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Roda de conversa MFC

Encontro Virtual

Reflexões sobre o sofrimento humano em tempos de Pandemia

Promovido aos alunos do Internato de Medicina de Família e Comunidade da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná, pela Profa. Rossana Andressa Mazzaro de Figueirêdo. O encontro é introduzido com a contextualização da importância do tema na educação médica.

O Psiquiatra Franco R. Mazzaro aborda os sentimentos humanos com ênfase nos que têm gerado maior impacto a saúde mental em tempos de distanciamento e isolamento social: tristeza e medo. (início – infelizmente perdemos os primeiros minutos)

A Psicóloga Clarice Moro explica sobre o trabalho realizado via telefone de Acolhimento Emocional – Telepaz (parceria da Secretaria Municipal de Administração e de Gestão de Pessoal e Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba). Ela compartilha os principais sofrimentos que os pacientes tem apresentado ao longo da trajetória da pandemia. (início aos 26m07s)

O Dr Jonas Lenzi compartilha sua trajetória que iniciou na ortopedia e que o levou à cirurgia da coluna, intervenção em dor e, atualmente, a estudar neurociência cognitiva, interface cérebro-máquina e robótica. Ponto importante de sua apresentação é nunca ter perdido a pessoa (paciente) como foco central de seus estudos. (início aos 54m31s)

Roda MFC 13.maio.2020

 

Participantes

Profa. Rossana Andressa Mazzaro de Figueirêdo

Médica de Família e Comunidade

Mestre em Educação em Ciências da Saúde (FPP)

Professora do curso de Medicina da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná e Universidade do Contestado – Campus Mafra

Dr Franco Ricieri Mazzaro

Psiquiatra

Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental

Professor do curso de Medicina da Universidade do Contestado – Campus Mafra

Dra Clarice Moro Ricobom

Psicóloga da Rede Municipal de Saúde de Curitiba

Psicanalista

Especialização em Clínica com Crianças e Adolescentes e em Saúde Pública

Dr Jonas Lenzi

Ortopedia – Coluna Vertebral

Intervenção em Dor

Coordenador do Comitê de Neurociência e Tecnologia Aplicadas à Dor

Professor Pós-graduação em Dor Ensino Einstein e Faculdade Inspirar

Lesão em chicote e Dor cervical

Quando alguém sofre um acidente e traumatismo com grande aceleração ou desaceleração, a cabeça pode ser submetida a movimentos bruscos multidirecionais, similares ao que ocorre com a extremidade de um chicote. Como efeito, a cabeça chacoalha livremente a partir desses movimentos que frequentemente apresentam amplitudes de movimentos maiores do que o suportado pela coluna cervical.

Esses movimentos fortes e descoordenados podem desencadear o surgimento de dor na coluna cervical, na cabeça, em ombros ou membros superiores. Frequentemente a dor se manifesta independentemente da ausência de lesões identificáveis aos exames de imagem iniciais.

A condição clínica que cursa com dor na coluna cervical e nas estruturas adjacentes originada a partir desse tipo de trauma foi genericamente chamada de Lesão por Chicote ou Síndrome do Chicote. Essas lesões ocorrem com mais frequência como consequência de colisões automobilísticas, quedas de nível e de esportes de contato.

 

Antes de tudo, entenda sucintamente a anatomia da coluna:

A coluna vertebral é uma longa cadeia de ossos, discos, músculos e ligamentos que se estende desde a base do crânio até a ponta do cóccix. A coluna cervical (região do pescoço) suporta a cabeça, protege os nervos, protege a medula espinhal e permite a movimentação do pescoço. Ela é composta por sete vértebras, enumeradas de cima para baixo: C1, C2, C3, …

Um segmento vertebral é a relação entre duas vértebras separadas por um disco e pelas facetas. As facetas são projetadas com o intuito de permitir suaves movimentos de flexão, extensão, rotação e inclinação do pescoço, mas também limitam o excesso de movimento. Músculos e ligamentos envolvem e sustentam a coluna vertebral. Todas essas estruturas trabalham em conjunto e potencialmente podem causar dor, posto que todas têm suprimento nervoso e podem sofrer lesões.

 

Quais são os sintomas das lesões por chicote?

Dor de cabeça causada por problemas no pescoço é chamada cefaléia cervicogênica. Pode ser causada por lesão de um disco cervical, de uma articulação. Eventualmente a cefaléia também pode piorar uma enxaqueca já existente.

A dor e a sensação de peso no braço podem ser causados ​​pela compressão do nervo por uma hérnia de disco. Comumente, a dor no braço é referida de outras partes do pescoço. Dor referida é a dor que é sentida em um local afastado das áreas lesionadas, apesar da ausência de compressão neural. A dor entre as escápulas é geralmente um tipo de dor referida. Em oposição, a dor aos membros superiores costuma ser irradiada como efeito da compressão de um nervo na coluna. 

A dor lombar é vista ocasionalmente após uma lesão de chicote. Ela pode ser sentida secundariamente a lesões nos discos, nas articulações facetárias da região lombar ou ainda nas articulações sacroilíacas.

Dificuldades com a concentração ou a memória podem fazer parte dos sintomas, todavia elas também poderiam ser atribuídas à própria dor. Outros distúrbios neurológicos e psicológicos também podem se manifestar como resultado da depressão e angústia relacionadas à incerteza do diagnóstico. Distúrbio do sono pode ser resultado da dor ou da depressão secundária. Outros sintomas podem incluir visão embaçada, zumbido nos ouvidos, formigamento no rosto e fadiga.

 

O que causa dor crônica no pescoço?

Geralmente não é possível saber a causa exata da dor no pescoço nos dias ou semanas após um acidente automobilístico. Sabemos que os músculos e ligamentos ficam tensos e provavelmente inflamados. Contudo, eles geralmente cicatrizam dentro de 6 a 10 semanas. A dor que persiste por mais tempo geralmente resulta de problemas mais profundos, como lesões nos discos, facetas articulares ou ambos.

 

Facetas articulares

A dor nas facetas articulares é a causa mais comum de dor cervical crônica após um acidente de carro. Pode ocorrer isoladamente ou associada a dor no disco. A dor facetária é geralmente localizada nas laterais do pescoço. A área pode estar sensível ao toque e a dor na faceta pode ser confundida com dor muscular.

Não podemos afirmar se uma faceta é a causa da dor apenas pela sua aparência em um exame de imagem. Realizar uma infiltração pode ser a melhor maneira de identificar se a articulação é uma fonte de dor. Os bloqueios  anestésicos do ramo medial do gânglio dorsal são indicados com o intuito de testar hipóteses diagnósticas.

 

Discos intervertebrais

A lesão no disco também pode causar dor crônica no pescoço. O disco permite o movimento do pescoço, mas, ao mesmo tempo, evita que o pescoço se mova demais. A parede externa do disco, chamada de ânulo fibroso, pode rasgar por uma lesão em chicote. Isso geralmente cicatriza, embora possa não cicatrizar. , pode ficar mais sensível e doer durante atividades normais. A dor vem das terminações nervosas existentes na periferia do ânulo.

O disco é a principal causa de dor de cervical crônica. Menos frequentemente, um disco pode migrar além de seus limites e comprimir um nervo ou a medula espinhal – hérnia discal. Isso geralmente causa mais dor irradiada ao braço do que dor no pescoço, além de amortecimento e fraqueza.

 

Dor muscular

A tensão muscular do pescoço e da parte superior das costas também pode causar dor aguda. No entanto, não há evidências de que os músculos do pescoço sejam uma causa primária de dor cervical crônica. Eles frequentemente doem concomitantemente com as facetas e/ou discos. Os músculos podem doer se estiverem muito tensos, a fim de proteger os discos ou facetas lesionados, ao proteger os nervos do pescoço. Adicionalmente, a dor pode surgir se houver distúrbio mecânico, como na má postura, uso de equipamentos eletrônicos (celulares, notebooks) e hábitos ruins.

 

Tratamento da Lesão por chicote

Tratamento clínico

O tratamento da lesão por chicote nas primeiras semanas e meses requer reabilitação física. Em primeiro lugar, a reabilitação envolve o treinamento de força e instruções sobre a mecânica corporal. Os pacientes frequentemente melhoram após cerca de 12 semanas de tratamento. Eventualmente alguns pacientes necessitam de tratamento especializado, focado na causa da dor.

O treinamento de força é necessário para desenvolver força muscular suficiente para ser capaz de manter a cabeça e o pescoço em posições de boa postura em repouso e durante as atividades. Fortalecer os músculos também melhorará sua amplitude de movimento.

A mecânica corporal descreve a inter-relação entre a cabeça, pescoço, parte superior do corpo e parte inferior das costas durante o movimento e em repouso. O treinamento na postura adequada diminui o estresse nos músculos, discos e vértebras, dando ao tecido danificado a chance de curar. A má postura e a mecânica corporal desequilibram a coluna e criam um alto estresse no pescoço. Desse modo, a cura pode ser retardada ou impedida.

A terapia de manipulação vertebral geralmente é realizada por quiropratas, osteopatas ou fisioterapeutas especialmente treinados. Ela pode fornecer alívio dos sintomas para muitos pacientes e geralmente é segura. Contudo, deve ser combinada com treinamento de força e educação de mecânica corporal.

Os medicamentos são úteis para o controle de sintomas. Eles nunca resolvem o problema e devem, em princípio, serem usados ​​apenas como parte de um programa global de tratamento. Não há o melhor remédio para dores no pescoço. A escolha da medicação depende não só do tipo, gravidade e duração da dor, assim como da condição clínica do paciente. Os medicamentos mais prescritos para dor aguda no pescoço são anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos simples, opioides e antidepressivos.

 

Tratamento intervencionista

Infiltrações podem ser úteis em pacientes cuidadosamente selecionados. Novamente, as infiltrações não curam o problema e devem ser apenas uma parte de um programa de tratamento mais abrangente. As infiltrações peridurais podem proporcionar alívio em curto prazo em casos de compressão do nervo com dor no braço. Raramente são efetivas para a dor puramente do disco, sem sintomas irradiados.

As infiltrações anestésicas de facetas podem aliviar temporariamente a dor.  Embora o alívio subsequente dure pouco tempo, o bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal de uma faceta guia o planejamento terapêutico. Ao se obter um alívio substancial da dor (maior que 50%) com estes bloqueios, indica-se a rizotomia por radiofrequência. Sem dúvidas, a grande aplicação dos bloqueios anestésicos facetários é para confirmar uma hipótese diagnóstica.

A rizotomia por radiofrequência é um procedimento em que se queimam os nervos de cada faceta, inibindo a condução dos estímulos dolorosos. É, portanto, útil para dor que tem origem nas facetas articulares. O alívio pode durar de 9 a 18 meses. Se acaso a dor retornar, o procedimento poderia ser repetido. Só deve ser considerado em situações crônicas de dor significativa.

Cirurgia para dor cervical crônica dificilmente é necessária para casos puramente secundários a lesão por chicote. No entanto, a cirurgia pode ser útil quando há dor intensa proveniente de um ou mais discos e o paciente está muito limitado, psicologicamente saudável e não melhorou com o cuidado não operatório. A cirurgia é feita mais frequentemente quando há compressão sobre um nervo ou medula espinhal.

 

Como isso é diagnosticado?

Diagnóstico clínico

Seu profissional de saúde irá perguntar-lhe sobre seus sintomas e como ocorreu a lesão. Em seguida, ele realizará o exame físico. Isso permitirá que o profissional defina se você precisa de algum exame imediato. Posteriormente, com base em seu quadro clínico, ele definirá o melhor tratamento.

É possível que alguns pacientes não melhorem após cerca de 12 semanas de tratamento. Uma vez que não houve a resposta esperada, uma avaliação mais detalhada deverá ser realizada. Nem todos os pacientes precisam de todos os exames.

 

Exames diagnósticos

Raios-X é realizado logo após o trauma se o profissional de saúde suspeitar que haja uma fratura ou instabilidade. As imagens de RX também mostram sinais indiretos de degeneração (altura do disco, osteófitos ou “bicos de papagaio”). Na ausência aparente de fraturas, podem ser realizadas imagens dinâmicas, ou seja, com flexão e extensão do pescoço, a fim de investigar potenciais instabilidades​​.

A ressonância magnética 

A tomografia computadorizada

A eletromiografia  

Diagnóstico intervencionista

O bloqueio do ramo medial do gânglio dorsal é uma infiltração feita para determinar se uma articulação facetária está contribuindo para a dor no pescoço. Logo, trata-se de um método diagnóstico intervencionista para confirmar ou afastar uma hipótese diagnóstica.

A discografia é um teste provocativo onde se injeta solução dentro do disco. Os sintomas que podem surgir durante sua realização são correlacionados com o volume e pressão de infusão. Ao surgir ou se houver simulação dos sintomas usuais do paciente, infere-se que o disco testado potencialmente contribui para a dor. A discografia é usada primordialmente para pacientes com dor severa que não melhoram com tratamento clínico e que a cirurgia é considerada.

 

Se você teve uma lesão por chicote…

  • Um especialista em coluna pode ajudar a aliviar a dor do chicote e recuperar a amplitude de movimento. Siga as instruções do seu profissional de saúde cuidadosamente.

  • Mantenha-se ativo e faça os exercícios que lhe foram ensinados para melhorar sua postura e reduzir a tensão no pescoço.

Lembre-se de que, com os devidos cuidados e paciência, é provável que você se recupere do efeito chicote.

 

Postura

Variadas formas de postura, quer estática, quer dinâmica, exigem diferentes respostas adaptativas do corpo. Ou seja, uma única atividade pode resultar em diversos efeitos mecânicos na nossa coluna. Indiretamente, pode-se assumir que existe o “jeito certo” (fisiológico) e o “jeito errado” (patológico) de executar os afazeres domésticos, laborais e de lazer.

 

 

Só para ilustrar, as imagens acima evidenciam formas opostas de má postura. Não apenas a maneira dinâmica, como ocorre com o excesso de carga e inclinação do tronco (foto à direita), como também as estáticas, como ao deitar ao sofá com notebook no colo (foto à esquerda), são prejudiciais à saúde musculoesquelética. Ambas exigem diferentes respostas adaptativas do corpo.

A cada movimento, múltiplas forças de carga e de tensão atuam na musculatura, nas vértebras e nos discos. A direção dos vetores dessas forças e suas respectivas magnitudes alteram-se à medida que se muda a postura.

Dessa maneira, o posicionamento desequilibrado do tronco e dos membros pode levar a danos nos tecidos. Por consequência, os danos podem dar início a dor e outros sintomas. Não há como controlar a dor se não se controlar o causador de todo o processo. Por mais que se amenize a percepção dolorosa, o mecanismo da lesão se perpetuará.

Como arrumar a postura?


Uma abordagem abrangente para o treinamento postural começa com a educação para garantir a compreensão do paciente sobre o posicionamento ideal do corpo. Inicialmente, foca-se na compreensão da necessidade de correção da postura. Em segundo lugar, espera-se uma conduta mais ativa dos pacientes, através de autodiagnostico e correção voluntária.

Muitos dizem ser muito difícil manter a postura correta, todavia, existem expectativas irreais do que é o correto. Ademais, fraqueza muscular e encurtamento da musculatura antagonista realmente dificultam a manutenção da postura ideal.

Uma vez adquirida a conscientização do que é o ideal pelo paciente, pode-se alcança-la através de vários mecanismos de feedback, incluindo táticas de orientação verbal individual, correção prática, gravação, fotografias, folhetos, panfletos, vídeos e treinamento assistido por computador.

Os hábitos saudáveis aprendidos devem ser mantidos por toda a vida, bem como a prática regular de atividades físicas. Da mesma forma que se adquire um postura correta, pode-se perde-la ao negligencia-la. Portanto, a fim de minimizar as forças atuantes na coluna e, consequentemente, a presença de dor recorrente, o controle postural é fundamental.

 

Espondilólise e Espondilolistese

A espondilólise está presente em cerca de 5% da população adulta. Trata-se de uma fissura em consequência a um estresse repetitivo em ponto específico da vértebra. Geralmente na parte inferior da coluna lombar, sítio de maior concentração de estresse. Por causa das constantes forças que atuam na coluna baixa, esta lesão geralmente não cura como uma fratura comum.

Este defeito anatômico pode permanecer silencioso ou simplesmente causar dor lombar, sem causar mais problemas. Por outro lado, a vértebra com espondilólise pode deslizar sobre a vértebra abaixo dela. Essa instabilidade é conhecida como espondilolistese ístmica.

A presença desta vértebra com falha ou deslizamento por si só geralmente não representa uma condição perigosa no adulto. Portanto, o tratamento é direcionado ao alívio da dor e ao aumento da capacidade funcional do paciente. Embora nenhum dos tratamentos conservadores corrija a falha ou o deslizamento, eles podem fornecer controle duradouro da dor sem exigir um tratamento mais invasivo.

Espondilolistese detalhada

Quais são os sintomas?


A espondilolistese ístmica pode não causar sintomas por muitos anos. Quando sintomática, ela pode causar dor lombar e nádega, rigidez muscular, dormência, formigamento, dor irradiada às pernas, fraqueza na perna e alteração da marcha (mancar). Esses sintomas geralmente são agravados ao ficar tempo prolongado em pé, caminhadas e outras atividades. Pelo contrário, o repouso proporcionará alívio temporário.

Como isso é diagnosticado?


O seu médico começará fazendo um histórico e realizando o exame físico. A espondilólise poderá ser visualizada nos raios-X da coluna. Às vezes é difícil ver a falha óssea ou o deslizamento em uma imagem de raio X, portanto exames complementares podem ser necessários.

A tomografia computadorizada (TC) pode mostrar uma fissura ou defeito no osso mais claramente. A ressonância magnética (RNM) pode ser solicitada para mostrar as partes moles da coluna (incluindo os nervos e os discos entre as vértebras) e sua relação com a vértebra afetada.

A TC detalha melhor os ossos, em contrapartida, a RNM mostra melhor as alterações degenerativas associadas à espondilólise e espondilolistese.

A espondilolistese ístmica pode ser classificada como I, II, III, IV ou V (Figura abaixo), com base no percentual de escorregamento apresentado.

Espondilolise

Quais tratamentos estão disponíveis?


Se o seu médico determinar que uma espondilolistese está causando a sua dor, a princípio ele tentará tratamentos não cirúrgicos. Estes tratamentos podem incluir um curto período de repouso, medicamentos para controlar a dor, órteses para estabilização, fisioterapia e exercícios para melhorar sua força e flexibilidade.

Na prática, essas modalidades são prescritas com o propósito de que você retorne a um estilo de vida mais normal. Se acaso for indicado repouso, questione seu médico sobre o tempo necessário e siga as instruções. A saber, o repouso seria limitado a alguns dias. Ademais, repouso restrito (acamado) geralmente não é necessário. Pergunte ao seu médico se você deve continuar a trabalhar enquanto estiver em tratamento.

Com a ajuda de um fisioterapeuta, deve-se começar a educação e treinamento para realizar atividades da vida diária. Ou seja, tenta-se reequilibrar e estabilizar a coluna para alívio dos sintomas, sem colocar o estresse adicional.

Medicamentos e Manejo da dor

Os medicamentos utilizados para controlar a dor são os analgésicos simples, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos opióides e antidepressivos. A maioria das dores pode ser tratada com medicamentos sem receita médica. Medicamentos mais potentes podem ser prescritos no momento em que não se controla a dor com medicações simples.

Seu médico pode usar apenas um medicamento ou uma combinação deles como parte do seu plano de tratamento. Efeitos aditivos de diferentes classes de medicações são preferíveis, pois costumam ter menor taxa de efeitos adversos.

Em casos de dor grave persistente, que não alivia com o tratamento proposto, seu médico pode prescrever analgésicos opióides por um curto período de tempo. Use apenas o suficiente para o controle da dor. Tomar uma dosagem maior não ajuda a recuperar mais rapidamente.

Existem outros medicamentos disponíveis que também têm um efeito anti-inflamatório. Os medicamentos corticosteróides – quer por via oral ou injetável – às vezes são prescritos para dor nas costas e pernas mais severas devido ao seu efeito anti-inflamatório muito poderoso. Os corticosteróides, bem como qualquer medicamento, podem ter efeitos colaterais. Riscos e benefícios destas medicações devem ser discutidos com seu médico.

Você deve observar os efeitos colaterais, como dor de estômago ou sangramento. O uso crônico de analgésicos ou anti-inflamatórios deve ser monitorado devido ao risco de desenvolvimento de complicações. Os analgésicos opióides tem como efeitos colaterais náusea, constipação, tontura e sonolência. Acima de tudo, seu uso inadvertido pode resultar em dependência. A dependência por analgésicos opióides ocorre com muita frequência.

Certifique-se de informar o seu médico sobre qualquer tipo de medicação que usando – incluindo medicamentos e suplementos sem receita médica – e informe o seu médico se a sua medicação funciona ou não.

Infiltrações

As infiltrações espinhais ou bloqueios podem ser usados ​​para aliviar sintomas de dor. Estas são injeções de corticosteróide no espaço peridural (a área ao redor dos nervos espinhais) ou facetária (articulações entre vértebras) realizadas por um médico com treinamento especial nesta técnica. A infiltração inicial pode ser seguida de uma ou duas infiltrações adicionais, em datas posteriores. Estes procedimentos são mais frequentemente realizados como parte de um programa abrangente de reabilitação e tratamento.

Tratamento não cirúrgico

Ao iniciar um regime de fisioterapia, pode-se prescrever terapias como ultrassom, estimulação elétrica, compressas quentes, compressas frias e terapia manual para reduzir sua dor e espasmos musculares. Em relação aos exercícios, foca-se inicialmente em alongamentos suaves e mudanças de postura para reduzir a dor nas costas ou os sintomas da perna.

Inegavelmente, desenvolver os músculos das costas e abdominais o ajudará a estabilizar sua coluna e sustentar seu corpo. A instrução de exercícios deve começar imediatamente e ser modificada à medida que a recuperação avança. Com o controle mais eficiente da dor, exercícios aeróbicos mais vigorosos combinados com exercícios de fortalecimento e alongamento provavelmente serão indicados ​​para melhorar a flexibilidade, a força, a resistência e a capacidade de retornar a um estilo de vida mais normal.

Um programa abrangente pode exigir três ou mais meses de tratamento supervisionado. Aprender e continuar um programa de exercícios e alongamento também são partes importantes do tratamento, assim como manter um peso corporal razoável.

E se eu precisar de cirurgia?


A cirurgia é reservada para aqueles cuja dor não pode ser aliviada por métodos de tratamento não cirúrgicos. A dor pode ser causada por um nervo comprimido, instabilidade da vértebra ou por desgaste dos discos.

Se um nervo espinhal estiver sendo comprimido pelo escorregamento, a cirurgia pode ser necessária para abrir espaço para ele. Além de aliviar a pressão sobre o nervo, um procedimento de estabilização ou fusão pode ser recomendado. Isso irá impedir qualquer deslizamento adicional da vértebra e também evitará que a pressão do nervo se desenvolva novamente. Ocasionalmente, a falha na vértebra pode ser reparada colocando-se enxerto ósseo no local da fissura.

Uma fusão entre as vértebras pode ser realizada por abordagem anterior ou posterior. Ambos requerem a colocação de enxerto ósseo com ou sem instrumentação (parafusos) entre as vértebras. A escolha da abordagem, anterior ou posterior, é influenciada por muitos fatores técnicos, incluindo necessidade de remoção de fragmentos ósseos, localização destes, variação anatômica e a experiência do seu cirurgião. A taxa de sucesso da cirurgia de fusão para alívio da espondilolistese ístmica é superior a 75%.

Após a cirurgia, você permanecerá no hospital por alguns dias e a maioria dos pacientes poderá retornar ao trabalho dentro de seis meses. Um programa de reabilitação pós-operatória é aconselhável para ajuda-lo a retomar as atividades normais da vida diária.

Discite

Como qualquer parte do corpo, a coluna vertebral pode infectar. Embora as infecções da coluna sejam incomuns, quando elas ocorrem, elas podem ser devastadoras. Quando ela ocorre no disco, chama-se discite. Já as infecções vertebrais chamam-se de espondilite, bem como a infecção combinada é chamada de espondilodiscite. O tratamento geralmente requer o envolvimento de um especialista em doenças infecciosas.

Infeccao

O que é Discite?


Como afirmado acima, discite é quando há uma infecção dos discos da coluna vertebral. Ela pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. Algumas partes do corpo, como a boca e os intestinos, têm bactérias nativas, a flora bacteriana normal. No entanto, os discos da coluna vertebral são estéreis e não têm flora bacteriana. O agente bacteriano mais comum que causa discite é o Staphylococcus aureus.

Como acontece a discite?


Discite ocorre com mais frequência quando as bactérias provenientes de outras partes do corpo invadem diretamente os discos. Isso pode ocorrer quando uma pessoa passa por uma cirurgia ou algum tipo de trauma. Discite pode ocorrer em qualquer ponto da coluna, porém é mais comum na coluna baixa.

Outras condições médicas também podem colocar uma pessoa em risco de discite. O sítio de origem mais comum é uma infecção cardíaca bacteriana, chamada endocardite. Os principais fatores, porém não únicos, que aumentam o risco de uma pessoa ter discite incluem o uso de drogas intravenosas, diabetes, idade avançada, desnutrição e outros.

Quando devo suspeitar discite?


Embora a dor lombar seja o sintoma mais comum de discite, a discite é uma causa incomum de dor lombar. A dor costuma começar lentamente e aumentar gradualmente ao longo do tempo. Três ou mais semanas frequentemente se passam antes que alguém com discite seja diagnosticado.

Sintomas neurais como dormência, formigamento e fraqueza também podem ser vistos. Uma pessoa com discite também pode sentir mal estar. Ele também pode perder o apetite, ficar com náuseas e perder peso. A área sobre o disco infectado pode ser dolorosa ao toque.

Pode ocorrer febre, todavia este não é um sintoma obrigatório. Estados de desnutrição causam debilidade imune, de tal sorte que o organismo não tem capacidade de gerar o estado febril. É importante lembrar que todos esses sintomas são inespecíficos e podem ser vistos com muitas outras causas.

Como faço para saber se tenho discite?


Em primeiro lugar, consulte um médico especialista em coluna para uma avaliação. A parte mais importante da sua avaliação será sua história clínica e identificar os fatores de risco para a discite. O seu médico também irá examiná-lo para procurar quaisquer sinais de infecção, bem como testá-lo para qualquer dano nervoso.

Preciso de algum exame de imagem?


Se a evidência começar a apontar para a discite, seu médico pode solicitar algumas imagens. Podem ser feitos raios-X simples e tomografias, mas o melhor exame de imagem para investigar discite é uma ressonância magnética. Fazer uma ressonância magnética com contraste é ainda mais útil. Nem todos podem ter uma ressonância magnética, ou podem usar contraste, e seu médico considerará isso ao decidir qual o tipo de análise que você precisa.

Eu precisaria de algum exame de laboratório?


Você precisa de exames laboratoriais, se acaso desconfia-se de discite. Lembre-se de que a discite é rara, e a avaliação do seu médico pode ser suficiente para dizer que você não a possui e não precisará mais nenhum exame. Se for necessário, o seu médico pode solicitar exames de sangue para investigar infecção e inflamação.

Pode-se até investigar tuberculose ou HIV posto que essa infecção ocorre em estados de baixa imunidade. A biópsia do disco geralmente é o padrão-ouro na elaboração do diagnóstico.

Como é confirmada a discite?


Embora a discite seja uma infecção, o sangue pode ou não mostrar qualquer sinal de infecção. Se todas as provas, apontam para discite, então, como afirmado acima, você pode precisar de uma biópsia. Uma biópsia é feita para tirar uma pequena amostra do disco. Nesta amostra se realiza a cultura das bactérias, com a finalidade de identificar a presença e o tipo de bactérias presentes.

Se as bactérias são encontradas, se faz o antibiograma, a fim de testar quais antibióticos são os mais indicados. A menos que seja absolutamente necessário, os antibióticos não devem ser administrados até que o teste seja concluído e um antibiótico adequado seja identificado.

Como é realizada uma biópsia?


Uma biópsia para discite geralmente é feita com uma agulha. A agulha é oca para permitir a remoção de uma pequena amostra do disco. A agulha pode ser inserida guiada por tomografia computadorizada ou fluoroscopia.

Algum outro exame é necessário?


Discite é uma infecção e a identificação da fonte de infecção é importante. Se não for identificada nenhuma razão óbvia para a infecção, seu médico pode recomendar um teste chamado ecocardiograma para verificar se não há sinais de endocardite bacteriana em seu coração.

Qual tipo de tratamento a discite demanda?


Antibióticos são necessários, posto que se trata geralmente de uma infecção bacteriana. Os antibióticos podem ter que ser administrados por via endovenosa por até 3 meses.

Discite é geralmente bastante dolorosa, portanto o controle da dor também é um componente crítico no tratamento de discite. Este é um processo complexo que exige discussões detalhadas com o médico assistente em relação a várias opções.

Eu precisaria de cirurgia?


A cirurgia geralmente não é necessária para tratar a discite. Só é necessário se o tratamento antibiótico não funcionar. Ocasionalmente, a discite pode afetar o alinhamento da coluna vertebral. Neste caso, a cirurgia pode ser indicada para corrigir o desalinhamento. Se houver comprometimento nervoso e sintomas irradiados às extremidades pode ser necessária a descompressão. Além disso, na presença de material de síntese, este pode necessitar ser removido até que a discite seja esclarecida.

Estenose e Mielopatia Cervical

A princípio, para entender melhor a estenose, radiculopatia e mielopatia cervicais, devemos entender a anatomia. A coluna cervical é a porção da coluna vertebral que está no nível do pescoço, logo abaixo da cabeça. Ela precisa ser flexível o suficiente a fim de permitir a rotação e inclinação da cabeça. Ao mesmo tempo, precisa ser forte o suficiente para proteger a medula espinhal delicada e os nervos espinhais que passam através dela.

Estenose marcha 2

A coluna cervical é constituída por sete vértebras (numeradas de cima para baixo C1 a C7), discos e ligamentos. Um disco fica entre duas vértebras adjacentes, por isso recebe o nome conforme sua posição (ex: C4C5, C5C6). Cada uma dessas sete vértebras tem um canal pelo qual passa a medula espinhal. O processo de envelhecimento normal deixa os discos mais ressecados progressivamente, por isso, eles ficam mais rígidos e diminuem a capacidade de absorver impactos.

Em alguns pacientes, no entanto, o abaulamento do disco e outras alterações degenerativas causam um estreitamento do canal vertebral. Por consequência, é gerada compressão na medula espinhal e em seus ramos, conhecidos como raízes nervosas.

Estenose significa estreitamento. Logo, estenose cervical refere-se ao estreitamento do espaço da medula espinhal e raízes nervosas na coluna cervical.

O que é Radiculopatia?


As raízes do nervo espinhal, após emergirem da medula, passam por orifícios chamados de forames. Logo depois de saírem da coluna, as raízes unem-se nos plexos nervosos e, posteriormente, nos nervos periféricos. Esses nervos controlam os músculos e são responsáveis ​​pela sensibilidade em certas áreas do tronco ou membros.

A radiculopatia cervical refere-se a uma perda de função em uma região específica da extremidade superior. Esse problema ocorre frequentemente em virtude da irritação ou compressão da raiz nervosa na coluna.

Quais os sintomas da Radiculopatia?


A radiculopatia cervical se manifestará como uma dor que se desloca do pescoço para uma região específica do braço, antebraço ou mão. Em muitos casos, isso será acompanhado de dormência ou fraqueza muscular no braço, no antebraço ou na mão.

O que é Mielopatia Cervical?


A medula espinhal é como o cabo principal que traz sinais de internet para a casa. As raízes do nervo espinhal são ramos desse cabo, os quais transportam sinais para cada sala ou quarto dessa casa. A medula espinhal carrega sinais do cérebro para nossos braços, pernas e corpo e, ao mesmo tempo, traz sinais de volta ao cérebro.

A mielopatia cervical refere-se a uma perda de função nas extremidades superior e inferior secundária à compressão da medula espinhal no pescoço.

Quais são os sintomas da Mielopatia?


A mielopatia cervical tende a ter comportamento insidioso na maioria dos casos. Pode resultar em mudanças sutis no funcionamento das mãos. Em outras palavras, os pacientes podem ter dificuldade para executar movimentos finos. Talvez até não consigam abotoar suas camisas tão facilmente quanto eram acostumados, bem como a caligrafia pode piorar. Frequentemente derrubam objetos das mãos.

A marcha pode tornar-se visivelmente bamba. Esse desequilíbrio é decorrente da transmissão dificultada dos sinais pela medula comprimida. Às vezes, os paciente sentem que seu cérebro não sabe exatamente onde suas pernas estão no tempo e no espaço. Paralelamente, também pode haver a percepção de que os membros não obedecem ao cérebro.

Em casos extremos, os pacientes podem desenvolver fraqueza e dormência mais profundas em seus braços e pernas, tal qual ocorre em paralisias. Mais raramente, pode ocorrer perda do controle intestinal ou da bexiga.

Qual é a história natural dessas condições?


O que eu poderia esperar se eu não fizer nada? A história natural da radiculopatia cervical depende, em grande parte, de quanto tempo o paciente apresenta sintomas. Em pacientes que apresentam sintomas muito recentes, o prognóstico geralmente é muito bom. A maioria desses pacientes terá resolução completa de sua dor, dormência e fraqueza ao longo de um período de 6 a 12 semanas.

Em pacientes com sintomas por um período ligeiramente maior, o prognóstico é menos claro. Alguns pacientes terão resolução completa da dor com tratamento limitado, como modificação de atividades, calor, gelo, fisioterapia ou medicamentos. Aproximadamente um terço desses pacientes terá algum grau permanente de sintomas. Uma pequena porcentagem terá sintomas insuportáveis. Tratamentos mais agressivos podem ser necessários nestes pacientes​​.

Como isso é diagnosticado?


Caso você tenha dor persistente, dormência ou fraqueza em um dos braços que não é aliviada após um curto período de observação, você certamente deve ver o seu médico especialista em coluna. Acrescente-se que você deve consultar com um especialista em coluna imediatamente se você notar uma piora da função nos braços ou pernas.

A história de como seus sintomas começaram e como eles progrediram é sugestiva do diagnóstico. Um exame físico é então realizado, dirigido principalmente ao seu pescoço, equilíbrio, marcha e função nervosa em seus braços e pernas.

Em primeiro lugar, podem ser solicitados RX, os quais podem apresentar sinais de degeneração nos espaços discais ou nas articulações facetárias. Radiografias dinâmicas, com inclinação anterior, podem mostrar um pequeno grau de deslizamento entre as vértebras do pescoço.

A ressonância (RNM) permite que seu médico visualize as estruturas que podem estar envolvendo a medula espinhal e as raízes nervosas. Além disso, alguns pacientes podem necessitar a injeção de contraste no saco dural para fazer uma tomografia computadorizada (TC) – mielografia.

O teste eletrofisiológico dos nervos e da medula espinhal é solicitado em alguns pacientes. Os estudos de eletromiografia (EMG) e de condução nervosa ajudam a distinguir a radiculopatia cervical de outros problemas nervosos no braço e no antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Os potenciais evocados sensoriais somáticos (SSEP) são testes elétricos que estudam a condução do sinal através da medula espinhal e podem ser solicitados em alguns pacientes com mielopatia cervical.

Mielopatia cervical 2 planos
Estenose cervical multissegmentar: nível C4C5 tem a maior compressão, com edema medular, sugestivo de mielopatia (figura à esquerda); exemplo do canal vertebral próximo ao normal, onde a medula é envolta por um anel branco que corresponde a líquido que a protege (figura superior à direita); estenose cervical, onde não se visualiza o anel branco circundando a medula (figura inferior à direita)

Quais os tratamentos para Radiculopatia?


A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical será tratada inicialmente com medidas conservadoras. Essas medidas tipicamente incluem modificação de atividades e medicações. A modificação das atividades pode incluir técnicas simples, como mudar a altura do monitor ou a altura da sua cadeira no trabalho. Repouso mais restritivo prolongado pode levar à perda de condicionamento, portanto, não é recomendado. Ademais, pode-se aplicar gelo ou calor na área dolorosa, utilizar medicamentos e visitar um fisioterapeuta.

Quando não se controla a dor, podem ser necessários medicamentos mais fortes, como os opióides. Todavia, essas medicações devem ser usadas por um curto período. Tenha em mente que o uso excessivo de qualquer medicamento pode ser acompanhado de efeitos colaterais indesejados.

A fisioterapia é uma parte importante do processo de reabilitação. Seu fisioterapeuta realizará uma avaliação clínica e, em seguida, lhe instruirá. Embora esse profissional seja fundamental, o resultado dependerá mais de você do que dele. Esmerar-se na realização das atividades e nos cuidados ergonômicos e posturais deve integrar seu cotidiano. São ações que interferem bastante no resultado final.

À medida que a dor diminui, exercícios de fortalecimento e alongamento suaves são acrescidos. Um benefício primário do condicionamento fisioterápico é evitar a rigidez ou inflamação secundária em seu ombro, cotovelo ou em outro lugar no pescoço e extremidades superiores, comumente observados em pacientes com dor e fraqueza.

Em alguns pacientes com radiculopatia cervical, seu médico pode indicar infiltrações. Essas infiltrações não são apenas de caráter terapêutico, como também podem ter caráter diagnóstico ou prognóstico. A indicação diagnóstica desses procedimentos ajuda a elucidar dúvidas sobre qual a real causa da dor, já que nem sempre uma alteração na RNM é relacionada à dor. Quando o objetivo da injeção é terapêutico, seu efeito visa reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao nervo irritado.

Quais os tratamentos para Mielopatia?


Em pacientes com estenose cervical leve e sem mielopatia clínica, cuidados não cirúrgicos é a opção. Isso geralmente começa com uma educação completa em relação à sua condição. Acima de tudo, os pacientes precisam entender que as dimensões estreitas de sua medula espinhal podem predispô-los a mielopatia em algum momento futuro. Por isso, os pacientes devem ser cautelosos para evitar situações ou lesões que possam colocar sua medula espinhal em maior risco.

Um curto período de imobilização com colar cervical e espuma pode ser útil em alguns pacientes. Simultaneamente, o fisioterapeuta pode ajudar com instruções sobre a mecânica adequada da marcha. Em algum momento pode-se indicar muletas ou andadores com a finalidade de evitar quedas. Os terapeutas ocupacionais podem fornecer sugestões para tarefas cotidianas, como banhos, vestimentas, abertura de frascos ou chaves de giro.

Em pacientes com estreitamento cervical e compressão medular secundários a alterações degenerativas, possivelmente a mielopatia pode progredir. Às vezes, uma piora súbita da mielopatia pode acontecer em uma medula espinhal previamente comprimida, em decorrência de uma queda, colisão de veículo automotor, instabilidade vertebral ou uma combinação de todos os previamente citados. Se os sintomas da mielopatia cervical tornarem-se evidentes ou progressivos, certamente você deve ser avaliado por um médico especialista.

Cirurgia


Caso as medidas conservadoras falhem ou na progressão de déficits neurológicos, indica-se cirurgia para descompressão neural. Existem diferentes técnicas, tanto pela frente (via anterior) quanto por trás (via posterior), ou até pela combinação de ambas. Diversos fatores serão considerados na escolha da técnica. Estes incluirão a localização da compressão neural, quantidade de níveis a se descomprimir, alinhamento vertebral e sua condição médica geral.

Quando se realiza por via anterior, faz-se uma pequena incisão na frente do pescoço. Em seguida os tecidos são afastados suavemente para o lado e as vértebras cervicais acessadas facilmente. Por fim, as estruturas que envolvem a raiz nervosa são removidas. Frequentemente, implanta-se um espaçador preenchido por enxerto ósseo no espaço discal. Adicionalmente, pode-se usar uma placa metálica e parafusos ​​para estabilizar as vértebras. Logo depois da cirurgia, pode-se usar um colar cervical por um curto período, dependendo do procedimento cirúrgico.

Já nos procedimentos por via posterior, uma pequena incisão é feita diretamente sobre a área onde o nervo emerge da medula espinhal. Uma broca de alta velocidade pode ser usada para remover o osso que cresceu patologicamente sobre o nervo, causando-lhe compressão. Pequenos fragmentos de disco podem ser removidos através deste orifício. Logo após a cirurgia, pode-se imobilizar com colar cervical temporariamente.

Pode-se realizar uma descompressão mais ampla da medula espinhal por via posterior: laminectomia e laminoplastia. Em ambas, a pressão sobre a medula é aliviada removendo porções da parte traseira da vértebra. Na laminectomia, a parte de trás da vértebra é completamente removida. Por outro lado, na laminoplastia, cria-se uma dobradiça em um dos lados da vértebra. Posteriormente, a lâmina é levantada sobre esta dobradiça para abrir espaço para a medula espinhal. Ocasionalmente, parafusos e hastes metálicas são utilizados nesses procedimentos a fim de estabilizar a coluna cervical.

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