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Modificacoes de atividades

Modificações de atividades

Modificacoes de atividades

Depois de desenvolver dor nas costas, seja por lesão ou por degeneração, os pacientes podem reduzir a intensidade dos sintomas alterando temporariamente a maneira como realizam as atividades diárias. Inegavelmente as atividades podem ser culpadas pelas crises de dor, ao menos parcialmente. Todavia afastar-se de suas atividades não é a solução. Pelo contrário, manter-se ativo pode ajudar no processo de cura e reduzir a inflamação.

Nos estágios iniciais deve-se trabalhar contornando os sintomas cuidadosamente em vez de trabalhar com eles. Essas alterações geralmente são necessárias apenas por um curto período de tempo. É importante permanecer tão ativo e engajado na vida quanto possível, apesar da presença de sintomas relacionados à coluna. Passividade e proteção demasiadas podem levar a um perda do condicionamento físico desnecessária, padrões adaptativos ruins dos movimentos e, mais preocupante, incapacidade inadequada. Isso significa adaptar-se às condições – resiliência.

resiliencia

Estratégias instrucionais para estabelecer modificações de atividades apropriadas podem necessitar auxílio de um profissional. Fisioterapeutas, fisiatras e terapeutas ocupacionais inegavelmente contribuem com um planejamento mais amplo acerca do tratamento.

Portanto, tratamentos mais eficazes demandam planejamentos mais amplos. Para seu sucesso, não só o engajamento dos profissionais da saúde, bem como dos pacientes de maneira simultânea tornam-se necessários. Em casa e no trabalho, deve-se atentar aos cuidados com a ergonomia.

É extremamente comum os pacientes possuírem crenças errôneas e mitos em relação a repouso e estilo de vida. Logo, identifica-los e corrigi-los indubitavelmente contribui para melhores desfechos. Por sua vez, a inclusão de discussões individuais, folhetos, panfletos, vídeos, treinamento assistido por computador e demonstrações práticas são ferramentas que abordam essa questão.

Discite

Como qualquer parte do corpo, a coluna vertebral pode infectar. Embora as infecções da coluna sejam incomuns, quando elas ocorrem, elas podem ser devastadoras. Quando ela ocorre no disco, chama-se discite. Já as infecções vertebrais chamam-se de espondilite, bem como a infecção combinada é chamada de espondilodiscite. O tratamento geralmente requer o envolvimento de um especialista em doenças infecciosas.

Infeccao

O que é Discite?


Como afirmado acima, discite é quando há uma infecção dos discos da coluna vertebral. Ela pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. Algumas partes do corpo, como a boca e os intestinos, têm bactérias nativas, a flora bacteriana normal. No entanto, os discos da coluna vertebral são estéreis e não têm flora bacteriana. O agente bacteriano mais comum que causa discite é o Staphylococcus aureus.

Como acontece a discite?


Discite ocorre com mais frequência quando as bactérias provenientes de outras partes do corpo invadem diretamente os discos. Isso pode ocorrer quando uma pessoa passa por uma cirurgia ou algum tipo de trauma. Discite pode ocorrer em qualquer ponto da coluna, porém é mais comum na coluna baixa.

Outras condições médicas também podem colocar uma pessoa em risco de discite. O sítio de origem mais comum é uma infecção cardíaca bacteriana, chamada endocardite. Os principais fatores, porém não únicos, que aumentam o risco de uma pessoa ter discite incluem o uso de drogas intravenosas, diabetes, idade avançada, desnutrição e outros.

Quando devo suspeitar discite?


Embora a dor lombar seja o sintoma mais comum de discite, a discite é uma causa incomum de dor lombar. A dor costuma começar lentamente e aumentar gradualmente ao longo do tempo. Três ou mais semanas frequentemente se passam antes que alguém com discite seja diagnosticado.

Sintomas neurais como dormência, formigamento e fraqueza também podem ser vistos. Uma pessoa com discite também pode sentir mal estar. Ele também pode perder o apetite, ficar com náuseas e perder peso. A área sobre o disco infectado pode ser dolorosa ao toque.

Pode ocorrer febre, todavia este não é um sintoma obrigatório. Estados de desnutrição causam debilidade imune, de tal sorte que o organismo não tem capacidade de gerar o estado febril. É importante lembrar que todos esses sintomas são inespecíficos e podem ser vistos com muitas outras causas.

Como faço para saber se tenho discite?


Em primeiro lugar, consulte um médico especialista em coluna para uma avaliação. A parte mais importante da sua avaliação será sua história clínica e identificar os fatores de risco para a discite. O seu médico também irá examiná-lo para procurar quaisquer sinais de infecção, bem como testá-lo para qualquer dano nervoso.

Preciso de algum exame de imagem?


Se a evidência começar a apontar para a discite, seu médico pode solicitar algumas imagens. Podem ser feitos raios-X simples e tomografias, mas o melhor exame de imagem para investigar discite é uma ressonância magnética. Fazer uma ressonância magnética com contraste é ainda mais útil. Nem todos podem ter uma ressonância magnética, ou podem usar contraste, e seu médico considerará isso ao decidir qual o tipo de análise que você precisa.

Eu precisaria de algum exame de laboratório?


Você precisa de exames laboratoriais, se acaso desconfia-se de discite. Lembre-se de que a discite é rara, e a avaliação do seu médico pode ser suficiente para dizer que você não a possui e não precisará mais nenhum exame. Se for necessário, o seu médico pode solicitar exames de sangue para investigar infecção e inflamação.

Pode-se até investigar tuberculose ou HIV posto que essa infecção ocorre em estados de baixa imunidade. A biópsia do disco geralmente é o padrão-ouro na elaboração do diagnóstico.

Como é confirmada a discite?


Embora a discite seja uma infecção, o sangue pode ou não mostrar qualquer sinal de infecção. Se todas as provas, apontam para discite, então, como afirmado acima, você pode precisar de uma biópsia. Uma biópsia é feita para tirar uma pequena amostra do disco. Nesta amostra se realiza a cultura das bactérias, com a finalidade de identificar a presença e o tipo de bactérias presentes.

Se as bactérias são encontradas, se faz o antibiograma, a fim de testar quais antibióticos são os mais indicados. A menos que seja absolutamente necessário, os antibióticos não devem ser administrados até que o teste seja concluído e um antibiótico adequado seja identificado.

Como é realizada uma biópsia?


Uma biópsia para discite geralmente é feita com uma agulha. A agulha é oca para permitir a remoção de uma pequena amostra do disco. A agulha pode ser inserida guiada por tomografia computadorizada ou fluoroscopia.

Algum outro exame é necessário?


Discite é uma infecção e a identificação da fonte de infecção é importante. Se não for identificada nenhuma razão óbvia para a infecção, seu médico pode recomendar um teste chamado ecocardiograma para verificar se não há sinais de endocardite bacteriana em seu coração.

Qual tipo de tratamento a discite demanda?


Antibióticos são necessários, posto que se trata geralmente de uma infecção bacteriana. Os antibióticos podem ter que ser administrados por via endovenosa por até 3 meses.

Discite é geralmente bastante dolorosa, portanto o controle da dor também é um componente crítico no tratamento de discite. Este é um processo complexo que exige discussões detalhadas com o médico assistente em relação a várias opções.

Eu precisaria de cirurgia?


A cirurgia geralmente não é necessária para tratar a discite. Só é necessário se o tratamento antibiótico não funcionar. Ocasionalmente, a discite pode afetar o alinhamento da coluna vertebral. Neste caso, a cirurgia pode ser indicada para corrigir o desalinhamento. Se houver comprometimento nervoso e sintomas irradiados às extremidades pode ser necessária a descompressão. Além disso, na presença de material de síntese, este pode necessitar ser removido até que a discite seja esclarecida.

Estenose e Mielopatia Cervical

A princípio, para entender melhor a estenose, radiculopatia e mielopatia cervicais, devemos entender a anatomia. A coluna cervical é a porção da coluna vertebral que está no nível do pescoço, logo abaixo da cabeça. Ela precisa ser flexível o suficiente a fim de permitir a rotação e inclinação da cabeça. Ao mesmo tempo, precisa ser forte o suficiente para proteger a medula espinhal delicada e os nervos espinhais que passam através dela.

Estenose marcha 2

A coluna cervical é constituída por sete vértebras (numeradas de cima para baixo C1 a C7), discos e ligamentos. Um disco fica entre duas vértebras adjacentes, por isso recebe o nome conforme sua posição (ex: C4C5, C5C6). Cada uma dessas sete vértebras tem um canal pelo qual passa a medula espinhal. O processo de envelhecimento normal deixa os discos mais ressecados progressivamente, por isso, eles ficam mais rígidos e diminuem a capacidade de absorver impactos.

Em alguns pacientes, no entanto, o abaulamento do disco e outras alterações degenerativas causam um estreitamento do canal vertebral. Por consequência, é gerada compressão na medula espinhal e em seus ramos, conhecidos como raízes nervosas.

Estenose significa estreitamento. Logo, estenose cervical refere-se ao estreitamento do espaço da medula espinhal e raízes nervosas na coluna cervical.

O que é Radiculopatia?


As raízes do nervo espinhal, após emergirem da medula, passam por orifícios chamados de forames. Logo depois de saírem da coluna, as raízes unem-se nos plexos nervosos e, posteriormente, nos nervos periféricos. Esses nervos controlam os músculos e são responsáveis ​​pela sensibilidade em certas áreas do tronco ou membros.

A radiculopatia cervical refere-se a uma perda de função em uma região específica da extremidade superior. Esse problema ocorre frequentemente em virtude da irritação ou compressão da raiz nervosa na coluna.

Quais os sintomas da Radiculopatia?


A radiculopatia cervical se manifestará como uma dor que se desloca do pescoço para uma região específica do braço, antebraço ou mão. Em muitos casos, isso será acompanhado de dormência ou fraqueza muscular no braço, no antebraço ou na mão.

O que é Mielopatia Cervical?


A medula espinhal é como o cabo principal que traz sinais de internet para a casa. As raízes do nervo espinhal são ramos desse cabo, os quais transportam sinais para cada sala ou quarto dessa casa. A medula espinhal carrega sinais do cérebro para nossos braços, pernas e corpo e, ao mesmo tempo, traz sinais de volta ao cérebro.

A mielopatia cervical refere-se a uma perda de função nas extremidades superior e inferior secundária à compressão da medula espinhal no pescoço.

Quais são os sintomas da Mielopatia?


A mielopatia cervical tende a ter comportamento insidioso na maioria dos casos. Pode resultar em mudanças sutis no funcionamento das mãos. Em outras palavras, os pacientes podem ter dificuldade para executar movimentos finos. Talvez até não consigam abotoar suas camisas tão facilmente quanto eram acostumados, bem como a caligrafia pode piorar. Frequentemente derrubam objetos das mãos.

A marcha pode tornar-se visivelmente bamba. Esse desequilíbrio é decorrente da transmissão dificultada dos sinais pela medula comprimida. Às vezes, os paciente sentem que seu cérebro não sabe exatamente onde suas pernas estão no tempo e no espaço. Paralelamente, também pode haver a percepção de que os membros não obedecem ao cérebro.

Em casos extremos, os pacientes podem desenvolver fraqueza e dormência mais profundas em seus braços e pernas, tal qual ocorre em paralisias. Mais raramente, pode ocorrer perda do controle intestinal ou da bexiga.

Qual é a história natural dessas condições?


O que eu poderia esperar se eu não fizer nada? A história natural da radiculopatia cervical depende, em grande parte, de quanto tempo o paciente apresenta sintomas. Em pacientes que apresentam sintomas muito recentes, o prognóstico geralmente é muito bom. A maioria desses pacientes terá resolução completa de sua dor, dormência e fraqueza ao longo de um período de 6 a 12 semanas.

Em pacientes com sintomas por um período ligeiramente maior, o prognóstico é menos claro. Alguns pacientes terão resolução completa da dor com tratamento limitado, como modificação de atividades, calor, gelo, fisioterapia ou medicamentos. Aproximadamente um terço desses pacientes terá algum grau permanente de sintomas. Uma pequena porcentagem terá sintomas insuportáveis. Tratamentos mais agressivos podem ser necessários nestes pacientes​​.

Como isso é diagnosticado?


Caso você tenha dor persistente, dormência ou fraqueza em um dos braços que não é aliviada após um curto período de observação, você certamente deve ver o seu médico especialista em coluna. Acrescente-se que você deve consultar com um especialista em coluna imediatamente se você notar uma piora da função nos braços ou pernas.

A história de como seus sintomas começaram e como eles progrediram é sugestiva do diagnóstico. Um exame físico é então realizado, dirigido principalmente ao seu pescoço, equilíbrio, marcha e função nervosa em seus braços e pernas.

Em primeiro lugar, podem ser solicitados RX, os quais podem apresentar sinais de degeneração nos espaços discais ou nas articulações facetárias. Radiografias dinâmicas, com inclinação anterior, podem mostrar um pequeno grau de deslizamento entre as vértebras do pescoço.

A ressonância (RNM) permite que seu médico visualize as estruturas que podem estar envolvendo a medula espinhal e as raízes nervosas. Além disso, alguns pacientes podem necessitar a injeção de contraste no saco dural para fazer uma tomografia computadorizada (TC) – mielografia.

O teste eletrofisiológico dos nervos e da medula espinhal é solicitado em alguns pacientes. Os estudos de eletromiografia (EMG) e de condução nervosa ajudam a distinguir a radiculopatia cervical de outros problemas nervosos no braço e no antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Os potenciais evocados sensoriais somáticos (SSEP) são testes elétricos que estudam a condução do sinal através da medula espinhal e podem ser solicitados em alguns pacientes com mielopatia cervical.

Mielopatia cervical 2 planos
Estenose cervical multissegmentar: nível C4C5 tem a maior compressão, com edema medular, sugestivo de mielopatia (figura à esquerda); exemplo do canal vertebral próximo ao normal, onde a medula é envolta por um anel branco que corresponde a líquido que a protege (figura superior à direita); estenose cervical, onde não se visualiza o anel branco circundando a medula (figura inferior à direita)

Quais os tratamentos para Radiculopatia?


A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical será tratada inicialmente com medidas conservadoras. Essas medidas tipicamente incluem modificação de atividades e medicações. A modificação das atividades pode incluir técnicas simples, como mudar a altura do monitor ou a altura da sua cadeira no trabalho. Repouso mais restritivo prolongado pode levar à perda de condicionamento, portanto, não é recomendado. Ademais, pode-se aplicar gelo ou calor na área dolorosa, utilizar medicamentos e visitar um fisioterapeuta.

Quando não se controla a dor, podem ser necessários medicamentos mais fortes, como os opióides. Todavia, essas medicações devem ser usadas por um curto período. Tenha em mente que o uso excessivo de qualquer medicamento pode ser acompanhado de efeitos colaterais indesejados.

A fisioterapia é uma parte importante do processo de reabilitação. Seu fisioterapeuta realizará uma avaliação clínica e, em seguida, lhe instruirá. Embora esse profissional seja fundamental, o resultado dependerá mais de você do que dele. Esmerar-se na realização das atividades e nos cuidados ergonômicos e posturais deve integrar seu cotidiano. São ações que interferem bastante no resultado final.

À medida que a dor diminui, exercícios de fortalecimento e alongamento suaves são acrescidos. Um benefício primário do condicionamento fisioterápico é evitar a rigidez ou inflamação secundária em seu ombro, cotovelo ou em outro lugar no pescoço e extremidades superiores, comumente observados em pacientes com dor e fraqueza.

Em alguns pacientes com radiculopatia cervical, seu médico pode indicar infiltrações. Essas infiltrações não são apenas de caráter terapêutico, como também podem ter caráter diagnóstico ou prognóstico. A indicação diagnóstica desses procedimentos ajuda a elucidar dúvidas sobre qual a real causa da dor, já que nem sempre uma alteração na RNM é relacionada à dor. Quando o objetivo da injeção é terapêutico, seu efeito visa reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao nervo irritado.

Quais os tratamentos para Mielopatia?


Em pacientes com estenose cervical leve e sem mielopatia clínica, cuidados não cirúrgicos é a opção. Isso geralmente começa com uma educação completa em relação à sua condição. Acima de tudo, os pacientes precisam entender que as dimensões estreitas de sua medula espinhal podem predispô-los a mielopatia em algum momento futuro. Por isso, os pacientes devem ser cautelosos para evitar situações ou lesões que possam colocar sua medula espinhal em maior risco.

Um curto período de imobilização com colar cervical e espuma pode ser útil em alguns pacientes. Simultaneamente, o fisioterapeuta pode ajudar com instruções sobre a mecânica adequada da marcha. Em algum momento pode-se indicar muletas ou andadores com a finalidade de evitar quedas. Os terapeutas ocupacionais podem fornecer sugestões para tarefas cotidianas, como banhos, vestimentas, abertura de frascos ou chaves de giro.

Em pacientes com estreitamento cervical e compressão medular secundários a alterações degenerativas, possivelmente a mielopatia pode progredir. Às vezes, uma piora súbita da mielopatia pode acontecer em uma medula espinhal previamente comprimida, em decorrência de uma queda, colisão de veículo automotor, instabilidade vertebral ou uma combinação de todos os previamente citados. Se os sintomas da mielopatia cervical tornarem-se evidentes ou progressivos, certamente você deve ser avaliado por um médico especialista.

Cirurgia


Caso as medidas conservadoras falhem ou na progressão de déficits neurológicos, indica-se cirurgia para descompressão neural. Existem diferentes técnicas, tanto pela frente (via anterior) quanto por trás (via posterior), ou até pela combinação de ambas. Diversos fatores serão considerados na escolha da técnica. Estes incluirão a localização da compressão neural, quantidade de níveis a se descomprimir, alinhamento vertebral e sua condição médica geral.

Quando se realiza por via anterior, faz-se uma pequena incisão na frente do pescoço. Em seguida os tecidos são afastados suavemente para o lado e as vértebras cervicais acessadas facilmente. Por fim, as estruturas que envolvem a raiz nervosa são removidas. Frequentemente, implanta-se um espaçador preenchido por enxerto ósseo no espaço discal. Adicionalmente, pode-se usar uma placa metálica e parafusos ​​para estabilizar as vértebras. Logo depois da cirurgia, pode-se usar um colar cervical por um curto período, dependendo do procedimento cirúrgico.

Já nos procedimentos por via posterior, uma pequena incisão é feita diretamente sobre a área onde o nervo emerge da medula espinhal. Uma broca de alta velocidade pode ser usada para remover o osso que cresceu patologicamente sobre o nervo, causando-lhe compressão. Pequenos fragmentos de disco podem ser removidos através deste orifício. Logo após a cirurgia, pode-se imobilizar com colar cervical temporariamente.

Pode-se realizar uma descompressão mais ampla da medula espinhal por via posterior: laminectomia e laminoplastia. Em ambas, a pressão sobre a medula é aliviada removendo porções da parte traseira da vértebra. Na laminectomia, a parte de trás da vértebra é completamente removida. Por outro lado, na laminoplastia, cria-se uma dobradiça em um dos lados da vértebra. Posteriormente, a lâmina é levantada sobre esta dobradiça para abrir espaço para a medula espinhal. Ocasionalmente, parafusos e hastes metálicas são utilizados nesses procedimentos a fim de estabilizar a coluna cervical.

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Dor Sacroilíaca

A articulação sacroilíaca pode ser uma fonte de dor nas costas para muitos pacientes. A articulação é composta pelo sacro, a parte inferior da coluna vertebral, e pelo ilíaco, o osso da bacia. A articulação não tem uma grande amplitude de movimentos como outras articulações do corpo. No entanto, ela usa seu movimento limitado para atuar como um amortecedor de choque para tensões que se movem das costas para a pelve.

Acredita-se que a dor é mais frequentemente causada por movimento acima do normal ou aumento do estresse nessa articulação. Isso tipicamente se apresenta como dor lombar localizada em um ou em ambos os lados. Também pode causar dor na nádega ou mesmo imitar a dor ciática irradiando à parte de trás da perna. Muitas vezes, dói ao sentar ou ficar de pé por longos períodos, ao deslocar o peso para o lado afetado e dormir sobre o lado envolvido.

Articulação sacroilíaca

Em azul nota-se a porção mais inferior da coluna lombar e a bacia, em vermelho estão destacadas as articulações sacroilíacas

Diagnóstico


Um especialista em coluna pode fazer um exame físico para ajudar a determinar se sua dor vem da articulação sacroilíaca. É importante excluir outras possíveis causas de dor. Isso geralmente significa pedir um exame de imagem, como a ressonância magnética da coluna lombar para descartar uma hérnia ou degeneração discal como causador do problema, pois os sintomas são semelhantes. Contudo, nem sempre se consegue demonstrar a causa da dor apenas com imagens.

Uma infiltração de anestésico local na articulação sacroilíaca pode ser útil para identificar a articulação como fonte de dor. Algumas vezes a infiltração é a única maneira de provar que a dor é proveniente da articulação sacroilíaca. O procedimento de infiltração é realizado com assistência visual, como radioscopia ou ultrassom (imagem abaixo).

Sacroiliaca foto
Infiltração sacroilíaca guiada por radioscopia – agulha posicionada e contraste injetado dentro da articulação

É um procedimento ambulatorial, podendo ser feito com anestesia local apenas ou com sedação associada. Uma agulha é então introduzida na articulação e confirmado seu poscionamento com contraste. Uma combinação de medicamentos esteróides e anestésicos é injetada na articulação. O esteróide pode diminuir a inflamação para ajudar a diminuir a dor. Para os pacientes que são intolerantes aos esteróides ou para os quais os esteróides não conseguiram proporcionar alívio, a ablação por radiofrequência dos nervos (rizotomia) pode diminuir a dor.

Se for determinado que a articulação sacroilíaca está causando dor, existem vários tratamentos que seu médico pode recomendar. O gelo e os anti-inflamatórios são muitas vezes uma primeira linha de tratamento. Às vezes, exercícios e fisioterapia são benéficos, bem como uma órtese de suporte para ajudar a apoiar a área afetada.

Se todas as opções conservadoras não conseguiram fornecer alívio prolongado, e existe um alto grau de certeza de que a articulação está causando dor, um cirurgião pode recomendar uma fusão desta articulação – artrodese. Isso envolve uma pequena incisão através da qual um cirurgião da coluna coloca estabilizadores (existem diferentes tipos) na articulação para impedir qualquer movimento extra. Isso ajuda a diminuir a inflamação e, portanto, a dor.

É importante discutir seus sintomas com um médico especialista em coluna vertebral e, em conjunto, criar um plano de tratamento. De fato, o conhecimento sobre a dor articular sacroilíaca ainda cai no esquecimento de muitos especialistas devido aos avanços nesta área serem mais recentes. Em conclusão, provavelmente a dor originária da articulação sacroilíaca seja a principal causa de manutenção do quadro doloroso após cirurgias da coluna vertebral, muito por falha ao diagnóstico primário.

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Dor Lombar Aguda

A dor lombar aguda é definida pela dor presente por até seis semanas. Pode ser sentida das seguintes formas:  dolorida, queimação, pontadas, fisgadas ou dolente, podendo ser bem pontual ou difusa.  A intensidade pode variar de leve a grave.  Pode ainda  irradiar em uma ou ambas as nádegas ou na área da coxa e quadril.

A dor lombar pode começar seguida de uma atividade extenuante ou um trauma contuso, mas muitas vezes é aparentemente sem relação com uma atividade específica. Pode ainda começar subitamente ou se desenvolver gradualmente.

.Muscular Man with Backache

Quem experimenta dor lombar aguda? 


Pelo menos 80% dos indivíduos experimentam um episódio significativo de dor lombar em algum momento de suas vidas, e 15% relatam que estão sofrendo de dor lombar. Alguns consideram o sintoma da dor lombar como parte da experiência humana.

Qual é a causa?


A fonte exata da dor lombar aguda é muitas vezes difícil de identificar. Na verdade, existem inúmeros possíveis causadores da dor, incluindo músculos, tecido conjuntivo, ligamentos, cápsulas articulares, cartilagens e vasos sanguíneos. Estes tecidos podem ser estirados, tensionados, distendidos ou torcidos. Além disso, lesões anulares (pequenas lesões que ocorrem na camada externa do disco intervertebral, o ânulo fibroso) podem iniciar a dor severa. Mesmo que o dano real dos tecidos seja menor, e provavelmente repara rapidamente, a dor experimentada pode ser bastante forte.

Independentemente de qual tecido tenha sido inicialmente irritado, ocorre uma cascata de eventos que contribui para a experiência da dor. Numerosas substâncias químicas são liberadas em resposta à irritação do tecido. Essas substâncias estimulam as fibras nervosas sensíveis à dor próximas à lesão, resultando na sensação de dor. Alguns desses produtos químicos desencadeiam o processo de inflamação, ou inchaço, que também contribui para a dor. Os produtos químicos associados a este processo inflamatório liberam mais sinais que perpetuam o processo irritativo. A inflamação atribuível a este ciclo de eventos pode persistir por dias ou semanas.

A tensão muscular (espasmo) nos tecidos adjacentes pode ocorrer resultando em um “deslocamento do tronco” (o corpo se inclina para um lado mais do que o outro) devido ao desequilíbrio muscular. Além disso, pode ocorrer uma inibição ou falta de fornecimento de sangue habitual na área afetada, logo os nutrientes e o oxigênio não são perfeitamente fornecidos e a remoção de subprodutos irritantes da inflamação é prejudicada.

Quanto tempo dura um episódio de dor lombar?


A boa notícia é que, mesmo que a exata fonte da dor não seja determinada, geralmente a dor aguda diminui espontaneamente ao longo do tempo. O tecido originalmente irritado cura. Cinquenta por cento dos episódios, resolvem quase que completamente dentro de duas semanas e 80% em até seis semanas. Infelizmente, a duração e a gravidade de um único episódio não podem ser previstas com base no início, na localização da dor ou mesmo na gravidade inicial. A dor inicialmente excruciante pode se resolver em vários dias, enquanto sintomas moderados ou leves podem persistir por semanas. No entanto, até 30% dos indivíduos sofrerão dor recorrente ou desenvolverão dor persistente no futuro.

Essa dor é perigosa?


A gravidade da dor lombar é relativa. Os sintomas da dor lombar aguda geralmente são benignos e autolimitados. Mesmo um disco rompido tem uma chance de melhorar sem cirurgia. Raramente, no entanto, a dor lombar é causada por um processo mais grave, como fratura, infecção ou câncer. Isto é mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, com história de câncer, dor intensa em repouso, febre associada, problemas médicos subjacentes, como diabetes, abuso de álcool ou uso de drogas, uso prolongado de corticosteróides ou osteoporose. A dor nas pernas, a fraqueza ou a dificuldade no controle do intestino ou da bexiga merecem uma avaliação médica imediata. Para todos os casos de dor com duração superior a seis semanas, a avaliação médica é aconselhada.

Como manejar a dor lombar aguda?


Um dos melhores conselhos para o tratamento de dor lombar aguda é permanecer ativo, conforme tolerância. Continuar a realizar atividades cotidianas pode parecer estranho, e a tendência natural pode ser manter-se em repouso e evitar atividades. No entanto, a atividade mantém o sangue e nutrientes fluindo para a área afetada, inibindo a inflamação e reduzindo a tensão muscular.

Muitos indivíduos com dor lombar percebem que podem realizar suas atividades usuais mais controladas. Frequentemente, sentem-se melhores após as atividades. Atividades mais vigorosas ou descontroladas são desaconselháveis. Não há motivos para evitar completamente o alongamento muscular durante um episódio agudo, desde que não cause dor mais severa.

A aplicação local de calor ou gelo pode reduzir temporariamente a dor e o calor pode facilitar o alongamento, mas não necessariamente acelerar a recuperação a longo prazo.

Analgésicos e anti-inflamatórios (AINEs) são conhecidos por reduzir efetivamente a dor lombar aguda, bem como inibir o processo inflamatório descrito anteriormente. Devem ser usados ​​apenas conforme prescrição médica. Os AINEs estão associados a possíveis efeitos colaterais. O risco de tais efeitos aumenta quando usado por períodos prolongados. Os efeitos colaterais mais frequentes incluem sangramento excessivo, irritação do estômago, problemas renais e hepáticos.

Relaxantes musculares são medicamentos que, na verdade, não relaxam o músculo. No entanto, eles acalmam ou sedam o sistema nervoso central e podem ser úteis para facilitar o sono. Consequentemente, reduzem a tensão emocional ou muscular contributiva no quadro de dor severa. Esses medicamentos devem ser usados ​​sob prescrição médica.

Opióides são fortes analgésicos e reduzem os sintomas de dor lombar aguda. Como os narcóticos são sedativos, eles podem ser úteis para facilitar o sono durante as primeiras noites de sintomas. O uso prolongado de narcóticos está associado a efeitos colaterais indesejáveis, incluindo dependência física, sedação, depressão, constipação, sensibilidade aumentada de fibras sensíveis à dor e interrupção do ciclo restaurador do sono. Opióides só devem ser usados ​​conforme prescrição e orientação médica.

Outros tratamentos


Modalidades de fisioterapia, como ultrassom, estimulação elétrica, tração, mobilização e manipulação quiroprática podem proporcionar alívio temporário. Por outro lado, não melhoram a recuperação a longo prazo caso não ocorra mudança de atitude dos pacientes. Geralmente a dor lombar aguda é autolimitada e, na maioria dos casos, quando a atividade física puder ser realizada, a terapia formal talvez não seja necessária.

Quando a dor é severa, a participação em atividades fica prejudicada. Ao mesmo tempo, o movimento fica significativamente restringido. Dessa forma, um fisioterapeuta pode fornecer educação e conselhos adicionais sobre estratégias para restaurar o movimento, retomar as atividades, prevenir a perda do condicionamento e alcançar uma posição de conforto durante o sono.

Para aqueles com dor lombar persistente ou recorrente, uma avaliação médica é indicada. Do mesmo modo, um programa de exercícios supervisionados por fisioterapeuta também é aconselhável. O objetivo sempre deve ser para o desenvolvimento e a transição para um regime de exercícios domiciliares totalmente independente.

Enfim, deve-se enfatizar a otimização da força muscular do tronco (core), da flexibilidade geral e da resistência cardiovascular.

Infiltrações Espinhais


As infiltrações espinhais geralmente não são consideradas como um tratamento inicial adequado para dor lombar aguda e autolimitada. Existem várias opções de infiltração para dor persistente ou recorrente, incluindo injeções de esteróides epidurais, articulações facetárias  ou pontos gatilhos. De acordo com o quadro clínico, podem ser determinados os locais e as melhores técnicas.

Quando há dúvida sobre a causa da dor, as infiltrações têm papel importante no diagnóstico, com técnicas de bloqueios temporários. A partir do diagnóstico mais preciso, se pode planejar um tratamento mais eficaz e menos agressivo.

Como isso é diagnosticado?


À princípio, exames diagnósticos não são necessários. Imagens de raios-X (RX) ou outros exames de diagnóstico podem ser recomendados em casos de dor associada a traumatismos graves, história de câncer, febre, diabetes, outras patologias médicas, uso ilícito de drogas endovenosas, idade acima de 50 anos, disfunção intestinal ou vesical, dor noturna ou osteoporose. Podem ser obtidos outros tipos de exames de imagem. Estes incluem cintilografia óssea, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM). A escolha do exame depende da condição médica que seu médico suspeita. Contudo, chega-se ao diagnóstico através da combinação de história clínica, exame físico e exames diagnósticos, não apenas em imagens..

Prognóstico


A dor lombar aguda pode ser uma experiência muito dolorosa, mas, felizmente, muitas vezes resolve-se muito rapidamente. Há situações em que a dor não melhora de forma satisfatória, o que merece um atendimento médico mais abrangente. Uma variedade de testes diagnósticos e opções de tratamento estão disponíveis. O principal objetivo é resolver o episódio agudo o mais rápido possível. Secundariamente, devemos prevenir episódios futuros através de educação, exercício e condicionamento adequados.

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