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Estenose e Mielopatia Cervical

A princípio, para entender melhor a estenose, radiculopatia e mielopatia cervicais, devemos entender a anatomia. A coluna cervical é a porção da coluna vertebral que está no nível do pescoço, logo abaixo da cabeça. Ela precisa ser flexível o suficiente a fim de permitir a rotação e inclinação da cabeça. Ao mesmo tempo, precisa ser forte o suficiente para proteger a medula espinhal delicada e os nervos espinhais que passam através dela.

Estenose marcha 2

A coluna cervical é constituída por sete vértebras (numeradas de cima para baixo C1 a C7), discos e ligamentos. Um disco fica entre duas vértebras adjacentes, por isso recebe o nome conforme sua posição (ex: C4C5, C5C6). Cada uma dessas sete vértebras tem um canal pelo qual passa a medula espinhal. O processo de envelhecimento normal deixa os discos mais ressecados progressivamente, por isso, eles ficam mais rígidos e diminuem a capacidade de absorver impactos.

Em alguns pacientes, no entanto, o abaulamento do disco e outras alterações degenerativas causam um estreitamento do canal vertebral. Por consequência, é gerada compressão na medula espinhal e em seus ramos, conhecidos como raízes nervosas.

Estenose significa estreitamento. Logo, estenose cervical refere-se ao estreitamento do espaço da medula espinhal e raízes nervosas na coluna cervical.

O que é Radiculopatia?


As raízes do nervo espinhal, após emergirem da medula, passam por orifícios chamados de forames. Logo depois de saírem da coluna, as raízes unem-se nos plexos nervosos e, posteriormente, nos nervos periféricos. Esses nervos controlam os músculos e são responsáveis ​​pela sensibilidade em certas áreas do tronco ou membros.

A radiculopatia cervical refere-se a uma perda de função em uma região específica da extremidade superior. Esse problema ocorre frequentemente em virtude da irritação ou compressão da raiz nervosa na coluna.

Quais os sintomas da Radiculopatia?


A radiculopatia cervical se manifestará como uma dor que se desloca do pescoço para uma região específica do braço, antebraço ou mão. Em muitos casos, isso será acompanhado de dormência ou fraqueza muscular no braço, no antebraço ou na mão.

O que é Mielopatia Cervical?


A medula espinhal é como o cabo principal que traz sinais de internet para a casa. As raízes do nervo espinhal são ramos desse cabo, os quais transportam sinais para cada sala ou quarto dessa casa. A medula espinhal carrega sinais do cérebro para nossos braços, pernas e corpo e, ao mesmo tempo, traz sinais de volta ao cérebro.

A mielopatia cervical refere-se a uma perda de função nas extremidades superior e inferior secundária à compressão da medula espinhal no pescoço.

Quais são os sintomas da Mielopatia?


A mielopatia cervical tende a ter comportamento insidioso na maioria dos casos. Pode resultar em mudanças sutis no funcionamento das mãos. Em outras palavras, os pacientes podem ter dificuldade para executar movimentos finos. Talvez até não consigam abotoar suas camisas tão facilmente quanto eram acostumados, bem como a caligrafia pode piorar. Frequentemente derrubam objetos das mãos.

A marcha pode tornar-se visivelmente bamba. Esse desequilíbrio é decorrente da transmissão dificultada dos sinais pela medula comprimida. Às vezes, os paciente sentem que seu cérebro não sabe exatamente onde suas pernas estão no tempo e no espaço. Paralelamente, também pode haver a percepção de que os membros não obedecem ao cérebro.

Em casos extremos, os pacientes podem desenvolver fraqueza e dormência mais profundas em seus braços e pernas, tal qual ocorre em paralisias. Mais raramente, pode ocorrer perda do controle intestinal ou da bexiga.

Qual é a história natural dessas condições?


O que eu poderia esperar se eu não fizer nada? A história natural da radiculopatia cervical depende, em grande parte, de quanto tempo o paciente apresenta sintomas. Em pacientes que apresentam sintomas muito recentes, o prognóstico geralmente é muito bom. A maioria desses pacientes terá resolução completa de sua dor, dormência e fraqueza ao longo de um período de 6 a 12 semanas.

Em pacientes com sintomas por um período ligeiramente maior, o prognóstico é menos claro. Alguns pacientes terão resolução completa da dor com tratamento limitado, como modificação de atividades, calor, gelo, fisioterapia ou medicamentos. Aproximadamente um terço desses pacientes terá algum grau permanente de sintomas. Uma pequena porcentagem terá sintomas insuportáveis. Tratamentos mais agressivos podem ser necessários nestes pacientes​​.

Como isso é diagnosticado?


Caso você tenha dor persistente, dormência ou fraqueza em um dos braços que não é aliviada após um curto período de observação, você certamente deve ver o seu médico especialista em coluna. Acrescente-se que você deve consultar com um especialista em coluna imediatamente se você notar uma piora da função nos braços ou pernas.

A história de como seus sintomas começaram e como eles progrediram é sugestiva do diagnóstico. Um exame físico é então realizado, dirigido principalmente ao seu pescoço, equilíbrio, marcha e função nervosa em seus braços e pernas.

Em primeiro lugar, podem ser solicitados RX, os quais podem apresentar sinais de degeneração nos espaços discais ou nas articulações facetárias. Radiografias dinâmicas, com inclinação anterior, podem mostrar um pequeno grau de deslizamento entre as vértebras do pescoço.

A ressonância (RNM) permite que seu médico visualize as estruturas que podem estar envolvendo a medula espinhal e as raízes nervosas. Além disso, alguns pacientes podem necessitar a injeção de contraste no saco dural para fazer uma tomografia computadorizada (TC) – mielografia.

O teste eletrofisiológico dos nervos e da medula espinhal é solicitado em alguns pacientes. Os estudos de eletromiografia (EMG) e de condução nervosa ajudam a distinguir a radiculopatia cervical de outros problemas nervosos no braço e no antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Os potenciais evocados sensoriais somáticos (SSEP) são testes elétricos que estudam a condução do sinal através da medula espinhal e podem ser solicitados em alguns pacientes com mielopatia cervical.

Mielopatia cervical 2 planos
Estenose cervical multissegmentar: nível C4C5 tem a maior compressão, com edema medular, sugestivo de mielopatia (figura à esquerda); exemplo do canal vertebral próximo ao normal, onde a medula é envolta por um anel branco que corresponde a líquido que a protege (figura superior à direita); estenose cervical, onde não se visualiza o anel branco circundando a medula (figura inferior à direita)

Quais os tratamentos para Radiculopatia?


A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical será tratada inicialmente com medidas conservadoras. Essas medidas tipicamente incluem modificação de atividades e medicações. A modificação das atividades pode incluir técnicas simples, como mudar a altura do monitor ou a altura da sua cadeira no trabalho. Repouso mais restritivo prolongado pode levar à perda de condicionamento, portanto, não é recomendado. Ademais, pode-se aplicar gelo ou calor na área dolorosa, utilizar medicamentos e visitar um fisioterapeuta.

Quando não se controla a dor, podem ser necessários medicamentos mais fortes, como os opióides. Todavia, essas medicações devem ser usadas por um curto período. Tenha em mente que o uso excessivo de qualquer medicamento pode ser acompanhado de efeitos colaterais indesejados.

A fisioterapia é uma parte importante do processo de reabilitação. Seu fisioterapeuta realizará uma avaliação clínica e, em seguida, lhe instruirá. Embora esse profissional seja fundamental, o resultado dependerá mais de você do que dele. Esmerar-se na realização das atividades e nos cuidados ergonômicos e posturais deve integrar seu cotidiano. São ações que interferem bastante no resultado final.

À medida que a dor diminui, exercícios de fortalecimento e alongamento suaves são acrescidos. Um benefício primário do condicionamento fisioterápico é evitar a rigidez ou inflamação secundária em seu ombro, cotovelo ou em outro lugar no pescoço e extremidades superiores, comumente observados em pacientes com dor e fraqueza.

Em alguns pacientes com radiculopatia cervical, seu médico pode indicar infiltrações. Essas infiltrações não são apenas de caráter terapêutico, como também podem ter caráter diagnóstico ou prognóstico. A indicação diagnóstica desses procedimentos ajuda a elucidar dúvidas sobre qual a real causa da dor, já que nem sempre uma alteração na RNM é relacionada à dor. Quando o objetivo da injeção é terapêutico, seu efeito visa reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao nervo irritado.

Quais os tratamentos para Mielopatia?


Em pacientes com estenose cervical leve e sem mielopatia clínica, cuidados não cirúrgicos é a opção. Isso geralmente começa com uma educação completa em relação à sua condição. Acima de tudo, os pacientes precisam entender que as dimensões estreitas de sua medula espinhal podem predispô-los a mielopatia em algum momento futuro. Por isso, os pacientes devem ser cautelosos para evitar situações ou lesões que possam colocar sua medula espinhal em maior risco.

Um curto período de imobilização com colar cervical e espuma pode ser útil em alguns pacientes. Simultaneamente, o fisioterapeuta pode ajudar com instruções sobre a mecânica adequada da marcha. Em algum momento pode-se indicar muletas ou andadores com a finalidade de evitar quedas. Os terapeutas ocupacionais podem fornecer sugestões para tarefas cotidianas, como banhos, vestimentas, abertura de frascos ou chaves de giro.

Em pacientes com estreitamento cervical e compressão medular secundários a alterações degenerativas, possivelmente a mielopatia pode progredir. Às vezes, uma piora súbita da mielopatia pode acontecer em uma medula espinhal previamente comprimida, em decorrência de uma queda, colisão de veículo automotor, instabilidade vertebral ou uma combinação de todos os previamente citados. Se os sintomas da mielopatia cervical tornarem-se evidentes ou progressivos, certamente você deve ser avaliado por um médico especialista.

Cirurgia


Caso as medidas conservadoras falhem ou na progressão de déficits neurológicos, indica-se cirurgia para descompressão neural. Existem diferentes técnicas, tanto pela frente (via anterior) quanto por trás (via posterior), ou até pela combinação de ambas. Diversos fatores serão considerados na escolha da técnica. Estes incluirão a localização da compressão neural, quantidade de níveis a se descomprimir, alinhamento vertebral e sua condição médica geral.

Quando se realiza por via anterior, faz-se uma pequena incisão na frente do pescoço. Em seguida os tecidos são afastados suavemente para o lado e as vértebras cervicais acessadas facilmente. Por fim, as estruturas que envolvem a raiz nervosa são removidas. Frequentemente, implanta-se um espaçador preenchido por enxerto ósseo no espaço discal. Adicionalmente, pode-se usar uma placa metálica e parafusos ​​para estabilizar as vértebras. Logo depois da cirurgia, pode-se usar um colar cervical por um curto período, dependendo do procedimento cirúrgico.

Já nos procedimentos por via posterior, uma pequena incisão é feita diretamente sobre a área onde o nervo emerge da medula espinhal. Uma broca de alta velocidade pode ser usada para remover o osso que cresceu patologicamente sobre o nervo, causando-lhe compressão. Pequenos fragmentos de disco podem ser removidos através deste orifício. Logo após a cirurgia, pode-se imobilizar com colar cervical temporariamente.

Pode-se realizar uma descompressão mais ampla da medula espinhal por via posterior: laminectomia e laminoplastia. Em ambas, a pressão sobre a medula é aliviada removendo porções da parte traseira da vértebra. Na laminectomia, a parte de trás da vértebra é completamente removida. Por outro lado, na laminoplastia, cria-se uma dobradiça em um dos lados da vértebra. Posteriormente, a lâmina é levantada sobre esta dobradiça para abrir espaço para a medula espinhal. Ocasionalmente, parafusos e hastes metálicas são utilizados nesses procedimentos a fim de estabilizar a coluna cervical.

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Dor Sacroilíaca

A articulação sacroilíaca pode ser uma fonte de dor nas costas para muitos pacientes. A articulação é composta pelo sacro, a parte inferior da coluna vertebral, e pelo ilíaco, o osso da bacia. A articulação não tem uma grande amplitude de movimentos como outras articulações do corpo. No entanto, ela usa seu movimento limitado para atuar como um amortecedor de choque para tensões que se movem das costas para a pelve.

Acredita-se que a dor é mais frequentemente causada por movimento acima do normal ou aumento do estresse nessa articulação. Isso tipicamente se apresenta como dor lombar localizada em um ou em ambos os lados. Também pode causar dor na nádega ou mesmo imitar a dor ciática irradiando à parte de trás da perna. Muitas vezes, dói ao sentar ou ficar de pé por longos períodos, ao deslocar o peso para o lado afetado e dormir sobre o lado envolvido.

Articulação sacroilíaca

Em azul nota-se a porção mais inferior da coluna lombar e a bacia, em vermelho estão destacadas as articulações sacroilíacas

Diagnóstico


Um especialista em coluna pode fazer um exame físico para ajudar a determinar se sua dor vem da articulação sacroilíaca. É importante excluir outras possíveis causas de dor. Isso geralmente significa pedir um exame de imagem, como a ressonância magnética da coluna lombar para descartar uma hérnia ou degeneração discal como causador do problema, pois os sintomas são semelhantes. Contudo, nem sempre se consegue demonstrar a causa da dor apenas com imagens.

Uma infiltração de anestésico local na articulação sacroilíaca pode ser útil para identificar a articulação como fonte de dor. Algumas vezes a infiltração é a única maneira de provar que a dor é proveniente da articulação sacroilíaca. O procedimento de infiltração é realizado com assistência visual, como radioscopia ou ultrassom (imagem abaixo).

Sacroiliaca foto
Infiltração sacroilíaca guiada por radioscopia – agulha posicionada e contraste injetado dentro da articulação

É um procedimento ambulatorial, podendo ser feito com anestesia local apenas ou com sedação associada. Uma agulha é então introduzida na articulação e confirmado seu poscionamento com contraste. Uma combinação de medicamentos esteróides e anestésicos é injetada na articulação. O esteróide pode diminuir a inflamação para ajudar a diminuir a dor. Para os pacientes que são intolerantes aos esteróides ou para os quais os esteróides não conseguiram proporcionar alívio, a ablação por radiofrequência dos nervos (rizotomia) pode diminuir a dor.

Se for determinado que a articulação sacroilíaca está causando dor, existem vários tratamentos que seu médico pode recomendar. O gelo e os anti-inflamatórios são muitas vezes uma primeira linha de tratamento. Às vezes, exercícios e fisioterapia são benéficos, bem como uma órtese de suporte para ajudar a apoiar a área afetada.

Se todas as opções conservadoras não conseguiram fornecer alívio prolongado, e existe um alto grau de certeza de que a articulação está causando dor, um cirurgião pode recomendar uma fusão desta articulação – artrodese. Isso envolve uma pequena incisão através da qual um cirurgião da coluna coloca estabilizadores (existem diferentes tipos) na articulação para impedir qualquer movimento extra. Isso ajuda a diminuir a inflamação e, portanto, a dor.

É importante discutir seus sintomas com um médico especialista em coluna vertebral e, em conjunto, criar um plano de tratamento. De fato, o conhecimento sobre a dor articular sacroilíaca ainda cai no esquecimento de muitos especialistas devido aos avanços nesta área serem mais recentes. Em conclusão, provavelmente a dor originária da articulação sacroilíaca seja a principal causa de manutenção do quadro doloroso após cirurgias da coluna vertebral, muito por falha ao diagnóstico primário.

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Dor Lombar Crônica

Dor lombar crônica pode ser o resultado de muitas condições diferentes. Pode originar de doenças, lesões ou estresses a várias estruturas anatômicas diferentes, incluindo ossos, músculos, ligamentos, articulações, nervos ou medula espinhal. A sensação de dor também pode variar. Por exemplo, a dor pode ser experimentada como dolorida, queimação, pontadas, lancinante ou dolente, bem definida ou vaga. A intensidade pode variar de leve a grave.

Muitas vezes, a fonte da dor não é conhecida ou não pode ser especificamente identificada. De fato, em muitos casos, a condição ou lesão que desencadeou a dor pode ser completamente curada e se tornar indetectável, mesmo na persistência da dor. Apesar da ausência de alterações anatômicas, a dor sentida pelo paciente é real e o médico assistente deve saber disso.

A estrutura afetada envia um sinal através das terminações nervosas, subindo à medula espinhal e ao cérebro, onde se registra como dor – dor nociceptiva. O mecanismo da dor segue o esquema da figura abaixo:

Fisiologia da dor

Uma série de teorias diferentes se desenvolveram para tentar explicar a dor crônica, mas o mecanismo exato não é completamente compreendido. Em geral, acredita-se que as vias nervosas que transportam os sinais de dor das terminações nervosas através da medula espinhal e do cérebro podem tornar-se mais sensibilizadas – sensibilização central. A sensibilização destas vias pode aumentar a frequência ou a intensidade com que a dor é percebida. Um estímulo que geralmente não é doloroso, como o toque leve, pode ser amplificado ou alterado por esses caminhos sensibilizados e experimentado como dor – dor neuropática. Às vezes, mesmo após o processo original de lesão ou doença ter cicatrizado, vias sensibilizadas continuam a enviar sinais para o cérebro. Esses sinais são sentidos similares a dor original e, às vezes, pior do que a dor causada pelo processo inicial de lesão ou doença.

Imagine um antigo aparelho de televisão ou tela de computador em que a mesma imagem seja projetada continuamente. Esta imagem fica, eventualmente, “queimada” na tela. Mesmo quando a tela está desligada, a imagem ainda pode ser vista na tela. Da mesma maneira, depois que a fonte original de dor é curada ou não está presente, pacientes com dor crônica podem continuar a sentir dor. Embora esta seja uma simplificação excessiva do que pode acontecer na dor crônica, isso ajuda a ilustrar a compreensão atual dessa condição.

Quais tratamentos estão disponíveis?


Os tratamentos para a dor crônica nas costas podem variar muito, dependendo do tipo e da fonte da dor. Se uma fonte tratável da dor for encontrada, o processo subjacente deve ser abordado. Quando a causa subjacente não é identificável ou não é passível de tratamento, os sintomas são tratados. Os objetivos do tratamento são reduzir a dor, melhorar a qualidade de vida e melhorar a função.

Existem várias categorias diferentes de tratamento que geralmente são recomendadas para dor crônica nas costas. Essas categorias incluem fisioterapia, medicamentos, habilidades de enfrentamento, procedimentos e tratamentos de medicina alternativa. O médico assistente adaptará um programa envolvendo uma combinação dessas opções para atender às necessidades do paciente. O envolvimento de um médico com treinamento especial no manejo da dor crônica pode ser aconselhável em alguns casos.

A fisioterapia inclui a educação e treinamento do paciente, exercícios de alongamento e fortalecimento, terapias manuais e modalidades como gelo, calor, estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS) e ultrassom. As terapias ativas que o paciente pode continuar por conta própria (como fortalecimento e alongamento) geralmente têm os efeitos mais permanentes e duradouros.

Um programa de exercícios domiciliares é encorajado antes que o paciente seja dispensado da terapia. Fortalecimento e alongamento são projetados para aumentar a estabilidade e a força em torno das estruturas da coluna que estão sob estresse. Essas técnicas também funcionam para evitar a perda do condicionamento que resulta da diminuição da atividade. Os exercícios são adaptados especificamente ao paciente e ao tipo de dor nas costas a ser abordada. O objetivo de educar o paciente é prevenir a perda progressiva de atividade por medo do movimento.

Medicamentos para dor lombar crônica


Os medicamentos utilizados para o tratamento da dor são múltiplos e variados. Eles se enquadram em várias categorias diferentes. Os medicamentos analgésicos simples e, menos frequentemente, opióides podem ser utilizados no tratamento da dor crônica na coluna. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) são úteis para o controle da dor e podem ajudar a reduzir a inflamação. Os relaxantes musculares também podem ajudar com a dor crônica e podem aumentar os efeitos de outros medicamentos contra a dor. Os fármacos estabilizadores do nervo (antidepressivos e medicamentos anticonvulsivantes) são usados ​​para tratar a dor mediada pelo nervo – dor neuropática. Todos esses medicamentos têm diferentes perfis de efeitos colaterais e interações, e devem ser monitorados cuidadosamente por um médico.

Abordagem psicológica


As habilidades de enfrentamento são extremamente importantes na gestão da dor crônica na coluna. A dor crônica afeta diretamente todas as áreas da vida de um paciente. A dor afeta o humor, o humor de um paciente afeta sua capacidade de lidar com a dor. A dor também afeta a forma como os pacientes interagem com outras pessoas. Por esse motivo, ensinar aos pacientes habilidades de enfrentamento adequadas para lidar com ansiedade, depressão, irritabilidade e frustração são fundamentais. O envolvimento de um especialista especializado em dor, psicólogo ou psiquiatra melhora o tratamento da dor nas costas crônica.

Intervenção para dor lombar crônica


Procedimentos como infiltrações, técnicas minimamente invasivas e até cirurgia aberta podem ser indicados ​​para manejar a dor crônica. Às vezes, os dispositivos implantáveis, como um estimulador da medula espinhal, são benéficos no tratamento da dor crônica. O paciente, com a ajuda de seu médico, deve discutir os possíveis riscos e benefícios de qualquer procedimento. Uma segunda opinião pode fornecer informações adicionais ou abordagens alternativas para gerenciar sua condição.

Medicina alternativa


Medicina alternativa também oferece uma variedade de tratamentos, muitas vezes úteis no tratamento da dor crônica. Estes tratamentos incluem acupuntura, agulhamento a seco, terapia nutricional e meditação. É importante que um paciente discuta esses tratamentos com seu médico assistente, para garantir que não haja efeitos nocivos e que não interfiram com outros tratamentos prescritos.

Como é diagnosticada a dor lombar crônica?


Como mencionado anteriormente, a dor lombar crônica é definida como dor nas costas que dura mais de três meses. Durante a avaliação da dor crônica na coluna, o objetivo é descartar quaisquer lesões ou processos de doença que colocam o paciente em risco de lesões adicionais se não forem tratados. Além disso, um especialista considerará diagnósticos que podem ser tratados para reduzir a dor. Uma boa história clínica dos pacientes e um exame físico completo por um médico bem treinado são os aspectos mais importantes da avaliação. Lesões graves e doenças muitas vezes podem ser diagnosticadas ou descartadas com base na história e exame físico apenas.

A falta de um diagnóstico definitivo não significa obrigatoriamente que seja necessário mais exames. Exames desnecessários nada acrescentam ao que o médico já descobriu em seu exame físico. De fato, os exames desnecessários não são apenas caros para o paciente, mas podem expor o paciente a riscos ou radiações desnecessários.

Nos casos que o médico assistente sinta necessidade de mais exames com base na história do paciente e nos achados do exame físico, certamente ele discutirá isso com o paciente. Os testes podem incluir exames de sangue, radiografia, cintilografia óssea, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RNM), infiltrações diagnósticas, eletromiografia (EMG) e muitos outros testes especializados.

Muitas vezes, a causa exata da dor ainda não será bem definida ao fim da avaliação. No entanto, uma avaliação é bem sucedida ao descartar processos que colocam o paciente em risco se não forem tratados.

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Dor

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Qual o significado da dor?​


Dor é uma ferramenta de proteção, ela indica tecidos lesionados ou em risco de lesão. A Associação Internacional para Estudos da Dor (IASP) define dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tais lesões”. É o sintoma sentinela, que indica ao indivíduo que alguma medida deve ser tomada para evitar danos maiores.

Diferença entre dor crônica e dor aguda


A diferença primordial entre dor aguda e crônica é o tempo de evolução, ou seja, seu tempo de duração. Classicamente, dor aguda na coluna vertebral é aquela com duração de até 6 semanas. Em contrapartida, a dor crônica é definida como aquela que perdura por mais de 12 semanas. Nesse intervalo, temos uma subclassificação, a dor subaguda.

Diferenciá-las auxilia na elaboração de diagnósticos, prognósticos. Portanto, é fundamental para definir qual a conduta mais adequada para o momento.

O tratamento adequado das crises agudas minimiza a transformação destas em dores crônicas, de mais difícil controle. Por isso, investigação e tratamento precoces são importantes para restauração do equilíbrio físico, mental e espiritual.

Por que é difícil tratar dor crônica?


FALTA DE CONHECIMENTO: Para responder esta pergunta, assumiremos a mea-culpa, pouco se fala da dor como doença. Infelizmente tratam-na apenas como sintoma. Todo o estudo médico é focado na elaboração de um diagnóstico, deixando a dor em segundo plano. Conhecer a fisiologia dela melhora as habilidades do médico que a trata. Por parte do paciente, também há negligência. Dor crônica necessita de abordagem multidisciplinar, restando apenas uma parcela aos medicamentos. Quando há a crença errada de que o tratamento depende apenas do médico e da escolha do medicamento certo, o índice de sucesso é baixo. Parabéns! Se você está lendo essa frase, é um indício do seu interesse pelo seu problema e do desejo de ampliar seu conhecimento sobre o assunto. Seu índice de sucesso do tratamento é maior.​

RECURSOS INADEQUADOS: Ao compreender sua fisiologia, é notório que a prescrição de um único medicamento não é tão eficaz quanto a abordagem multimodal. Esta se dá através de drogas com diferentes mecanismos de ação, atendimento por equipe de profissionais com conhecimento em dor crônica (médico, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional) e elaboração de programas de educação e aconselhamento.

BAIXA ADERÊNCIA: Mesmo em casos com desfecho favorável, o período de tratamento é prolongado. Expectativas ilusórias causam frustração e abandono do tratamento.

Fisiologia da dor

 

O que é a fisiologia da dor?


Foi notado que soldados que sofriam de ferimentos de guerra graves sentiam pouca ou nenhuma dor. Esta dissociação entre ferimento e sintomatologia também foi observada noutras circunstâncias, como em eventos desportivos. Isso é atribuído ao efeito do contexto no qual ocorre a lesão. A existência de dissociação indica que o organismo possui um mecanismo que modula a perceção da dor.

Anos depois, foram descritos 3 sistemas de modulação da dor: Inibição Segmentar, o Sistema Opióide Endógeno e o Sistema Inibitório Descendente. Mais além, também foi descrito que a elaboração de estratégias cognitivas (onde o paciente adquire conhecimento sobre seu problema) podem modular a resposta à dor.

Assim, o mecanismo da dor é descrito na figura acima:

  1.  Estímulo periférico nociceptivo
  2. Transmissão do estímulo à medula
  3. Transmissão do estímulo através da medula (trato espinotalâmico)
  4. Transmissão do tálamo ao córtex
  5. Inibição pelo Sistema Inibitório Descendente no tronco cerebral
  6. Inibição Segmentar na medula
  7. Inibição através da liberação de endorfinas

 

Condição psicológica influencia a dor?


A dor reproduzida no corpo deixa cicatrizes na mente. Sua própria definição já retrata isso: “uma experiência sensorial e emocional desagradável”Processos psicológicos desempenham uma função importante no complexo processamento da informação dolorosa.

Doentes crônicos frequentemente sentem-se esperançosos com intervenções médicas, como as cirurgias, infiltrações ou medicações milagrosas, tendo expectativas irreais de um rápido alívio, sem que seja necessário o seu próprio envolvimento. Mas, também é comum, o sistema médico alimentar esperanças elevadas de cura, gerando ansiedade e frustração.

Isso é mais evidente quando o doente não conhece as causas ou não é capaz de construir um significado para a dor, de modo que provoca ainda mais ansiedade e aumento do sofrimento.

Modelos multimodais que consideram os componentes biológicos, psicológicos e sociais têm maior êxito. Ferramentas que incluam a pessoa ao processo, fazendo-as assumir responsabilidades em relação ao tratamento, são efetivas ao desenvolver a resiliência necessária para o controle adequado da dor. Por fim, estimular a participação ativa e a assunção de responsabilidade por si próprio, pela sua doença e pelo decurso desta também fortalecem a resiliência.

O que é Resiliência?


A resiliência é a capacidade de o indivíduo superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas e lidar com problemas e não sucumbir. Ou seja, é a promoção de condições para enfrentar e superar adversidades. A resiliência de um indivíduo dependerá da interação de sistemas adaptativos complexos, motivo da necessidade de tratamento multidisciplinar.

Dominar a mente humana é uma arte. Nesse sentido, ela deve ser desenvolvida sob orientação de um profissional capacitado. Com treinamento, o indivíduo que apresenta dor crônica também adquire capacidade de administrar emoções, assim como controlar impulsos, ter atitude pró-ativa e bloquear condições predisponentes à perpetuação da sensação dolorosa.