que envolvem a raiz nervosa são removidas. Frequentemente, implanta-se um espaçador preenchido por enxerto ósseo no espaço discal. Adicionalmente, pode-se usar uma placa metálica e parafusos ​​para estabilizar as vértebras. Logo depois da cirurgia, pode-se usar um colar cervical por um curto período, dependendo do procedimento cirúrgico.

Já nos procedimentos por via posterior, uma pequena incisão é feita diretamente sobre a área onde o nervo emerge da medula espinhal. Uma broca de alta velocidade pode ser usada para remover o osso que cresceu patologicamente sobre o nervo, causando-lhe compressão. Pequenos fragmentos de disco podem ser removidos através deste orifício. Logo após a cirurgia, pode-se imobilizar com colar cervical temporariamente.

Pode-se realizar uma descompressão mais ampla da medula espinhal por via posterior: laminectomia e laminoplastia. Em ambas, a pressão sobre a medula é aliviada removendo porções da parte traseira da vértebra. Na laminectomia, a parte de trás da vértebra é completamente removida. Por outro lado, na laminoplastia, cria-se uma dobradiça em um dos lados da vértebra. Posteriormente, a lâmina é levantada sobre esta dobradiça para abrir espaço para a medula espinhal. Ocasionalmente, parafusos e hastes metálicas são utilizados nesses procedimentos a fim de estabilizar a coluna cervical.

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Ressonância Magnética

A ressonância nuclear magnética (RNM) é um valioso exame diagnóstico que tem sido utilizado desde os anos 80. Em virtude de ser um exame não invasivo, não radioativo e indolor, costuma ser bem tolerado. Não apenas por ser de fácil realização, tem grande aplicação para visualizar partes moles. Geralmente é solicitada como parte de uma avaliação médica.

Durante a ressonância magnética, ondas de rádio são emanadas através do corpo. Como resultado, causa movimento ou excitação nos átomos de hidrogênio das células. Quando as ondas de rádio cessam, os átomos de hidrogênio relaxam e liberam energia. Diferentes partes do corpo têm diferentes padrões de reação pelas ondas de rádio. Esses padrões diferentes dos tecidos são exibidos no monitor do computador com diferentes contrastes, de tal forma que podem ser identificadas situações patológicas. O radiologista interpreta essas imagens em diferentes seções e cortes para que determine alterações que podem causar sua dor.

As RNM são facilmente obtidas, livres de risco para a maioria das pessoas e geralmente são realizadas sem preparos especiais. Ocasionalmente, o médico pedirá um exame com a injeção de um contraste para fornece maiores detalhes às imagens.

RNM
Aparelho de ressonância magnética (RNM). À esquerda se nota a mesa deslizante a qual o paciente fica deitado para adentrar ao tubo onde se adquirem as imagens

Preciso de uma ressonância magnética?


As indicações formais para solicitar uma RNM de coluna para investigar dor nas costas são:

⇒  Déficits neurológicos: amortecimento, fraqueza, dificuldade para caminhar

⇒  Presença de fatores de risco para câncer, infecções e fraturas por osteoporose

⇒  Ausência de melhora clínica apesar do tratamento instituído

Quais problemas de coluna podem ser detectados pela ressonância magnética?


A RNM pode fornecer informações sobre a condição das vértebras, do canal medular e dos discos intervertebrais. Em alguns casos, dor no pescoço, dor nas costas ou dor radicular podem indicar uma condição médica séria. Ou seja, é muito importante que a causa seja identificada e tratada com antecedência.

Estudos científicos mostraram que a RNM é uma boa ferramenta para fornecer esse tipo de informação. No entanto, tenha em mente que as anormalidades que aparecem na RNM também podem ser encontradas em pacientes assintomáticos. Portanto, é essencial correlacionar os achados da RNM com uma história clínica e exame físico detalhados.

Degeneração discal e hérnia de disco


A RNM pode determinar as alterações físicas que ocorrem no disco, incluindo uma hérnia ou abaulamento que pode gerar dor axial ou dor radicular, formigamento, dormência e perda de força muscular. As informações da RNM podem determinar a localização e o tipo de lesão para que possa prescrever o tratamento adequado.

A RNM pode revelar alterações em outros sítios da coluna, como a faceta articular e ligamentos. Diferentes fases do processo degenerativo da coluna podem ser avaliados pela RNM.

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Hérnia de disco recorrente


Eventualmente poder se fazer a RNM com contraste endovenoso para determinar a causa da dor nas costas. Por exemplo, é especialmente importante após cirurgias da coluna vertebral. A RNM com gadolínio pode ser muito eficaz para determinar se a dor nas costas após a cirurgia da coluna é o resultado da formação de tecido cicatricial (fibrose) ou de uma nova hérnia do disco.

RNM contrastada é uma tecnologia na qual se injeta gadolínio, um elemento metálico natural que possui propriedades magnéticas especiais. Este procedimento geralmente envolve duas ressonâncias magnéticas. A primeira é realizada antes da injeção de gadolínio. Após a RNM inicial, é injetado o gadolínio e, após 10 minutos, uma segunda RNM é obtida da mesma área. O gadolínio entra no tecido fibrótico mais rapidamente que no material discal ou osso. Esse comportamento é porque o tecido cicatricial frequentemente tem um maior suprimento sanguíneo do que o tecido normal. As propriedades magnéticas especiais do gadolínio facilitam a detecção do tecido cicatricial pelo radiologista. Por consequência, pode-se inferir se é o tecido visualizado é cicatricial ou uma nova hérnia que pode estar causando dor.

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Ressonancia magnética da coluna lombar
Acima estão quatro técnicas diferentes de obtenção das imagens de RNM: imagens em T1 (superior esquerdo), T2 (superior direito), STIR (inferior esquerdo) e T1 com gadolíneo (inferior direito)

Estenose espinhal


O canal medular se estende da base do crânio até o cóccix e fornece passagem à medula espinhal e nervos que vão para os membros. Um estreitamento do canal vertebral é chamado de estenose espinhal. Por comprimir os nervos, pode causar dor na coluna, nas pernas, fraqueza e dormência nos braços ou pernas. A RNM pode ser muito eficaz na visualização do canal vertebral por diferentes ângulos, chamados de planos. A triangulação dos diferentes planos fornece informações anatômicas valiosas para confirmar o diagnóstico, bem como auxiliar no planejamento do tratamento, cirúrgico ou não.

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Fraturas por compressão


As fraturas por compressão são fraturas das vértebras, nas quais a porção anterior é comprimida ou achatada. Em algumas situações, é difícil para o profissional de saúde determinar se uma fratura por compressão das vértebras é nova ou não. Da mesma forma, também é difícil dizer se foi causada por osteoporose, tumor, infecção ou outro motivo. A RNM pode ser útil para determinar a causa dessas fraturas. Uma vez que se tem informações mais precisas, pode-se planejar o tratamento mais adequado à etiologia de cada fratura.

Outros usos


A RNM também é uma ferramenta sensível para a detecção de infecção vertebral. Estudos descobriram que a ressonância magnética é 94% precisa na detecção de osteomielite (infecção dos ossos, incluindo os da coluna vertebral). Os resultados da RNM para a detecção de infecção óssea são semelhantes à cintilografia óssea. O benefício da RNM em relação aos demais exames é que você não precisa passar pela injeção de contrastes isótopos radioativos.

A RNM também pode mostrar evidências de infecção dos discos intervertebrais e outras estruturas de partes moles da coluna vertebral e pode ser usada para detectar tumores.

Como é realizada a ressonância magnética?


Um exame de ressonância magnética geralmente leva de 15 minutos a 1 hora para completar. Requer que o paciente fique o mais imóvel possível durante o exame. Este requisito, no entanto, torna difícil para aqueles com dor severa e aqueles que estão inconscientes ou com problemas mentais.

Os avanços tecnológicos levaram a muitas mudanças no tamanho e na estrutura das máquinas de RNM. As máquinas de RNM mais antigas consistem em um tubo alongado, pelo qual o paciente passa através de uma plataforma deslizante. Nestes aparelhos há limitação para pessoas com mais de 150 kg, crianças ou quem sofre de claustrofobia.

As máquinas “abertas” mais novas têm mais espaço entre os ímãs para permitir que o paciente fique deitado em uma mesa sem passar por um tubo estreito e propiciar ao paciente um ambiente menos fechado. Essas máquinas são mais adequadas para pacientes com até 230 kg, crianças pequenas (especialmente crianças com necessidades especiais) e pessoas com medo de espaços apertados. No entanto, há algum debate sobre a eficácia da RNM aberta. Como esses tipos de máquinas usam um campo magnético de baixa intensidade, as imagens não são tão detalhadas quanto ao tubo tradicional.

Como devo me preparar para a RNM?


Uma das vantagens de uma RNM é que geralmente não é necessária muita preparação antes do exame. A menos que você necessite um exame que exija a injeção de um contraste (como o gadolínio), não precisa se submeter a jejum preparatório. Ideal usar roupas folgadas e confortáveis, ​​que não possuam botões ou zíperes. Você será questionado sobre quaisquer dispositivos que contenham metal em seu corpo, bem como será solicitado a retirar óculos, jóias, moedas do bolso ou roupas que contenham zíperes metálicos antes do procedimento.

Além disso, cartões de crédito, aparelhos auditivos, grampos de cabelo, chaves e outros objetos metálicos não são compatíveis com RNM e não devem estar com você ao entrar na sala de exame.

Quem não deve fazer a RNM?


Como a ressonância é gerada magneticamente, não é indicada na presença de certos implantes médicos. Pessoas com clipes ferromagnéticos para aneurismas cerebrais, marca-passos cardíacos, corpos estranhos de metal em seus olhos e implantes cocleares metálicos não são aconselhados a fazer ressonância magnética. Da mesma forma, mulheres grávidas (especialmente no primeiro trimestre), pessoas com estimuladores medulares ou de nervos e aquelas com claustrofobia grave também são aconselhadas a não realizar a RNM.

Os implantes de titânio são compatíveis com RNM. Pessoas com implantes que não são compostos por titânio devem informar o radiologista ou técnico antes do procedimento. A maioria dos implantes ortopédicos está firmemente presa ao osso e não representa um problema sério.

Apesar de não haver contraindicação formal, a instrumentação metálica na coluna pode distorcer as imagens e, portanto normalmente não é a primeira opção nestes pacientes. Pessoas com fixadores externos ou com fragmentos de projéteis retidos devem consultar um especialista sobre o uso da RNM.

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Herniated lumbar disc

Hérnia de Disco Lombar

Sabe o que é uma hérnia de disco? Em primeiro lugar, precisamos entender o que é o disco intervertebral. O disco é uma combinação de tecidos moles fortes que mantêm vértebras adjacentes conectadas. O disco é feito de uma camada externa resistente chamada anel fibroso (ânulo fibroso) e um centro semelhante a um gel, chamado núcleo pulposo. Por conseguinte, atua como uma almofada que absorve impacto.

À medida que envelhece, o centro do disco pode desidratar, ao passo que o deixa uma almofada menos eficaz em absorver impacto. Como resultado, pode causar um deslocamento do centro do disco (chamado de hérnia de disco) através de uma fenda na camada externa. A maioria das hérnias de disco ocorre nos dois discos inferiores da coluna lombar.

Uma hérnia de disco lombar pode comprimir os nervos que passam pela coluna vertebral. A compressão não apenas pode causar dor, como também dormência, formigamento e fraqueza da perna. Ciática ou ciatalgia são os termos usados para designar esse conjunto de sintomas. Afeta cerca entre 1 e 2% de todas as pessoas, geralmente entre as idades de 30 e 50 anos. Um disco lombar herniado também pode causar dor nas costas, embora a dor nas costas tenha muitas outras causas.

Cerca de 80% dos pacientes com uma hérnia de disco nova ou recente melhorará sem cirurgia. O médico normalmente tentará métodos não cirúrgicos nas primeiras semanas. Se a dor ainda o impedir de voltar ao seu estilo de vida normal após o término do tratamento, seu médico poderá recomendar cirurgia.

Mesmo que a força muscular da perna possa não voltar ao normal com a cirurgia, a descompressão pode impedir que sua perna fique ainda mais fraca. A cirurgia geralmente é recomendada com a finalidade de aliviar dor nas pernas, com mais de 90% de sucesso. A cirurgia é menos eficaz para aliviar a dor puramente nas costas.

Hernia lombar
Hérnias discais L4L5 e L5S1

Tratamento conservador


Tratamento conservador inclui um curto período de repouso, medicações, fisioterapia, exercício físico ou infiltrações.

Questione a duração do repouso, caso este seja indicado. Normalmente, repouso excessivo pode enrijecer articulações e enfraquecer músculos. Logo, tornará mais difícil realizar atividades que ajudam reduzir a dor. Pergunte ao seu médico se deve continuar a trabalhar ou se há restrições durante seu tratamento. Manter a rotina é desejável.

Sob orientação médica, inicie o tratamento. Com ajuda de um fisioterapeuta, comece a educação e treinamento para atividades cotidianas, sem colocar mais estresse na coluna.

Os objetivos do tratamento conservador são reduzir a irritação neural e melhorar condicionamento, a fim de proteger a coluna e otimizar a função. A princípio, pode-se alcança-los através de um programa de cuidados organizados que combina uma série de métodos terapêuticos.

Dentre esses métodos, recomendam-se terapias como ultrassom, TENS, calor, crioterapia e terapia manual para reduzir dor e espasmo muscular. Facilitam a implementação de um programa de exercícios físicos.

Os exercícios podem ser alongamentos suaves ou mudanças posturais para reduzir a dor lombar e irradiada. Assim que diminuir a dor, exercícios mais vigorosos são usados ​​para melhorar flexibilidade, força, resistência e capacidade de retornar a um estilo de vida normal. A instrução de exercícios deve começar imediatamente e ser modificada à medida que a recuperação avançar. Aprender e continuar os exercícios e alongamentos domiciliares são partes importantes do tratamento.

Ocasionalmente, podem indicar um colete lombar no início do tratamento para aliviar a dor, embora não cure a hérnia de disco. No entanto, não deve ser usado por tempo prolongado.

A manipulação articular pode fornecer alívio a curto prazo para dor lombar inespecífica, porém deve ser evitada na maioria dos casos de hérnia de disco. A tração também pode proporcionar alívio limitado da dor para alguns pacientes.

Medicações e Manejo da dor


Os medicamentos utilizados para controlar a dor são chamados analgésicos. A maioria das dores pode ser tratada com medicamentos simples. Se acaso sua dor persista, pode-se prescrever opióides por curto período. Só que você deve tomar apenas a medicação necessária, já que tomar além do necessário não o faz recuperar mais rápido.

Opióides costumam causar efeitos indesejados, mais comumente constipação (intestino preso/ressecado) e sonolência. Seu uso indiscriminado ainda pode resultar em dependência. Informe seu médico sobre qualquer medicamento que esteja tomando, mesmo medicamentos e suplementos sem receita médica. Assim como é importante informar também sobre os efeitos benéficos e adversos das medicações. Dessa forma, pode-se planejar o melhor esquema analgésico para cada paciente.

Anti-inflamatórios (AINE) são também são usados ​​para analgesia e reduzir a inflamação provocada pela hérnia. Se acaso for prescrito AINE, deve-se ficar atento quanto aos efeitos colaterais, como dor de estômago ou sangramento. O uso crônico de anti-inflamatórios pode acarretar insuficiência renal.

Os medicamentos corticosteróides – seja por via oral, seja injetável – eventualmente são prescritos para dor nas costas e pernas mais severas, por conta de seu efeito anti-inflamatório muito poderoso. Os corticosteróides, bem como qualquer medicação, podem ter efeitos colaterais. Riscos e benefícios destas medicações devem ser discutidos com seu médico.

As infiltrações epidurais ou bloqueios podem ser recomendados para dor severa. Corticosteróides são infiltrados diretamente no espaço peridural (a área ao redor dos nervos espinhais) por um médico com treinamento especial nesta técnica. A infiltração inicial pode ser seguida por uma ou duas infiltrações futuras adicionais. Devem compor um programa abrangente de reabilitação e tratamento.

As infiltrações de pontos-gatilho são injeções de anestésicos locais (eventualmente combinados com corticosteróides) diretamente em tecido doloroso ou músculos paravertebrais. Embora ocasionalmente útil para o controle da dor, as injeções dos pontos-gatilho não ajudam a curar um disco lombar herniado.

Cirurgia para hérnia de disco lombar


O objetivo da cirurgia é fazer com que a hérnia de disco pare de pressionar e irritar os nervos, atenuando a dor e fraqueza. O procedimento mais comum é chamado de discectomia ou microdiscectomia, na qual parte da hérnia de disco é removida. Para ver claramente o disco, usualmente remove-se uma pequena porção de osso. A remoção de osso pode ser mínima (hemilaminotomia) ou mais extensa (hemilaminectomia). Alguns cirurgiões usam um endoscópio ou microscópio em alguns casos.

A discectomia pode ser feita sob anestesia local, espinhal ou geral. O paciente fica de bruços na mesa cirúrgica, geralmente em uma posição com flexão de quadris e joelhos. Através de uma pequena incisão na pele, os músculos são desinseridos do osso. Na sequência, abre-se espaço entre as vértebras para conseguir visualizar o nervo comprimido. A hérnia de disco e seus fragmentos são removidos para descomprimir o nervo. Normalmente, há muito pouco sangramento.

Existem técnicas mais modernas de descompressão minimamente invasivas, as quais dispensam desinserção muscular e remoção de osso. Dessa forma, menor lesão tecidual leva a menor incidência de complicações. Além disso, há menor dor pós-operatória e reabilitação mais rápida.

Endoscopia lombar
Discectomia endoscópica L5S1: O planejamento é feito antes da incisão, guiado por radioscopia. Na sequência, uma pequena incisão (cerca de 1 cm) é feita para a passagem da cânula, câmera de vídeo e instrumentais.

O que posso esperar depois da cirurgia?


Se o principal sintoma é a dor nas pernas (em vez de dor lombar), pode-se esperar bons resultados da cirurgia. Antes da cirurgia, seu médico fará um exame e testes para garantir que a hérnia de disco que esteja pressionando o nervo de fato é a causa de sua dor. O exame físico deve demonstrar ciatalgia e, possivelmente, fraqueza muscular, amortecimento ou alterações de reflexos.

Exames complementares podem incluir uma RNM, TC ou mielografia, que mostram claramente a compressão do nervo. Ao confirmar a compressão, a chance de alívio significativo da dor nas pernas após a cirurgia é de aproximadamente 90%. De fato, não deve-se esperar ficar livre da dor indefinidamente. Todavia, você ficará capaz de mante-la sob controle, de tal forma que poderá retomar um estilo de vida muito próximo do normal.

A maioria dos pacientes não terá complicações após a discectomia, mas é possível que você tenha algum sangramento, infecção, lesão no revestimento protetor das raízes do nervo espinhal (dura-máter) ou lesão no nervo. Além disso, é possível que o disco sofra nova herniação e cause sintomas. Isso ocorre em cerca de 5% dos pacientes no primeiro ano.

Pergunte ao seu médico recomendações e restrições pós-cirúrgicas. Idealmente deve-se sair da cama e caminhar precocemente, tão logo se recupere da anestesia ou no dia seguinte. A maioria dos pacientes vai para casa dentro de 24 horas após a cirurgia.

Depois que se obtenha alta, deve-se evitar dirigir, manter-se sentado por período prolongado, levantar peso e flexionar o tronco nas primeiras quatro semanas. Alguns pacientes se beneficiarão de um programa de reabilitação supervisionado após a cirurgia. Você deve perguntar ao seu médico quando você pode usar o exercício para fortalecer suas costas para prevenir a recorrência.

Como sei se preciso de cirurgia de emergência?


Raramente uma hérnia volumosa pode pressionar os nervos que controlam a bexiga e intestino, determinando perda do controle dos esfíncteres. Isso geralmente é acompanhado amortecimento e formigamento na virilha ou área genital. De fato, é uma das poucas indicações de cirurgia imediata para um disco lombar herniado. Ligue para o seu médico ou vá a um pronto atendimento imediatamente se isso acontecer.

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