Sabe o que é uma hérnia de disco? Em primeiro lugar, precisamos entender o que é o disco intervertebral. O disco é uma combinação de tecidos moles fortes que mantêm vértebras adjacentes conectadas. O disco é feito de uma camada externa resistente chamada anel fibroso (ânulo fibroso) e um centro semelhante a um gel, chamado núcleo pulposo. Por conseguinte, atua como uma almofada que absorve impacto.

À medida que envelhece, o centro do disco pode desidratar, ao passo que o deixa uma almofada menos eficaz em absorver impacto. Como resultado, pode causar um deslocamento do centro do disco (chamado de hérnia de disco) através de uma fenda na camada externa. A maioria das hérnias de disco ocorre nos dois discos inferiores da coluna lombar.

Uma hérnia de disco lombar pode comprimir os nervos que passam pela coluna vertebral. A compressão não apenas pode causar dor, como também dormência, formigamento e fraqueza da perna. Ciática ou ciatalgia são os termos usados para designar esse conjunto de sintomas. Afeta cerca entre 1 e 2% de todas as pessoas, geralmente entre as idades de 30 e 50 anos. Um disco lombar herniado também pode causar dor nas costas, embora a dor nas costas tenha muitas outras causas.

Cerca de 80% dos pacientes com uma hérnia de disco nova ou recente melhorará sem cirurgia. O médico normalmente tentará métodos não cirúrgicos nas primeiras semanas. Se a dor ainda o impedir de voltar ao seu estilo de vida normal após o término do tratamento, seu médico poderá recomendar cirurgia.

Mesmo que a força muscular da perna possa não voltar ao normal com a cirurgia, a descompressão pode impedir que sua perna fique ainda mais fraca. A cirurgia geralmente é recomendada com a finalidade de aliviar dor nas pernas, com mais de 90% de sucesso. A cirurgia é menos eficaz para aliviar a dor puramente nas costas.

Hernia lombar
Hérnias discais L4L5 e L5S1

Tratamento conservador


Tratamento conservador inclui um curto período de repouso, medicações, fisioterapia, exercício físico ou infiltrações.

Questione a duração do repouso, caso este seja indicado. Normalmente, repouso excessivo pode enrijecer articulações e enfraquecer músculos. Logo, tornará mais difícil realizar atividades que ajudam reduzir a dor. Pergunte ao seu médico se deve continuar a trabalhar ou se há restrições durante seu tratamento. Manter a rotina é desejável.

Sob orientação médica, inicie o tratamento. Com ajuda de um fisioterapeuta, comece a educação e treinamento para atividades cotidianas, sem colocar mais estresse na coluna.

Os objetivos do tratamento conservador são reduzir a irritação neural e melhorar condicionamento, a fim de proteger a coluna e otimizar a função. A princípio, pode-se alcança-los através de um programa de cuidados organizados que combina uma série de métodos terapêuticos.

Dentre esses métodos, recomendam-se terapias como ultrassom, TENS, calor, crioterapia e terapia manual para reduzir dor e espasmo muscular. Facilitam a implementação de um programa de exercícios físicos.

Os exercícios podem ser alongamentos suaves ou mudanças posturais para reduzir a dor lombar e irradiada. Assim que diminuir a dor, exercícios mais vigorosos são usados ​​para melhorar flexibilidade, força, resistência e capacidade de retornar a um estilo de vida normal. A instrução de exercícios deve começar imediatamente e ser modificada à medida que a recuperação avançar. Aprender e continuar os exercícios e alongamentos domiciliares são partes importantes do tratamento.

Ocasionalmente, podem indicar um colete lombar no início do tratamento para aliviar a dor, embora não cure a hérnia de disco. No entanto, não deve ser usado por tempo prolongado.

A manipulação articular pode fornecer alívio a curto prazo para dor lombar inespecífica, porém deve ser evitada na maioria dos casos de hérnia de disco. A tração também pode proporcionar alívio limitado da dor para alguns pacientes.

Medicações e Manejo da dor


Os medicamentos utilizados para controlar a dor são chamados analgésicos. A maioria das dores pode ser tratada com medicamentos simples. Se acaso sua dor persista, pode-se prescrever opióides por curto período. Só que você deve tomar apenas a medicação necessária, já que tomar além do necessário não o faz recuperar mais rápido.

Opióides costumam causar efeitos indesejados, mais comumente constipação (intestino preso/ressecado) e sonolência. Seu uso indiscriminado ainda pode resultar em dependência. Informe seu médico sobre qualquer medicamento que esteja tomando, mesmo medicamentos e suplementos sem receita médica. Assim como é importante informar também sobre os efeitos benéficos e adversos das medicações. Dessa forma, pode-se planejar o melhor esquema analgésico para cada paciente.

Anti-inflamatórios (AINE) são também são usados ​​para analgesia e reduzir a inflamação provocada pela hérnia. Se acaso for prescrito AINE, deve-se ficar atento quanto aos efeitos colaterais, como dor de estômago ou sangramento. O uso crônico de anti-inflamatórios pode acarretar insuficiência renal.

Os medicamentos corticosteróides – seja por via oral, seja injetável – eventualmente são prescritos para dor nas costas e pernas mais severas, por conta de seu efeito anti-inflamatório muito poderoso. Os corticosteróides, bem como qualquer medicação, podem ter efeitos colaterais. Riscos e benefícios destas medicações devem ser discutidos com seu médico.

As infiltrações epidurais ou bloqueios podem ser recomendados para dor severa. Corticosteróides são infiltrados diretamente no espaço peridural (a área ao redor dos nervos espinhais) por um médico com treinamento especial nesta técnica. A infiltração inicial pode ser seguida por uma ou duas infiltrações futuras adicionais. Devem compor um programa abrangente de reabilitação e tratamento.

As infiltrações de pontos-gatilho são injeções de anestésicos locais (eventualmente combinados com corticosteróides) diretamente em tecido doloroso ou músculos paravertebrais. Embora ocasionalmente útil para o controle da dor, as injeções dos pontos-gatilho não ajudam a curar um disco lombar herniado.

Cirurgia para hérnia de disco lombar


O objetivo da cirurgia é fazer com que a hérnia de disco pare de pressionar e irritar os nervos, atenuando a dor e fraqueza. O procedimento mais comum é chamado de discectomia ou microdiscectomia, na qual parte da hérnia de disco é removida. Para ver claramente o disco, usualmente remove-se uma pequena porção de osso. A remoção de osso pode ser mínima (hemilaminotomia) ou mais extensa (hemilaminectomia). Alguns cirurgiões usam um endoscópio ou microscópio em alguns casos.

A discectomia pode ser feita sob anestesia local, espinhal ou geral. O paciente fica de bruços na mesa cirúrgica, geralmente em uma posição com flexão de quadris e joelhos. Através de uma pequena incisão na pele, os músculos são desinseridos do osso. Na sequência, abre-se espaço entre as vértebras para conseguir visualizar o nervo comprimido. A hérnia de disco e seus fragmentos são removidos para descomprimir o nervo. Normalmente, há muito pouco sangramento.

Existem técnicas mais modernas de descompressão minimamente invasivas, as quais dispensam desinserção muscular e remoção de osso. Dessa forma, menor lesão tecidual leva a menor incidência de complicações. Além disso, há menor dor pós-operatória e reabilitação mais rápida.

Endoscopia lombar
Discectomia endoscópica L5S1: O planejamento é feito antes da incisão, guiado por radioscopia. Na sequência, uma pequena incisão (cerca de 1 cm) é feita para a passagem da cânula, câmera de vídeo e instrumentais.

O que posso esperar depois da cirurgia?


Se o principal sintoma é a dor nas pernas (em vez de dor lombar), pode-se esperar bons resultados da cirurgia. Antes da cirurgia, seu médico fará um exame e testes para garantir que a hérnia de disco que esteja pressionando o nervo de fato é a causa de sua dor. O exame físico deve demonstrar ciatalgia e, possivelmente, fraqueza muscular, amortecimento ou alterações de reflexos.

Exames complementares podem incluir uma RNM, TC ou mielografia, que mostram claramente a compressão do nervo. Ao confirmar a compressão, a chance de alívio significativo da dor nas pernas após a cirurgia é de aproximadamente 90%. De fato, não deve-se esperar ficar livre da dor indefinidamente. Todavia, você ficará capaz de mante-la sob controle, de tal forma que poderá retomar um estilo de vida muito próximo do normal.

A maioria dos pacientes não terá complicações após a discectomia, mas é possível que você tenha algum sangramento, infecção, lesão no revestimento protetor das raízes do nervo espinhal (dura-máter) ou lesão no nervo. Além disso, é possível que o disco sofra nova herniação e cause sintomas. Isso ocorre em cerca de 5% dos pacientes no primeiro ano.

Pergunte ao seu médico recomendações e restrições pós-cirúrgicas. Idealmente deve-se sair da cama e caminhar precocemente, tão logo se recupere da anestesia ou no dia seguinte. A maioria dos pacientes vai para casa dentro de 24 horas após a cirurgia.

Depois que se obtenha alta, deve-se evitar dirigir, manter-se sentado por período prolongado, levantar peso e flexionar o tronco nas primeiras quatro semanas. Alguns pacientes se beneficiarão de um programa de reabilitação supervisionado após a cirurgia. Você deve perguntar ao seu médico quando você pode usar o exercício para fortalecer suas costas para prevenir a recorrência.

Como sei se preciso de cirurgia de emergência?


Raramente uma hérnia volumosa pode pressionar os nervos que controlam a bexiga e intestino, determinando perda do controle dos esfíncteres. Isso geralmente é acompanhado amortecimento e formigamento na virilha ou área genital. De fato, é uma das poucas indicações de cirurgia imediata para um disco lombar herniado. Ligue para o seu médico ou vá a um pronto atendimento imediatamente se isso acontecer.

NASS 150

Sobre o autor

Ortopedia e Traumatologia
Cirurgia da Coluna Vertebral
Fellow of Interventional Pain Practice

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